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Pandemia

CPI ouve nesta sexta irmãos que apontam irregularidades na compra da Covaxin

Servidor concursado do Ministério da Saúde diz que sofreu pressão de coronéis que auxiliavam Eduardo Pazuello

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Sessão da CPI da Pandemia - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A CPI da Pandemia vai ouvir nesta sexta-feira, 25, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda e seu irmão, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que apontam irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin pelo governo federal. O parlamentar afirmou que havia informado o presidente Jair Bolsonaro sobre essas irregularidades.

Foram compradas pelo governo 20 milhões de doses da Covaxin a um preço 4 vezes maior que o do imunizante da AstraZeneca. Há indícios de que o contrato, fechado no valor de R$ 1,6 bilhão com intermediação da empresa Precisa Medicamentos, teria sido assinado a um preço 1.000% mais alto que o previsto inicialmente.

A estratégia da CPI no caso é dirigir mais atenção ao servidor concursado do que ao deputado. “O depoimento do servidor Luis Miranda será o mais importante da CPI até agora”, diz o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Luiz Ricardo Miranda, que trabalhava na área de importação do Ministério da Saúde, trocou e-mails com executivos da representantes dos indianos e é ele quem diz ter sofrido pressão direta de coronéis que auxiliavam Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, no ministério.

O senadores do chamado G7 da CPI avaliam com cautela as denúncias. Isso porque o histórico do irmão deputado, que além de bolsonarista convicto, é acusado de aplicar golpes em pessoas que se associavam a ele em negócios no estilo “ganhe dinheiro fácil”, no Brasil e nos Estados Unidos. Miranda também foi acusado de crime eleitoral por fazer sorteios em lives na pré-campanha de 2018. Os processos foram extintos, mas ele é visto como testemunha “delicada”.

O deputado já revelou documentos e áudios para sustentar a versão de que a Precisa queria que o governo pagasse adiantado pelas vacinas, que chegariam ao Brasil próximo da data do vencimento. Miranda mostrou ainda notas fiscais que, segundo ele, mostram que o pagamento não iria para nenhuma das firmas vendedoras, e sim para a conta de uma terceira companhia, uma offshore em Cingapura que não era citada no contrato.

Ontem, o ministro da secretaria-geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, afirmou que os documentos são falsos. Ele informou ainda que o presidente Jair Bolsonaro pediu à Polícia Federal que investigue o deputado Luís Miranda e seu irmão por “denunciação caluniosa”.

 

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