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‘Não existe gabinete paralelo. É ficção’, diz Osmar Terra à CPI

Ex-ministro de Bolsonaro, o deputado é apontado como 'padrinho' do 'gabinete paralelo'

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O deputado Osmar Terra (MDB-RS) e o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM). Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Em depoimento à CPI da Pandemia nesta terça-feira, 22, o deputado Osmar Terra (MDB-RS) afirmou que “não existe gabinete paralelo. É ficção”. O parlamentar, que já foi cotado para o cargo de ministro da Saúde, é considerado “padrinho” do chamado “gabinete paralelo” no Ministério da Saúde, que assessora o Palácio do Planalto para a definição de políticas de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Ele aparece em vídeos em que se debate o combate à pandemia de covid-19 com o presidente Jair Bolsonaro.

Terra acrescentou que “todos os presidentes se aconselham com alguém” e disse os encontros de um grupo de médicos que não tinham vínculo com o Ministério da Saúde representavam “opiniões esporádicas de conversas”.

A participação de no “gabinete paralelo” foi citada pela primeira vez em maio, durante depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta à CPI. Na ocasião, Mandetta afirmou que “outras pessoas” buscavam desautorizar orientações do Ministério da Saúde a Jair Bolsonaro. Entre eles, o ex-ministro da Cidadania.

Logo no início de sua participação na CPI, Terra criticou as medidas defendidas pela ciência que aconselham o isolamento social para o enfrentamento à Covid-19.

Como se alheio às 502 mil brasileiros, Osmar Terra afirmou ao longo da sessão que o vírus “provoca mais anticorpos do que o vírus morto”, fazendo referência aos imunizante. Esse é o mesmo argumento utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro para dizer que a infecção pela Covid-19 é mais eficaz do que as vacinas, como afirmou em sua live da quinta-feira, 17.

O argumento de Terra oi rebatido pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE): “A vacina é a imunização segura. O senhor esteve internado em uma UTI, eu em uma semi-UTI”.

O parlamentar, que se notabilizou por uma série de análises erradas acerca da crise sanitária, disse ainda que fez as previsões sobre a pandemia no Brasil baseado “nos fatos que existiam na época, em fevereiro e março [de 2020]. Quais eram os fatos? A epidemia da China, que teve um surto completo”. Ele chegou a dizer que a Covid-19 causaria menos mortes que a H1N1, que em 2009 foi responsável por 2.146 óbitos.

Osmar Terra disse que a pandemia de coronavírus no Brasil não se comportou como as demais em razão das mutações do vírus. Em um vídeo apresentado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) no início de seus questionamentos, Terra pondera: “Não tem esse problema [de reinfecção], que pode ser um pouquinho diferente um do outro e tal, mas não tem esse risco de acontecer, senão as epidemias não acabavam nunca”.

Em sua fala inicial, o deputado federal também afirmou que o presidente Bolsonaro “não teve o poder de decidir nada”, em alusão à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a competência concorrente da União, Estados e municípios na adoção de medidas de combate à Covid-19.

Um minuto de silêncio

Logo no início da sessão desta terça-feira, os senadores da CPI da Pandemia fizeram um minuto de silêncio para homenagear os 502.817 mortos por covid-19 no Brasil. A questão de ordem para a homenagem foi apresentada pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE).

Os parlamentares apresentaram placas com dizeres “luto” e o número de vidas perdidas pelo novo coronavírus no Brasil.

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