Força, meu treinador!

Parreira, o único treinador que deu a cada jogador um livro de presente

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Neste momento em que todo mundo está pensando no hexa, seria justo pedir em oração pela recuperação de um profissional que nos levou ao penta, Carlos Alberto Parreira.

Sua carreira, como treinador, se iniciou em 1974. Zagallo, que dirigia o Fluminense, foi abrir o mercado árabe e lhe passou o comando do time profissional. Eu, Gerson, Cleber e Carlos Alberto Pintinho formamos o primeiro meio-campo que ele escalou.

José Roberto com o amigo Carlos Alberto Parreira.

No ano em que o futebol mudou durante a Copa da Alemanha, não apenas pelo Carrosel Holandês, mas pelo titulo alemão que impôs so mundo o futebol força. E para a nossa transformação de jogadores de futebol para atletas de futebol, foi preciso que a Escola de Educação Física do Exército formasse uma nova geração.

Para cada máquina Apolo, Teste de Cooper, Circuit Training a nós apresentado, uma prancheta com as instruções de como treinar foi colocada sob a guarda de Parreira, Coutinho, Carlesso, Chirol, Ismael Kurtz e companhia.

Essa turma permitiu que nosso futebol arte ganhasse força e velocidade sem perder a qualidade. E, vinte anos depois, mesclar a força de Dunga, Mauro Silva e Mazinho com a arte e leveza mais à frente de Romário e Bebeto.

Se eu fechava o meio e cobria o Marco Antônio, em 74, Parreira escalou o Zinho para fazer o mesmo papel em 94. Coerência, inteligência e nobreza. Fora de campo, foi o único treinador que deu a cada jogador um livro de presente.

O que falar mais sobre um homem desta grandeza?

Que tenha uma breve recuperação. Força, meu treinador!

José Roberto Padilha é jornalista e foi jogador profissional de futebol do Fluminense e Flamengo.