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Eleição 2020: mulheres são maioria dos eleitores e minoria dos candidatos

A senadora Soraya Thronicke, presidente do PSL Mulher, acredita que as mulheres precisam ter mais engajamento político

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Senadora Soraya Thronicke é presidente do maior programa de capacitação de mulheres para ocupar cargos políticos. Foto: Agência Senado

A representatividade feminina nas urnas é manca, desproporcionalmente, o peso pende do lado de fora das urnas. Elas são a maior parte dos eleitores e a minoria dos candidatos. Além da questão histórica de ocupação de espaços por mulheres, a senadora Soraya Thronicke (PSL) contou ao DP que ainda falta engajamento feminino na política. 

Segundo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do total de eleitores aptos a participar das Eleições 2020, que são 147,9 milhões de pessoas, 52,5% são mulheres. A maioria também está marcada na quantidade de municípios nos quais existem mais eleitoras que eleitores, 61%.

Por outro lado, a quantidade de mulheres pleiteando um cargo público é somente um terço do total de candidaturas. Na corrida eleitoral deste ano, estão inscritos 549.704 candidatos às prefeituras e assembleias legislativas. Destes, 33,2% são mulheres, contra 66,8% de participação masculina.

Incentivo

O TSE atualizou o repertório legal que prevê a destinação de 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC) recebidos pelas agremiações para financiar a candidatura das mulheres integrantes do partido.

A verba destinada às mulheres deve ser aplicada na campanha da candidata ou poderá ser transferida para o custeio da candidatura de outras participantes. Entretanto, é ilícito o uso deste percentual no financiamento de candidaturas masculinas.

Os partidos políticos também devem garantir a reserva de 30% das vagas para candidatas, norma sancionada em 1997. Com a atualização, o TSE determinou que órgãos partidários, como comissões executivas e diretórios nacionais, estaduais ou municipais também devam obedecer à proporção.

PSL Mulher

A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) é presidente do programa PSL Mulher, um programa de apoio à participação feminina na política nacional. Hoje, o órgão de cooperação partidária tem cerca de 52 mil mulheres inscritas.

“A questão da mulher na política é uma extensão do debate sobre a participação feminina em todos os setores da sociedade. Sabemos que as mulheres ainda são minoria em vários setores, mas estamos em processo de evolução dessa questão. Como presidente nacional do PSL Mulher criamos o maior Programa de capacitação de mulheres da América Latina. Aumentar a participação feminina na política é construir um país melhor. Por que quando a mulher brasileira cresce. O Brasil cresce”, diz a parlamentar. 

Para Soraya, ainda faz-se necessário maior engajamento do público feminino na esfera pública. “É importante lembrar que, para que as mulheres ocupem esses espaços, elas precisam querer ocupá-los. Enquanto tivermos mulheres dispostas a ter uma candidatura ilegítima, estaremos enfraquecendo a participação feminina na política. As mulheres precisam ter a consciência de que é possível sim ser eleita, chegar a um cargo político e ser a diferença para o seu país. Eu sou um exemplo disso”. 

A luta pela abertura de espaços políticos é uma questão de todos, da sociedade. “No Congresso Nacional, assim como em qualquer parlamento, as mulheres ainda são a minoria. Mas estamos ganhando espaço e, com apoio dos homens também. Temos muitos projetos voltados para as mulheres que foram iniciativas de parlamentares homens. Então acredito que esse movimento para abrir mais espaço para as mulheres é de interesse de todos nós”, explica Thronicke. 

Sobre a política de cotas e a inserção da força feminina ocorrerá gradativamente. “Em países mais desenvolvidos, as políticas de cotas são cada vez menos necessárias porque há um maior equilíbrio social e as pessoas estão em pé de igualdade. Aqui no Brasil ainda estamos em processo de evolução nessa questão. Por isso, acredito que ainda levará um tempo para que as pessoas ocupem naturalmente os espaços — seja na política, no mercado de trabalho ou nas universidades —, de acordo com suas capacidades. Sem dúvidas, estamos melhorando nessas questões e trabalhando para que as mulheres ocupem e queiram ocupar esses espaços. Nossa meta é que mais mulheres venham para a política”, finaliza a senadora.