Riscos para o Brasil na estratégia de Trump
A cobiça do presidente Trump nas reservas de petróleo da América Latina trará consequências para o mercado global e impacto no Brasil, por influir diretamente nos preços internacionais. Caso os Estados Unidos aumentem a sua oferta de petróleo, o preço por barril tende a cair e trará repercussão imediata no Brasil, que ocupa o oitavo lugar no mundo em produção, com 3,4 milhões de barris por dia.
Essa ameaça pode forçar o adiamento de investimentos em energia renovável (solar, eólica, hidrelétrica, biomassa, geotérmica e maremotriz).O país enfrenta o dilema entre acelerar a exploração de petróleo (como na Margem Equatorial), ou manter o foco na meta de liderança verde, que une as matrizes energéticas mais limpas do mundo, de onde provém 89% da eletricidade gerada.
Usinas eólica coisa de “perdedor”
Apesar da declaração de Trump em Davos, que usinas eólicas são “coisa de perdedor”, empresas americanas com preocupações Ambiental, Social e Governança podem migrar para o Brasil, que sancionou recentemente a lei das eólicas offshore. Repete-se o estilo de Trump de “ameaçar” os concorrentes. Se ele ameaça é porque os concorrentes estão no caminho certo. É o que acontece com o Brasil, que investe no setor não apenas por responsabilidade ambiental, mas estratégia de vantagem competitiva
Destino seguro
O governo brasileiro tem tentado posicionar o país como um “destino seguro” para o capital verde, que está deixando os EUA. O setor eólico nacional prevê dobra da sua capacidade até 2026, apesar das pressões externas. O país precisará encontrar maneiras de financiar sua transição energética, evitando depender de decisões tomadas por governos estrangeiros.
Invasão do Irã
Possível invasão ou ataque militar americano ao Irã representa um dos maiores riscos geopolíticos para o mercado de energia, com potencial para provocar um “choque de oferta” e alta expressiva nos preços do petróleo. O Irã controla o Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial por onde passa cerca de 20% a 25% do petróleo mundial. Um ataque dos EUA poderia levar o Irã a fechar essa rota
O Irã é um produtor relevante, com uma produção de cerca de 3,2 a 3,3 milhões de barris por dia. A saída desses barris do mercado, em caso de guerra, geraria escassez global imediata. Corte total nas exportações de petróleo do Irã, elevará o preço do barril de petróleo para uma média de US$ 100 ou mais dólares, em 2026.
A crise aumenta também a inflação global e pressiona os bancos centrais a manterem os juros altos por mais tempo. Somente , um planejamento cuidadoso das reservas brasileiras pode ajudar o país a equilibrar a segurança energética e o compromisso ambiental, nessa hora de iminente crise mundial do setor.