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CPI: Witzel acusa governo de agir para deixar estados em condição de fragilidade

Senadores governistas reagem e dizem que ex-governador está fazendo comício

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O ex-governador Wilson Witzel em depoimento à CPI da Pandemia. Foto: Agência Senado

Em depoimento à CPI da Pandemia na manhã desta quarta-feira, 16, o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel acusou o governo federal de agir de caso pensado para deixar estados sem condições de comprar insumos e respiradores. Segundo ele, o intuito do Executivo foi se livrar das consequências da pandemia. “Os governadores ficaram totalmente desamparados” no combate à pandemia do novo coronavírus.

“Suplicamos ao presidente para que pudéssemos encontrar soluções em conjunto. Os governadores, os prefeitos, ficaram desamparados do apoio do governo federal. Está tudo documentado”, afirmou, citando cartas e ofícios enviados pelo Fórum dos Governadores ao governo federal.

“O governo federal, para poder se livrar das consequências do que viria com a pandemia, criou uma narrativa estrategicamente pensada, para colocar os governadores em situação de fragilidade. O que ficou claro é que a narrativa construída pelo governo federal foi para colocar governadores em situação de fragilidade, porque tomaram as medidas necessárias de isolamento social. No dia 13 de maço de 2020, fui o primeiro governador a decretar o isolamento social de forma contundente, para que pudéssemos controlar a pandemia no Estado do Rio de Janeiro”, acrescentou.

O discurso inicial de Witzel gerou reação dos senadores governistas, que o acusaram de fazer comício.

“Ele veio aqui para fazer comício?”, questionou o senador Jorginho Mello (PL-SC). O ex-governador do Rio de Janeiro disse que estava apenas fazendo a sua defesa. Omar Aziz, presidente da comissão, garantiu a palavra ao depoente.

O ex-chefe do Executivo do Rio defendeu suas ações contra a pandemia. “Só não conseguimos evitar mais mortes porque não tivemos a coordenação do governo federal. A sucessão de ministros da Saúde dificultou. Deputados sabotaram os hospitais de campanha”.

Witzel é acusado de se beneficiar de um esquema de corrupção no início da pandemia. Segundo investigações do Ministério Público Federal, o exgovernador do Rio de Janeiro recebia um percentual das propinas que eram pagas dentro da Secretaria de Saúde do Estado.

Em setembro do ano passado, Witzel sofreu impeachment, com a Assembleia Legislativa do Estado registrando 69 votos a favor do afastamento e nenhum contrário.

Para se defender, o político afirmou que “não houve desvio de dinheiro nenhum durante a pandemia” e que foi “perseguido vergonhosamente por instituições que não poderiam se politizar”. “Eu só fui o primeiro. Depois de mim, outros governadores foram atingidos por investigações superficiais, rasas. Agora estão fragilizando os governos estaduais. Este é um objetivo do enfraquecimento do Estado democrático de Direito”.

Witzel também afirmou que seu “calvário” começou quando ele mandou investigar a morte da vereadora Marielle Franco. “Quando foram presos os dois executores da Marielle, o meu calvário e a perseguição contra mim foram inexoráveis”, disse. “Ver um presidente dizer numa live que eu estava manipulando a polícia do meu Estado. Quantos crimes de responsabilidade esse homem vai cometer sem que alguém pare ele? Se não pararmos, essa república chavista ao contrário vai avançar cada vez mais”, acrescentou.

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