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Mercado teme coronavírus

Dólar opera em alta e chega a bater R$ 4,26 pela primeira vez

Com investidores temerosos em relação aos efeitos do coronavírus na economia chinesa, moeda norte-americana avançou 1% nesta quinta-feira

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China e Estados Unidos acentuam tensão.

O dólar fechou em alta de 1% nesta quinta-feira (30) e atingiu um novo recorde nominal nesta quinta-feira (30), a R$ 4,26.  A cotação da moeda superou o recorde de novembro de 2019, de R$ 4,258. Durante o pregão desta quinta, o dólar chegou a ultrapassar os R$ 4,27.

A Bolsa de Valores brasileira opera em queda de 1,3%, a 113.881 pontos por volta das 17h. O patamar é o menor desde 17 de dezembro. Em 2020, o índice acumula queda de 2%.

O mercado financeiro está abalado com o temor ao novo tipo de coronavírus.

A moeda americana ainda está longe de sua máxima de 2002, em termos reais (corrigidos pela inflação). Se for considerado apenas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50.

Dentre as principais moedas do mundo, o real é a terceira que mais se desvalorizou na sessão, atrás do rand sul-africano e do dólar de Taiwan. No ano, o real é a segunda moeda que mais perde valor em relação ao dólar, atrás apenas da divisa da África do Sul.

Para especialistas, a alta do dólar é fruto da retirada de recursos estrangeiros do Brasil, o que aumenta a procura e a saída da moeda do país, elevando sua cotação.

“Não tem como ser diferente, há um risco global e a nossa moeda reflete isso. A China desacelerando afeta o Brasil, assim como demais países exportadores de matéria-prima. Com o risco, o investidor sai de mercado emergente, o que provoca pressão no câmbio”, diz Cristiane Quartaroli economista Ourinvest.

“Com o susto do coronavírus, o mercado vende o que é mais arriscado e vai para o que é mais seguro. Nisso, o estrangeiro tira recurso do Brasil e o coloca em títulos americanos”, afirma Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos.

Investidores temem os efeitos do coronavírus sobre a economia global. Segundo oficiais chineses, a paralisação do país com o surto da doença deve o reduzir crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 em cerca de 5%.

O mercado acredita que o impacto financeiro deva ser semelhante ao surto de Sars (síndrome respiratória aguda grave) entre 2002 e 2003. Também causada por um coronavírus, a doença matou 774 pessoas, entre 8.098 infectadas.

Segundo o JP Morgan, na época, o maior impacto foi no setor aéreo, turismo e consumo doméstico asiático. (Com informações da Folhapress)