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Longo descaso

Após três anos, Infraero vai trocar pontes de embarque de aeroporto

Infraero promete gastar R$7,8 milhões em novos 'fingers'

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Inaugurado em 2005 ao custo de R$ 217,4 milhões, o aeroporto Zumbi dos Palmares, em Maceió, apresenta sinais exteriores de abandono: o ar-condicionado raramente funciona, nos banheiros sujos metade das torneiras está danificada e suas quatro pontes de embarque e desembarque, conhecidas como fingers, estão interditadas há três anos.

O aeroporto internacional de Maceió – Zumbi dos Palmares é o quarto maior do Nordeste, com terminal de 22 mil metros quadrados, 24 balcões de check-in, sete escadas rolantes, seis elevadores e 600 vagas de estacionamento. Mas as quatro pontes de embarque são os instrumentos que mais fazem falta aos passageiros.

A Anei, associação nacional de funcionários, solicitou abertura de sindicância para apurar o caso da idosa de 79 anos, cadeirante, que caiu da escada ao sair do avião no aeroporto de Maceió, em 7 de dezembro do ano passado, por falta de finger. Josefa Malvicini, que mora em Londres, estava em Maceió para visitar a família. Ela ficou surpresa ao saber que não havia outra alternativa a não ser descer pela escada, mesmo de cadeira de rodas.

A passageira perdeu a consciência ao cair da escada e foi auxiliada pelos funcionários da Infraero. Ela foi socorrida pelo Serviço Médico de Urgência (Samu), após familiares solicitarem ajuda externa, e foi levada ao hospital 1 hora e 40 minutos depois de sofrer o acidente.

 

Passageiros debaixo de chuva

Quem chega ou parte de Maceió, em dias de chuva, precisa vencer a distância entre o avião e a estação de passageiros, sem qualquer tipo de assistência, porque não há guarda-chuvas suficientes, nem transporte disponível. No caminho, é preciso destreza para desviar de poças d'água de chuvas acumuladas.

A ponte de embarque n° 8 do aeroporto de Maceió é prova do descaso da Infraero: está sem uso desde abril de 2013. A segunda mais antiga, a ponte n° 7, está inoperante desde julho de 2014. As pontes 6 e 9 estão sem funcionar desde 2015, de acordo com a empresa que administra o aeroporto, mas os passageiros afirmam que também estas duas estão desativadas há mais tempo.

 

Finger enferrujado: dinheiro público desperdiçado.Ferrugem: sinal do descaso

O Diário do Poder flagrou ferrugem consumindo as pontes de embarque e desembarque, que sofrem com a falta de manutenção, mas a Infraero nega que tenha abandonado os fingers:

– Eles ficaram inoperantes por problemas mecânicos, sendo que dois dos equipamentos apresentaram mau funcionamento desde a fabricação. Os outros dois deixaram de funcionar no 2º semestre de 2015, e até o mês de outubro uma das pontes estava operacional – informou a estatal, por meio de nota.

Para resolver esse problema, a empresa já iniciou o processo para a instalação de novas pontes de embarque no Aeroporto Internacional de Maceió/Zumbi dos Palmares (AL). Foi publicado no Diário Oficial da União edital para a contratação de empresa que irá executar os serviços de desmontagem, catalogação, embalagem e transporte das pontes de embarque do Aeroporto de Maceió. A licitação, na modalidade pregão eletrônico, foi aberta no último dia 23 e o processo está em andamento. 

 

Mais R$7,8 milhões

Os novos fingers estão orçados em R$ 7,85 milhões, valor que inclui o transporte e a instalação dos equipamentos.

Os serviços serão concluídos em 70 dias, segundo os termos do edital, a partir da emissão da ordem de serviço. O valor de referência para a execução dos serviços é de R$ 257,41 mil. “O procedimento faz parte do planejamento da Infraero para substituir as pontes de embarque do aeroporto. Além do desmonte das pontes atuais, foi publicado, em 16/3, edital para a execução da fundação para a instalação de novas pontes de embarque, que serão transportados de Florianópolis para o terminal alagoano”, informa a Infraero.

 

No bonito aeroporto de Maceió, fingers não funcionam.

Taxa de embarque

Apesar da situação incômoda, os passageiros são obrigados a pagar taxa de embarque. Em 2015, o Aeroporto de Maceió registrou receitas de R$ 32,18 milhões. Desse total, R$ 17,49 milhões vieram das taxas de embarque (doméstico e internacional).

Segundo a Infraero, que administra 60 aeroportos, incluindo o de Maceió, a taxa é fixada em função da categoria do aeroporto e da natureza da viagem (doméstica ou internacional) e é cobrada antes do embarque.

A tarifa é cobrada do passageiro por meio da companhia aérea, já embutida no valor da passagem. Atualmente, cobra-se R$ 27,68 em voos domésticos em 14 aeroportos e R$ 91,41 em voos internacionais. A partir de 19 de abril, porém, o valor salta para R$ 109,13 nos voos para fora do país, de acordo com nova portaria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), publicada em 1º de março.

 

Culpa do governo, claro

A Associacao Nacional dos Empregados da Infraero (Anei) já acompanha o caso das fingers. Em janeiro deste ano, o presidente da entidade, Alex Fabiano Costa, solicitou, via Lei de Acesso à Informação, informações e documentos referentes as pontes do aeroporto Zumbi dos Palmares. Ele foi respondido na semana passada.

Em resposta à Anei, a Infraero culpou o governo e disse que em 2015 estava prevista a contratação da fabricação, transporte e instalação de novas pontes de embarque para o aeroporto. Porém, por causa de restrições orçamentárias impostas pelo governo federal, o processo licitatório e, consequentemente, a sua contratação, não puderam seguir.

Para Costa, há um certo desinteresse da Infraero em administrar o problema. “Acredito que seja mentira da Infraero, afinal, o problema se arrasta há anos e hoje a estatal está escolhendo a quem vai pagar primeiro”, reclama. (Com a colaboração de Elijonas Maia)

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