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Prefeito reage a pressão de Renan Filho para eleger seu tio presidente da ALE

Irmão de deputada pressionada sugere que governador não sabe perder

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Prefeito Joãozinho Pereira protesta no Instagram contra pressão de Renan Filho pelo voto de sua irmã deputada para eleger Olavo Calheiros presidente da ALE

Um dia depois de uma dura conversa com o governador de Alagoas Renan Filho (MDB), o prefeito de Teotônio Vilela (AL) Joãozinho Pereira (MDB) foi hoje (4) às redes sociais sugerir que o chefe do Executivo não sabe perder, por pressionar sua irmã e deputada estadual Jó Pereira (MDB) para que vote no tio do governador, Olavo Calheiros (MDB) para presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), na disputa contra o favorito Marcelo Victor (SD).

“Sabemos que é fundamental, em qualquer disputa, combater o bom combate! Disputas eleitorais passam, o homem passa, ganhar ou perder faz parte do jogo, mas palavra, atitude e trabalho ficam marcados para sempre! Tenham todos um ótimo final de semana! Forte abraço”, escreveu Joãozinho, no Instagram.

A reação de um dos líderes do clã político Pereira ocorre depois de o prefeito confidenciar a deputados que ouviu de Renan Filho, em encontro na noite de quinta-feira (3), a afirmação de que, caso não haja apoio da deputada à eleição de Olavo Calheiros, deixará de apoiar a eleição da prefeita de Campo Alegre, Pauline Pereira (PMB), para a presidência da Associação Alagoana dos Municípios (AMA) e o governo suspenderá um convênio que envia recursos para o Consórcio Intermunicipal do Sul do Estado de Alagoas (Conisul).

A posição contraria compromissos firmados por Renan Filho com a família Pereira, que deve ter exonerado do comando da pasta da Assistência Social o ex-prefeito de Junqueiro (AL), Fernando Pereira. Mas o que mais irritou a família de aliados do governador foi o fato de o fim do convênio com o Conisul, presidido por Pauline, prejudicar o atendimento à saúde da população dos municípios alagoanos de Roteiro, Jequiá, Coruripe, Feliz Deserto, Piaçabuçu, Penedo, Igreja Nova, São Sebastião, Teotônio Vilela, Campo Alegre, Junqueiro, Porto Real do Colégio.

“Joãozinho falou que lamenta muito pelo povo, que ele estará punindo quem mais precisa de saúde, pois o Joãozinho tem plano de saúde, mas o pobre não tem. Sobre a AMA, Joãozinho disse que o governador ficasse tranquilo, que ele não tem interesse no embate. E que a secretaria era de livre nomeação dele, que ficasse à vontade”, disse um dos deputados que ouviram a confidência do prefeito irmão da deputada.

Primeira-dama de Joãozinho, que acumula o comando da Secretária de Saúde do Município de Teotônio Vilela e do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems), Izabelle Pereira comentou a publicação do marido.

“O homem público deve sempre lembrar que poder é algo tão transitório… por mais que se pense de forma (errônea), que ele é para sempre. Seu trabalho, suas lutas, seus objetivos, sempre foram e sempre serão voltados para melhoria do povo alagoano. Conhecer você é ter a clareza de um homem que honra seu povo, que trabalha com amor e respeito. Como diz Erich Fromm “A ânsia de poder não é originada da força, mas da fraqueza.” Desse mal você não sofre! Estamos juntos Joãozinho, unidos e sempre nos fortalecendo. O que é para sempre não se encontra na terra!
Aqui, o que importante é o que fazemos com as oportunidades que nos foi dada, e isso estamos fazendo”, escreveu Izabelle.

O Diário do Poder perguntou ao governador e à sua assessoria se o chefe do Executivo está pressionando deputados pela eleição do tio, por meio da revogação das indicações dos parlamentares de cargos no governo. Quis saber ainda se exonerou Galba Netto (do Procon); Gustavo Lopes (do IMA) e pretende exonerar Mellina Freitas (da Cultura) e Fernando Pereira (da Assistência Social) por não obter apoio a Olavo Calheiros pelos deputados Galba Novaes (MDB), Marcelo Beltrão (MDB), Inácio Loiola (PDT) e Jó Pereira (MDB).

Também quis saber se procediam as informações sobre pressão sobre os parlamentares e se esta seria uma posição que fere a independência dos poderes, ou faz parte de seu jogo político. Não houve respostas.

O grupo de apoio a Marcelo Victor afirma que o deputado deve ter 21 votos para presidente da ALE, inclusive o da deputada Jó Pereira; contra seis para Olavo Calheiros. Mas a estratégia de trazer de volta os aliados será exonerar indicados de deputados rebelados a conta gotas, para dar tempo de arrependimento nos demais parlamentares.