A ditadura que sobreviveu com cúmplices
A ditadura venezuelana não nasceu sozinha, nem se manteve apenas pela força interna. Ela foi construída, financiada e legitimada com a ajuda de cúmplices políticos internacionais. Um dos principais instrumentos dessa articulação foi o Foro de São Paulo, instância criada por Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente do Brasil, e por Fidel Castro, ditador de Cuba, que posteriormente incorporou Hugo Chávez ao seu projeto político continental. Entre esses cúmplices, Lula e o Partido dos Trabalhadores ocupam um papel central. Sem o apoio explícito, contínuo e estratégico do PT, Chávez jamais teria consolidado o projeto autoritário que destruiu a Venezuela — e Nicolás Maduro não estaria no poder até hoje.
Desde o início, Chávez deixou claro que não pretendia fortalecer a democracia, mas capturar o Estado. A PDVSA foi transformada em instrumento político, bilhões de dólares desapareceram em esquemas de corrupção, e o regime passou a se sustentar por meio da repressão, da censura e de alianças com o narcotráfico e o crime organizado. Nada disso foi segredo. Ainda assim, Lula escolheu apoiar, elogiar e blindar o chavismo no cenário internacional.
Em nome de uma falsa narrativa ideológica, o PT ajudou a normalizar uma ditadura. Defendeu eleições fraudulentas, relativizou perseguições políticas e fechou os olhos para prisões arbitrárias, exílios forçados e a destruição completa das instituições venezuelanas. Isso não é neutralidade. É cumplicidade histórica.
O resultado dessa escolha política atravessou fronteiras e hoje bate à nossa porta. O Ceará abriga o maior contingente de estrangeiros venezuelanos do Estado, segundo o Censo 2022 do IBGE. São famílias inteiras vivendo da improvisação, da caridade e da sobrevivência. Entre elas, indígenas Warao, expulsos de sua terra, vivendo em condições sub-humanas em Fortaleza. Essa não é uma crise migratória comum. É o rastro de uma ditadura sustentada politicamente.
Não se trata de petróleo, nem de soberania nacional. Trata-se de corrupção, poder criminoso e destruição social. Ditadura não gera justiça social. Ditadura gera miséria, fuga em massa e sofrimento humano.
A história cobrará os responsáveis. E também cobrará aqueles que, podendo denunciar, escolheram apoiar. A Venezuela é o retrato do que acontece quando ideologia vale mais do que democracia.