71 anos do suicídio de Vargas: vida, morte e legado.
Presidente, senador, governador, ministro e deputado, esses foram apenas alguns dos cargos exercidos por Getúlio Dornelles Vargas, talvez o político mais influente da história nacional. Ele começou sua carreira se envolvendo na política regional do Rio Grande do Sul, seu estado natal, que se encontrava dividido entre duas grandes facções, os maragatos e chimangos, que opunham e apoiavam o governo regional, respectivamente.
Foi eleito, de forma fraudulenta (como todas as eleições nacionais e regionais de sua época), para o cargo de deputado estadual, pouco tempo depois sendo elevado para servir no Congresso Nacional, onde foi indicado ao cargo de Ministro da Fazenda, ironicamente por Washington Luís, então Presidente que seria deposto por Vargas.
Em 1930 liderou uma revolução (ou golpe), e pouco tempo depois assumiu a liderança do país, da qual não sairia até 1945. Nesse meio tempo fez um pouco de tudo, acabou com a Revolução Constitucionalista de 1932, que fora a resposta da elite paulista a sua perda de poder político, criou uma constituição democrática, criou a justiça eleitoral e concedeu o voto às mulheres, enfrentou uma intentona dos comunistas de 1935, deu um auto golpe em 1937, acabou com uma revolta dos fascistas em 1938, criou os direitos trabalhistas para os proletários urbanos, industrializou o Brasil e entrou na Segunda Guerra Mundial, sendo chamado pelo Presidente americano da época de “Dictator for democracy!” ou, ditador pela democracia.
Como pode-se ver, sua vida política foi cheia, mas não estava satisfeito! Virou senador ainda em 1946, fundando o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), legenda pela qual voltaria ao poder em 1951, desta vez como presidente eleito. Seu mandato foi cheio, criou a Petrobras e enfrentou ampla oposição por parte da União Democrática Nacional (UDN), um partido de cunho “liberal”, ou quão liberal um partido de sua época poderia ser, e teve como seu grande rival Carlos Lacerda, apelidado de “O Corvo”, que possuía ampla presença midiática.
Em 1954, houve uma tentativa de assassinato contra Lacerda, planejada por pessoas próximas a Vargas, isso levou a uma crise de gabinete e governo, onde membros das forças armadas e da vida política civil queriam depor o Presidente ou até mesmo organizar um Golpe de Estado. “Somente morto sairei do Catete!” dizia Getúlio, e assim foi feito, suicidou-se durante a madrugada, após uma reunião com seus ministros, onde a maioria pediu para que o mesmo saísse do poder.
Dizem que está foi sua última cartada política, deixar a vida para entrar na história e comprar mais 10 anos para a jovem democracia brasileira, outros dizem que foi um ato desesperado de um déspota, que já possuía tendências suicídas. A verdade, bem, isso depende somente de sua visão histórica-política.
Apesar de sua morte, seu legado político é vasto, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Leonel Brizola, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Oswaldo Aranha, Adhemar de Barros, Gilberto Mestrinho, Miguel Arraes, entre uma dezena de outras figuras políticas nacionais ou regionais devem sua carreira, direta ou indiretamente ao “Velhinho” (forma pela qual fora chamado Vargas durante a campanha presidencial de 1950), com diversas outras figuras políticas modernas tendo suas origens em ideologias, partidos e padrinhos que surgiram em apoio ou oposição a Getúlio, mostrando que, ações no presente podem reverberar por anos, mesmo que não sejam nossa intenção.
Arthur Toniza é bacharel em Direito