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Vale-tudo eleitoral

Câmara usa ‘burocratês’ para tentar explicar ‘trem da alegria’ nos estertores de Maia

Nota sem assinatura não comenta alegação de que "trem de alegria" ajuda campanha de Baleia Rossi

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Os deputados analisarão o texto original da PEC, de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF) Foto: Valter Campanato/ABr.

A assessoria de imprensa da Câmara dos Deputados informou neste fim de semana, em nota, que as contratações da Casa “sempre passaram pelo gabinete do seu presidente” antes de publicação no Diário Oficial da União (DOU).

O ainda presidente da Câmara, Rodrigo Maia, promoveu 19 nomeações nos últimos dias para cargos cargos de natureza especial (sigla CNE) com salários entre R$4,5 mil a R$ 20,7 mil mensais, sendo nove deles lotados em seu próprio gabinete, à espera de outros “destinos”. A suspeita é que serão utilizados como moeda de troca eleitoral.

A nota da assessoria se refere à alegação de que Maia, a cerca de duas semanas de deixar o cargo, resolveu usar seu poder para promover nomeações para cargos CNE. A notícia foi publicada em primeira mão na coluna do jornalista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Parlamentares ligados a partidos de oposição, ouvidos pelo DP, confirmaram que as nomeação estariam ligadas a interesses da campanha do deputado  Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara, que enfrenta problemas provocados por debandada de apoiadores.

A assessoria de Maia afirma em sua nota, sem assinatura, que as nomeações “citadas erroneamente” na matéria “obrigatoriamente teriam que seguir o mesmo trâmite” de passar pelo gabinete da presidência da Câmara antes de seguir para publicação no DOU. O DP não questionou o “trâmite”.

Rodrigo Maia designou aspones para a corregedoria parlamentar, o departamento de material e patrimônio e até no gabinete do 4º suplente da Mesa Diretora. Vagas na 2ª e 4ª secretarias também foram negociadas com partidos do “bloco” de Maia, além de função gratificada na Secretaria-Geral da Mesa.

Houve trocas também nas comissões de Fiscalização e Controle, Defesa do Consumidor e de Educação. Tudo para acomodar os apadrinhados.

Burocratês

“Pelas regras estabelecidas há décadas pela Câmara” – afirma o redator não identificado na nota assinada apenas por “assessoria de imprensa da Câmara dos Deputados” – os titulares de cada área precisam encaminhar as solicitações de contratações para o trâmite interno que termina no Gabinete do Presidente.”

Segundo a turma do quase ex-presidente da Câmara, “isso ocorre com todos os cargos de natureza especial ou de função comissionada, independentemente de ser cargo administrativo ou vinculado à liderança de partido político. Essas regras estão estabelecidas no Regimento Interno (Artigo 17, inciso V, alínea a) e no artigo 8º da Resolução nº 1 de 2007″.

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