Mais Lidas

Comoção eleitoral

Desmaio de ambulante provoca drama eleitoral em Maceió

Oposição paga para divulgar queda de mulher após rapa em Maceió

acessibilidade:

O deputado federal e pré-candidato a prefeito, João Henrique Caldas (PSB-AL), e o deputado federal Marx Beltrão (PMDB) divulgaram impulsionaram no Facebook o vídeo de uma abordagem de fiscais e guardas municipais a uma ambulante que vendia cocos sem estar cadastrada junto à Prefeitura em Maceió. Durante a apreensão de suas mercadorias, no último sábado (2), a senhora tentou resistir e desmaiou diante da apreensão popularmente conhecida como rapa.

Foi um prato cheio, devorado não apenas pelo oposicionista do prefeito Rui Palmeira (PSDB), conhecido como JHC. O pré-candidato classificou a cena como uma “ação covarde e humilhante” da Superintendência Municipal do Controle do Convívio Urbano (SMCCU), contra a mulher que tentava ganhar sua vida vendendo cocos na área nobre de Maceió.

“Para os amigos tudo, para os inimigos a lei. Ah, como seria bom se apreendessem essas "mercadorias" da prefeitura também”, escreveu JHC em sua postagem patrocinada no Facebook.

O deputado federal Marx Beltrão (PMDB) foi outro oposicionista a repudiar a ação de fiscalização na rede social. Ele é ex-prefeito de Coruripe e está cotado para ser ministro do Turismo no governo interino do peemedebista Michel Temer. E disse que denunciará o caso ao Ministério Público e cobrará ações dos representantes dos Direitos Humanos.

“A Maceió que eu moro é muito diferente da Maceió das propagandas que assisto na TV patrocinado [sic] pelos milhões que o contribuinte como esta cidadã paga. Sabemos que existem leis e regras para o uso do espaço público. Não podemos mais admitir um ser humano que estava trabalhando ser tratado dessa maneira”, opinou Marx Beltrão.

Veja o vídeo publicado por JHC:

Reincidência

A assessoria de comunicação da Prefeitura de Maceió não informou o nome da vendedora, porque esta não está cadastrada, apesar de ter sido alvo de diversas fiscalizações, algumas delas foram frutos de denúncias de próprios colegas ambulantes que pagam taxas.

O superintendente da SMCCU, Reinaldo Braga, disse ao Diário do Poder que a ambulante foi abordada na Orla e correu até a Avenida Durval Guimarães, na Ponta Verde. “Ela já teve mercadoria apreendida mais de três vezes. Tem dois filhos que também são ambulantes e insistem em atuar sem cadastros. A senhora nunca procurou SMCCU, apesar de ter recebido esta orientação”, disse Braga.

Comoção financiada

A ação de ordenamento urbano, tachada de insensível, foi mais uma das que ocorrem diariamente na capital alagoana e em grandes centros urbanos. É certo que revela a injusta realidade social do trabalhador informal, com menos alternativa de sobrevivência em meio à crise.

Mas também é nítido que há oportunismo político e eleitoral dos deputados federais, que pagaram para o Facebook impulsionar a divulgação da cena como postagem patrocinada, que entra na linha do tempo de usuários da região. A cena alimenta o discurso de que o ordenamento urbano deveria ser colocado em segundo plano pelo “cruel” prefeito tucano, diante da necessidade de sobrevivência do trabalhador desempregado.

O que não se pode esquecer é que, se JHC quer realmente ser eleito prefeito de Maceió, certamente terá de lidar com mais objetividade sobre como organizar o crescente numero de ambulantes que ocupam calçadas da Orla Marítima, das periferias e do Centro de Maceió. Para essas mesmas situações, provavelmente aplicará o que determina o código de posturas.

“Curioso é que a lei não importa na hora do contrato sem licitação de 10 milhões de reais para pardais [de fiscalização do trânsito], de mais 9 milhões de reais para papel em consultorias, 21 milhões de reais para publicidade, na hora de continuar com as empresas inidôneas da máfia do lixo, as mesmas empresas de ônibus e a mesma cobertura de PSF, em vergonhosos 27%”, criticou o deputado do PSB.

O interesse eleitoral demonstra estar presente na fala de JHC, quando ele inclui, no texto “comovido”, o igualmente insensível oportunismo de reforçar outras denúncias contra o tucano, alheias à situação da senhora ambulante. Algo bem distante de uma comoção autêntica.

Na real, JHC não poderá decidir não aplicar a legislação municipal e não controlar o acesso dos pequenos empreendedores aos espaços de trabalho informal. O motivo é que uma cidade tem regras que, infelizmente, precisam ser cumpridas para evitar que o caos domine os espaços públicos.

Afinal, até o também crítico Marx Beltrão deve conhecer a importância deste mesmo controle da presença de ambulantes nas praias e ruas de Coruripe, pois foi prefeito e quer ser ministro do Turismo.