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Prévias em Maceió

Bloco publica nota ironizando Renan Filho e garante verba

Diretoria do Pinto da Madrugada é criticada ao 'cancelar' bloco

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Assim como fez no início deste ano, a diretoria do Bloco Pinto da Madrugada anunciou no fim da noite desta segunda-feira (21), por meio de nota, que não vai desfilar nas tradicionais prévias carnavalescas de Maceió em 2017. E, depois de utilizar tom irônico contra o Governo Estadual, ao desejar um “feliz carnaval” nos 200 anos de Emancipação Política de Alagoas, teve a decisão criticada por foliões nas redes sociais.

Novamente, a direção do bloco sinaliza que deve entoar a marchinha “Mamãe eu quero” para o poder público e condicionar o desfile a repasses de dinheiro público. Nesta terça-feira (22), já teve garantido o compromisso de ajuda financeira do governo de Renan Filho (PMDB). Mas a Prefeitura de Maceió dará apenas o suporte dos serviços públicos, sem repasse de verba.

A direção do Pinto foi criticada por não dar satisfação sobre as dificuldades, nem pedir ajuda aos foliões ou profissionalizar a captação de recursos, antes de decidir ‘cancelar’ o desfile, através de uma nota de sete linhas publicada na página do bloco, no Facebook. Em menor intensidade, o poder público também foi cobrado a contribuir, mesmo no momento de crise financeira.

Veja a nota do bloco: 

REPASSE SUFICIENTE

Em janeiro, a diretoria do Pinto fez a mesma ameaça de não desfilar na Orla Marítima de Maceió, ao repudiar o prefeito Rui Palmeira (PSDB) por redefinir prioridades devido à crise e suspender os repasses financeiros aos blocos. Na ausência do Município, o Governo de Renan Filho distribuiu R$ 195 mil entre os blocos, no carnaval 2016. E todos saíram às ruas, no fim de semana que antecede o início do carnaval. Somente o Pinto abocanhou R$ 70 mil para desfilar este ano e ainda assim levou uma estrutura menor para a Orla Marítma de Maceió.

Um produtor cultural disse ao Diário do Poder que somente o montante doado pelo Estado é suficiente para promover a festa, pagando todos os custos. "Se o objetivo não for lucrar, o dinheiro dá e ainda sobra", comentou, sem querer se identificar. 

Já o Governo Estadual disse não ter sido procurado pela direção do bloco. Mas garantiu que o repasse financeiro para o bloco será feito, se houver desfile. A garantia foi dada pelo secretário de Comunicação de Alagoas, Ênio Lins.

“O governo do Estado não foi procurado pelo bloco, mas mantém o apoio dado em 2015 e 2016. O que, sem dúvida, continua sendo uma ajuda significativa. Com mais alguns outros aportes, mesmo que menores em relação ao liberado pelo Governo do Estado, tenho certeza que o Pinto poderá ciscar na avenida também em 2017. Estou empenhado nisso”, declarou.

Em 2015, foram repassados pela Prefeitura de Maceió, para o Pinto e para os blocos do Jaraguá Folia, R$ 300 mil, sendo R$ 5 mil para blocos até duas mil pessoas; R$ 20 mil para blocos com público entre 2 mil e 20 mil pessoas; e R$ 50 mil para o Pinto da Madrugada, único com mais de 20 mil pessoas.

Gestores cobram verba públicaDIRETORIA CRITICADA

Formada por representantes da elite intelectual, econômica e cultural de Maceió, a diretoria foi cobrada, pela decisão unilateral, sem espaço para debate com a sociedade. Veja quais as críticas direcionadas ao grupo:

Francine Mendoça: “Poderiam dar uma maior satisfação e explicar o que realmente está acontecendo para as pessoas poderem ajudar na solução”.

Simone Sampaio: “O problema está também na gestão do bloco, visto que não sabem vender a marca. Passam o ano todo sem planejamento, sem fazer nada para arrecadar verba, como exemplo uma feijoada. Ficam apenas contando com o dinheiro público. Corram atrás, o que vejo sempre são inúmeros empresários lucrando com o desfile, peçam patrocínios, cobrem o munguzá, o que não falta são ideias. As escolas de samba passam o ano todo promovendo momentos assim para não depender apenas do dinheiro público. Fica a dica”.

Alex Ferro: “Alagoas não pode viver só de festa. Enquanto maioria passa necessidades, sabemos que boa parte que participa não tem preocupação porque vive das benesses políticas (prefeituras, ALE, TJ, etc…) e não sabem sequer o que é trabalhar. Desde o ano passado que deveriam ter acabado, gosto muito da festa, porém sem dinheiro público envolvido”.

Paulo Sampaio: “Sou folião do pinto e acredito que os organizadores também tem sua parcela de culpa. O bloco pela sua importância e grandiosidade, já deveria se profissionalizar e ter meios de arrecadação de recursos. Não sabem vender a marca. Apenas lamento. Uma pena. Tomara que esta decisão seja revista”.

Aparecida Araújo: “Gente, os organizadores do Pinto da Madrugada são pessoas de posses e elitizadas, eles já estão é cansados de botar o bloco na rua independente de prefeito ou não! E outra, nós é que somos um povo que não cultivamos as tradições, pois carnaval é festa do povo e povo quando quer vai às ruas e faz a festa”.

Enio Oliveira: “Peço até em nome dos diretores que já se foram como o Marcial [Lima], que se existir alguma esperança de solucionar a questão, vocês reconsiderem a decisão. Exponham o problema quem sabe juntos, diretoria, população e demais envolvidos possamos chegar a um acordo. Vamos lá Braga Lira! Carnaval sem o Pinto não é carnaval!”.

Charles Rocha: “Isso é só draminha, em fevereiro ele sai normalmente”.

‘DECISÃO PARTICULAR’

A secretária de Cultura de Alagoas, Mellina Freitas, lamentou a suspensão do bloco e ressaltou que a decisão é particular da diretoria do Pinto, que não fez contato oficial com a equipe de sua Pasta. E disse ao Diário do Poder que está de portas abertas para o diálogo com a diretoria e parceiros deste grandioso evento.

“Desde o início de sua gestão, o governador foi parceiro das agremiações, por entender a tradição das prévias e também a importância do evento para a economia local. Nesses dois anos, a Secult apoiou as escolas de samba e as tradicionais festas de prévias, visando o desenvolvimento e o fomento da cultura popular alagoana. Lamento a decisão dos organizadores do Pinto da Madrugada, que há mais de 15 anos promovem uma festa tão bonita na orla de Maceió”, afirmou a secretária.

O Diário do Poder não conserguiu falar com a diretoria do bloco.