Weintraub poderia imitar Portugal
Lisboa – Se fosse dado a estudos e honrasse seu cargo, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, deixaria de lado seus divertimentos com o desenho animado do Cebolinha para ridicularizar o sotaque dos chineses e estudaria o que Portugal está fazendo, com grande sucesso, para evitar que o confinamento durante a pandemia do coronavírus prejudique os estudantes do ensino básico.
A Telescola não é novidade no país e existe desde janeiro de 1965. Foi implantada através da televisão pública para alcançar as crianças dos mais longínquos pontos do país onde não havia escolas. Chamada agora de Estudoemcasa, difere das aulas e dos programas educativos transmitidos online a estudantes,na sua grande maioria de estabelecimentos privados,que possuem computador.
Em 1968,quando em Portugal a escolaridade obrigatória passou de quatro para seis anos, não havia professores preparados nem escolas.Para ultrapassar o problema, o Ministério da Educação adotou o sistema da Telescola.Naquela altura,quando em muitas casas sequer havia energia elétrica, as crianças iam para escola assistir aulas no televisor acompanhadas da professora que,em seguida, enviava pelos correios os materiais impressos para exercícios.
Paralelamente, a Fundação Gulbenkiam criou bibliotecas itinerantes para emprestar livros nos locais mais isolados do país. Foi uma grande ação.A Telescola durou até 1987,quando o governo português instalou escolas em todos os pais ,com professores para cumprir a escolaridade obrigatória de nove anos,fixada após a Revolução dos Cravos,de 25 de abril.
Com a crise do coranavírus, em três dias os professores das escolas privadas e públicas organizaram-se para transmitir aulas online.Mas o Ministério da Educação foi mais adiante e a televisão publica passou a gravar e transmitir aulas dos seus estúdios.A medida foi adotada sobretudo para atender às crianças mais desfavorecidas ,que vivem em lares sem internet,que é a realidade de parte significativa da população escolar brasileira.
A iniciativa permite a continuação da aprendizagem da primeira a nona séries do ensino básico em todo o país, possibilitando que estudantes sem computador possam estudar em casa. Foi criada uma plataforma online e uma aplicação para celulares e tablets na RTP Memória.Diariamente ,é transmitido o ensino das disciplinas oficiais da educação portuguesa para todos que estão neste período escolar e que irá até o final do ano letivo.
As aplicações permitem que os estudantes revejam tantas vezes quando desejarem os programas dados e os professores podem recuperar as matérias depois de estas terem sido exibidas. A emissão linear da RTP Memória continua a ser o formato para transmissão das aulas, cujos conteúdos foram organizados por matéria e que continuarão disponíveis nas aplicações para celulares e tablets.
As aulas pela televisão acontecem de segunda a sexta, das 09hs às 17h50. As manhãs geralmente são reservadas aos mais novos e as tardes aos do terceiro ciclo.Duram 30 minutos em vez dos 45 ou 90 habituais nas escolas e incluem até sessões de educação física.Foram também reforçados os conteúdos para as crianças do pré-escolar.
Para este nível de ensino, a RTP2, dirigida por Teresa Paixão,cuja atuação é considerada excelente pela sociedade portuguesa, disponibilizou novos programas lançados na plataforma RTP Ensina, que existe desde 2014.Com rapidez, a emissora organizou programas educativos para ensinar atividades que podem ser feitas em casa,como aulas de balé,hip hop ,trabalhos manuais e até judô.
As aulas reúnem vídeos, áudios e infografias divididas por assunto e foram previamente enviadas à Direção Geral de Educação para os professores da infância, de forma a que pudessem orientar os pais a explorá-los. Os programas são assistidos com grande alegria pelos pequeninos segundo relatos publicados nas redes sociais por muitos pais.
Segundo o Anuário Brasileiro de Educação,em junho de 2019,havia 1,5 milhão de crianças e jovens no Brasil fora da escola, problema que deveria ser combatido pelo Weintraub, deixando de lado a China, que não é assunto da competência da sua pasta.
Além de Portugal ,outros países da União Europeia utilizam a Telescola, como a França, Itália, Espanha, Áustria,Albânia, Bulgária, Croácia, Republica Checa, Hungria, Romênia, Sérvia e Eslovênia. Se quiser saber como o sistema funciona, e bem,basta pedir informações a Operating Eurovision and Euroradio,entidade com sede em Genebra que congrega todas as estações públicas de televisão e de radio da União Europeia,que regulou a forma.
Caso consiga entender como o método funciona,o Ministro da Educação poderia ,por exemplo, recorrer às emissoras públicas existente no país, como a EBC ,a TV Câmara e TV Senado, sustentadas pelos contribuintes e que nem sempre funcionam como nos países civilizados,onde o que é publico é publico e não serve ao governo do momento ou a interesses corporativistas.
Em Portugal,nem o governo nem os políticos influem nos conteúdos das televisões públicas,que obedecem apenas aos seus diretores de programação e ao Conselho Geral Independente,composto por seis representantes da sociedade civil ,encarregados de supervisionar o cumprimento da legislação em vigor.Sem favorecimento a qualquer agrupamento, seja público ou privado.Um exemplo a imitar.