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Gravação no Jaburu

Perito Ricardo Molina reafirma que áudio de Joesley é 'imprestável'

Falhas são suficientes para jogar a gravação no lixo, diz Molina

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O perito Ricardo Molina, um dos mais requisitados especialistas brasileiros, contratados pela defesa do presidente Michel Temer, convocou coletiva em um hotel de Brasília para reafirmar que "continua a ser imprestável" o áudio da gravação que Joesley Batista fez com o objetivo de obter afirmações comprometedoras do chefe de governo.

Segundo Molina, o laudo da PF é "cheio de evasivas, nunca é conclusivo, nem categórico". "Essa gravação transpira irregularidade", declarou o perito, afirmando que 6 minutos e 18 segundos da gravação, equivalente a 23% da conversa, foi suprimido. "Em nenhum momento a PF provou que a gravação é autêntica", disse, apesar de a perícia da PF afirmar que "afastou a ocorrência de qualquer forma de adulteração, atestando, assim, a legitimidade plena da prova para a instrução criminal".

A análise dos peritos sobre a gravação realizada no dia 7 de março, em um encontro fora da agenda oficial no Palácio do Jaburu, considerou quatro tipos de análise: "perceptual e contextual", "formato e estrutura de áudio", "quantitativas" e do "equipamento gravador". Na análise chamada perceptual, a perícia apontou para 294 descontinuidades no áudio cujo formato é "wave", mas concluiu que não se trata de alterações feitas por edição de alguém, mas de interferências técnicas do próprio aparelho utilizado.

Molina havia afirmado antes que, após análise do áudio, não tinha dúvidas de que o conteúdo da gravação era "imprestável" e que a Polícia Federal identificaria falhas técnicas no material e uma série de pontos de edição. Molina disse que havia identificado "ao menos seis pontos de possível edição" e que não era possível afirmar que havia uma sequência lógica na conversa. Disse ainda que as "falhas são mais que suficientes para jogar a gravação no lixo" e que o áudio continha pontos que são "sonhos de consumo de um fraudador", além de "muitas evidentes descontinuidades que não têm explicação".

Molina reclamou que 12 perguntas (quesitos) técnicas sobre o áudio não foram respondidas e que houve um "atropelo de fases" pela Polícia Federal, mas apenas um grupo inicial de 15 questionamentos. "Meus quesitos são técnicos. Por que não foram respondidos? Porque não estão situados na zona de conforto. Essa prova era, é e continuará a ser imprestável sempre, a não ser para fins políticos." O perito poderá requerer, por meio da defesa de Temer, que as perguntas enviadas à PF sejam respondidas.