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O invulgar e necessário desafio de divertir milhões

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Os grandes eventos estão de volta a São Paulo. No intervalo de um mês a cidade fez a Virada Cultural e a Parada LGBT+. Ambas colocando à prova a elasticidade de reunir milhões e, no dia seguinte, a vida seguir como se nada tivesse acontecido.

No mesmo período houve a confirmação de dois eventos inéditos: o espanhol Primavera Sound, previsto para o final de outubro e que durará uma semana, e a única etapa sul-americana de Fórmula E – organizada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e disputada por carros exclusivamente elétricos, para março de 2023.

Nos casos da Virada e da Parada, o simbolismo necessário em momentos bicudos como os vividos: uma celebrou a cultura, a outra, a diversidade, o respeito, a tolerância. Milhões nas ruas, em megaeventos interrompidos pela pandemia. A resposta foi clara e ruidosa: vacina, diversão e arte.

Nos novos eventos, dois temas caros em um País com a imagem fustigada: um festival internacional de música que mesclará apresentações pagas e gratuitas – que começará um dia após o segundo turno das eleições mais febris da nossa história recente. Uma segunda-feira de paz, esperamos, e com motivos para comemorar, acima do resultado, a democracia.

Em 2023, três semanas depois de mais um carnaval com milhões, São Paulo será literalmente uma pista: em circuito de rua a ser definido nos próximos meses, monopostos velozes e elétricos serão parte de uma grande discussão sobre sustentabilidade e energias renováveis. Passo importante e tentativa de reconstrução da credibilidade internacional que já tivemos nessa área.

Fazer eventos desse tipo não é tarefa vulgar. São Paulo aprendeu, acumulou conhecimento e gostou. Não transparece, mas uma engenhosa e azeitada máquina é movimentada para a consecução com o mínimo de riscos e interferência. Afinal, 12 milhões de pessoas vivem no entorno.

O olhar dos serviços públicos, naturalmente, é na segurança, saúde e transportes. Problemas típicos das grandes concentrações não são ignorados; porém, a celebração é muito maior e os mecanismos de controle e combate são aprimorados a cada ano – para fazer melhor, não interromper.

De aniversários de bairros aos de expressão mundial, são quase três mil eventos oficiais. Colocando na conta os particulares – com pendor comercial – o número salta para perto de 15 mil/ano, em conta conservadora.

O desafio, e São Paulo faz isso muito bem, é reverter e direcionar essa força para a oferta de empregos, trabalho e renda, o que não acontece apenas na execução dos eventos, mas nos bares, hotéis, restaurantes, taxistas etc.

Outro movimento irá ampliar essa força: foi concluída no primeiro semestre a transferência do Anhembi para a inciativa privada, concessão empreendida pela gestão Bruno Covas e Ricardo Nunes. Decisão que coloca no futuro o complexo mais simbólico do Brasil, cuja existência foi fundamental para consolidar São Paulo como capital do entretenimento.

Hoje, em um final de semana típico, como em 9 e 10 de julho, a cidade a cidade vê a Marcha para Jesus com os evangélicos, o Abraça São Paulo com os católicos, a Virada ODS, que junta o sul-coreano Ban Ki-moon, ex-secretário Geral da ONU ao Nobel da Paz Juan Manuel Santos, a Bienal do Livro e os otakus, geeks e nerds no festival Anime Friends. Depois de dois anos sofridos, faltará calendário para tantos eventos.

Gustavo Pires é presidente da São Paulo Turismo, empresa de eventos e turismo da Prefeitura de São Paulo.

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