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Ministro denunciado por coagir motorista que acusa presidente do Banco do Brasil

Ministro é acusado de tentar impedir depoimento de motorista que denunciou presidente do Banco do Brasil

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O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, foi acusado de coação pelo seu ex-motorista Sebastião Ferreira da Silva. Em depoimento ao Ministério Público Federal, que se “sente ameaçado” por pessoas do governo federal.

Ele revelou ao Ministério Público Federal em São Paulo que fez pagamentos em dinheiro vivo a mando do presidente do BB no período em que trabalhou para o banco, e uma vez o ajudou a transportar uma sacola de dinheiro.

O motorista – que trabalhou cinco anos para a Presidência da República no governo Lula e outros seis anos para presidente do BB – disse ter sido pressionado pelo ministro Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria-Geral da Presidência, de quem foi motorista, para não levar adiante acusações contra Bendine.  O ministro usou um número do Palácio do Planalto para telefonar a Ferreirinha, como o motorista é conhecido. As informações são de reportagem de Leonardo Souza, no jornal Folha de S. Paulo.

Bendine afirma que as alegações de Ferreirinha são falsas. Denúncia anônima com teor semelhante ao depoimento do motorista foi arquivada pelo Ministério Público Estadual de São Paulo e por órgãos de fiscalização do governo federal antes que ele falasse ao Ministério Público Federal.

Segundo Ferreirinha, Carvalho costuma lhe telefonar, muitas vezes para falar amenidades. No meio da semana anterior ao depoimento, o motorista informou ao ministro sua intenção de ir ao Ministério Público depor sobre Bendine. Nesse primeiro contato, disse Ferreirinha, o ministro tentou demovê-lo da ideia.

O motorista diz que o ministro voltou a ligar no dia 2 de maio, quando teria lhe perguntado se atenderia Bendine e estaria disposto a desistir do depoimento se recebesse um pedido de desculpas. Ferreirinha diz que Bendine telefonou no dia seguinte.

Segundo o motorista, Bendine pediu desculpas e o convidou a ir a sua casa para conversarem pessoalmente. Ferreirinha disse ter aceitado encontrá-lo numa padaria, mas depois desistiu e não apareceu no horário combinado.

Ferreirinha afirma que recebeu outra ligação de Gilberto Carvalho no dia 5. O aparelho celular do motorista registra uma chamada às 10h43 de um número pertencente à Presidência da República.

Segundo o motorista, Carvalho disse que Ferreirinha cometeria uma loucura se levasse adiante o depoimento, que poderia prejudicar a campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição. O ministro teria dito também que o motorista poderia ser processado e perder seus bens, ou até mesmo parar na cadeia.

No depoimento prestado ao Ministério Público, Ferreirinha não menciona Carvalho, mas afirma que “o interlocutor” lhe disse para “parar com isso”. À Folha Ferreirinha identificou o “interlocutor” como Gilberto Carvalho.

Procurado pela reportagem, o ministro preferiu não se manifestar sobre o caso.

Ferreirinha contou que o vice-presidente de varejo do BB, Alexandre Abreu, foi três ou quatro vezes à sua casa, em Guarulhos (SP), para tentar convencê-lo a parar com as acusações contra Bendine.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o BB negou que “tenha existido qualquer tipo de ameaça ou pressão sobre o ex-motorista Sebastião Ferreira, por parte do presidente ou do vice-presidente”.

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