A decadência da Civilização Ocidental

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O “Diccionario da Língua Portugueza”, de Antonio de Moraes Silva, (Lisboa 1877), já definia decadência como “o começo da ruina, de destruição, o estado de uma cousa que caminha para a sua ruina”.

As sociedades ocidentais, paradigmas para o planeta, estão esquecendo que o ânimo da caminhada histórica, rumo a um futuro mais justo para a humanidade, foram os valores morais. Sem união, em torno da crença em algo que transcende às pessoas, tudo o que se construiu como alicerces das sociedades começam a desmoronar: a família, os sistemas educacionais e jurídicos, a democracia, a liberdade, o cumprimento de leis justas, a solidariedade e o respeito ao meio ambiente.

Prevalece, na organização e no funcionamento das sociedades, o individualismo e a ganância pela riqueza, pelo poder político e econômico.

A decadência do cotidiano das populações acelera-se com a vulgarização e a violência comportamental, com o individualismo, com o deboche dos valores morais do passado que permitiram a atual modernidade política, estética, científica e tecnológica. A ausência de um pensamento crítico, por falta de referências educacionais e morais, impede a renovação política que permitiria a construção da vida coletiva em patamares crescentes de democracia, justiça e paz.

A humanidade corre o risco de não sobreviver ao caos que ela mesma construiu. O emprego, (cada vez mais ameaçado pelo vertiginoso desenvolvimento da informática e da “inteligência artificial”), a injusta distribuição da renda gerada, a recuperação do meio ambiente e a erradicação da miséria, só prosperarão num ambiente social e político radicalmente solidário. Isto não é uma proposição ingênua: é a realidade sempre deixada de lado, nas análises que oferecem ao povo, sempre enganado. Um difícil trabalho de reconstrução, das novas regras de convivência, nos aguarda.

É preciso recuperar a crença nos valores morais, sem os quais muito pouco poderá ser feito para a promoção do bem comum. Com a palavra os sistemas educacionais, os intelectuais, as Igrejas Cristãs Históricas e os partidos políticos decentes.

Eurico de Andrade Neves Borba, 82 anos, ex professor da PUC RIO, ex Presidente do IBGE, mora em Ana Rech, Caxias do Sul, eanbrs@uol.com.br

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