Maranguape expõe o colapso da segurança no Ceará

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Com a maior taxa de homicídios do Brasil em 2024, chegando a 79,9 mortes por 100 mil habitantes, Maranguape se tornou o retrato cru do colapso da segurança pública no estado. Em vez de ações firmes, o que se viu foi negligência institucional, enquanto a violência avançava casa por casa, bairro por bairro, sem controle.

A responsabilidade é direta e inegável do Governo do Estado. A escalada das facções, a ausência de policiamento efetivo, a falta de inteligência territorial e a demora em conter os grupos armados que disputam o controle de áreas inteiras mostram o tamanho do problema. O Ceará não tem um plano de segurança à altura da crise que enfrenta, e isso custa vidas.

Não basta alegar redução pontual de crimes em 2025 quando o estrago de 2024 já está feito. Maranguape teve 87 assassinatos em um único ano. Isso não se resolve com notas técnicas. É uma emergência social, e o governo sabe disso. A dor das famílias, a rotina afetada pela insegurança, o comércio em alerta — cada aspecto da vida em Maranguape revela um pedido urgente por cuidado e ação.

A Prefeitura de Maranguape, por sua vez, não pode se esconder. Embora a segurança pública seja responsabilidade primária do Estado, o município tem o dever de atuar na prevenção, criar alternativas para a juventude e fortalecer as comunidades. No entanto, o que se viu foi omissão e paralisia, enquanto a cidade sangrava.

O povo de Maranguape não quer mais discursos. Quer ação. Quer policiamento presente, escolas funcionando, equipamentos sociais de verdade, oportunidades reais. Quer viver sem medo de voltar para casa ou de ver seus filhos e filhas no mundo do crime.

Chega de empurrar culpa. O Ceará está perdendo suas cidades para o crime, e Maranguape é o grito mais alto desse fracasso.

Maranguape não pode mais se dar ao luxo de perder o que é essencial para o futuro da cidade: creches que acolhem as crianças, quadras poliesportivas que tiram os jovens da rua, e a recuperação urgente de espaços culturais e de lazer, como seu estádio e o teatro, que são parte vital da identidade e da esperança da comunidade. O futuro não pode esperar.

Pedro Matos (Avante) é Deputado Estadual no Ceará.