Ram Rampage Rebel 2.2, motor diesel com consumo de híbrido

Testamos a opção da picape intermediária premium com o novíssimo propulsor, que entrega potência e economia de combustível

A indústria, como um todo e a automotiva em específico, volta e meia apresenta umas particularidades interessantes. Às vezes, uma marca pode ser pioneira em um determinado segmento, mas não necessariamente é ela que revoluciona o setor, pode surgir outra e dominar a área, tornando-se mais importante.

No universo automotivo, um bom exemplo desta particularidade é o segmento de picapes intermediárias. No Brasil, a Renault foi a primeira marca a apresentar um modelo do tipo, criando a categoria, com a Oroch (no lançamento, realizado há quase 10 anos, ela tinha o pré-nome Duster, de onde é baseada). Mas no ano seguinte, em 2016, surgiu a Fiat Toro, a que realmente revolucionou o jeito de fazer caminhonetes abaixo das médias.

Apesar de não ter sido a primeira intermediária, a picape da marca italiana “tomou de assalto” a categoria para si. O principal motivo foi a gama de opções que a Fiat lançou de uma só vez, com versões flex, manual, automática, 4×2, 4×4 e diesel. E é aqui que começa nossa história. O propulsor 2.0 turbodiesel foi utilizado por diversos outros modelos do grupo, na época, a FCA, com Fiat e Jeep. Até chegar, já como Stellantis, na Ram.

Em 2023, foi a vez da marca de picapes ganhar uma intermediária para chamar de sua com a Rampage. Assim como a prima, o motor diesel também equipou a americana, mas nela, ele ficou um pouco aquém, principalmente por conta da potência não tão alta, de 170 cavalos. Essa questão foi rapidamente resolvida no fim do ano passado, com o 2.2 TD assumindo o lugar do 2.0, como vemos na versão Rebel, o nosso “Teste da Vez”.

Precificação

A Rampage é a mais completa, logo, mais cara da categoria.

A Rebel é a segunda opção de entrada da Rampage, acima apenas da Big Horn. Um fator curioso é que, com o novo motor diesel, ela custa o mesmo da variação a gasolina, salgados R$ 270.990. Sobre as rivais, tecnicamente, todos os outros quatro modelos são rivais da americana, mas a única com características parecidas é a prima Toro.

As duas são as únicas a unir motorização diesel com tração 4×4 (no caso da Rampage, integral), mas a italiana custa bem menos, ela sai por R$ 224.990 na opção topo de linha. Outra parecida é a Ford Maverick (R$ 229.500), mas com motor à gasolina unido ao sistema 4×4. Já Chevrolet Montana (R$ 167.800) e Oroch (R$ 137.590) correm por fora.

Estilo próprio

A versão Rebel tem um estilo próprio, em relação aos outros modelos da marca.

A única novidade da Rampage é a troca de motor, até porque, a picape foi lançada a menos de dois anos. Dessa forma, o visual é o mesmo de quando ela surgiu, com a Rebel tendo um estilo diferenciado das demais versões, com pegada mais esportiva aventureira, como era visto na geração anterior da irmã maior, a 1500.

O principal diferencial dela em relação às outras versões é a grade frontal, que conta com um desenho próprio e, hoje, único dentro da marca, já que a 1500 não vem mais na opção Rebel. A peça é em preto fosco, o mesmo tom é visto nos para-choques dianteiro e traseiro, nas capas dos retrovisores, nas caixas de roda, saias laterais e molduras das janelas.

A grande tem estilo imponente, com pegada aventureira esportiva.

Os farois, full LED são afilados, de desenho bem marcado. Assim como nas demais versões, as lanternas têm a bandeira dos Estados Unidos formada pelos LEDs. Ao redor da carroceria, os nomes, tanto da marca, quanto do modelo e da versão, também são em preto. As rodas mesclam o tom escuro com diamantado e os pneus são AT de uso misto.

Por dentro, o acabamento é em preto, com colunas e teto escurecidos, assim como os assentos, forros das portas, painel, volante e apoio de braço central. Um detalhe legal é a cabeça de bode, símbolo da marca, em alto relevo no encosto de braço. Já o nome Ram está em baixo relevo no painel e nos bancos.

O interior é completamente escurecido.

Uma coisa que chama bastante a atenção no interior da Rampage, além das gigantes telas digitais, é a qualidade dos materiais empregados. Fugindo totalmente do clássico da categoria, o modelo produzido em Goiana (PE) conta com um uso abundante de couro e, mais importante, plástico macio ao toque, nas portas e no painel, típico de SUVs premium.

Enquanto o acabamento foge do estilo da categoria, o espaço interno é condizente com o segmento. Cinco adultos geram um aperto desnecessário, principalmente no banco traseiro. Para viagens mais confortáveis, o ideal são quatro. Além disso, quem for atrás, se for muito alto, tende a roçar a cabeça no teto. A caçamba, de 980 litros, leva até 1.015kg.

Bem equipada

Mesmo como uma das versões de entrada, a Rebel é muito bem equipada.

Os itens de série da Rebel 2.2 são exatamente os mesmos da versão à gasolina, que por sua vez, é quase idêntica ao da topo de linha. Com isso, ela faz bonito neste quesito. Super completa, o único opcional é o pacote “Elite”, que por R$ 6 mil agrega ajustes elétricos para o banco do passageiro, luz ambiente em LED e som premium Harman Kardon.

Dessa forma, na parte da segurança, a Rebel conta com sete airbags, controles de tração, estabilidade e de mitigação de rolagem da carroceria, farol alto automático, alertas de colisão frontal com frenagem autônoma de emergência e detecção de pedestres e ciclistas e de saída de faixa com correção e detecção de tráfego traseiro cruzado.

Ela conta com diversos auxiliares de condução, como piloto automático adaptativo.

Ela ainda conta com monitoramentos da pressão dos pneus e de ponto cego, piloto automático adaptativo com Stop&Go, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, de chuva e crepuscular, câmera de ré, retrovisor eletrocrômico, freio de estacionamento eletrônico com auto hold e auxiliares de partida e de descida em rampa.

De comodidade, ela vem com central multimídia de 12,3 polegadas com conexão sem fio e possibilidade de conectar até dois aparelhos, carregador por indução, wi-fi embarcado, seis portas USB, painel de instrumentos digital de 10,3 polegadas, ar-condicionado dual zone com saída para a traseira, chave sensorial com partida remota, tampa da caçamba amortecida e com abertura elétrica e capota marítima.

Forte e econômica

O novo, forte e econômico motor é a grande novidade para a picape.

O novíssimo motor 2.2 gera ótimos 200 cavalos e interessantes 45,9kgfm de torque. Como comparação, o anterior, o 2.0 TD, tinha 170 cavalos e 38,7kgfm, ou seja, um ganho e tanto nestas “200ml”. O torque atual, inclusive, é mais forte do que o poderoso propulsor Hurricane, o 2.0 turbo à gasolina, que tem 272 cavalos e 40,8kgfm.

No mais, o conjunto mecânico é o mesmo, com o consagrado câmbio automático de nove marchas, mas com um diferencial 14% mais longo, tração integral 4×4, suspensão independente nos dois eixos, freios a disco nas quatro rodas e direção elétrica. O mais interessante de toda essa força renovada, não é só a condução, mas o consumo também.

A direção é segura, confortável e dinâmica.

Claro que a direção dela é super otimizada, com ultrapassagens, retomadas e saídas em velocidades realizadas com segurança e sem esforço algum. E ela faz isso tudo com um consumo para lá de excelente, coisa de híbrido tradicional. Na cidade, ela marcou 15,4km/l, com picos de 22km/l em rodovias. Ao fim, com um uso extremo no off-road, ela ainda fechou com ótimos 12,2km/l.

Assim como a versão gasolina, a Rebel 2.2 tem uma dirigibilidade que beira a perfeição. Em momento algum ela passa a sensação de perda de controle, de sair de traseira ou de que a caçamba passará a dianteira, pelo contrário, mostra que o motorista está sempre no comando e, mesmo em curvas de alta, tem a picape na mão.

Fora de estrada

Como uma boa picape, ela também manda muito bem no fora de estrada.

A Rampage tem um uso no fora de estrada bem interessante. Neste ponto, mais uma vez, ela faz bonito. O sistema 4×4 integral é o mesmo que equipa as versões com motor gasolina, logo, funciona muito bem e ainda conta com opção de reduzida eletrônica, ativada por meio de um simples botão e sem a necessidade de colocar o câmbio em neutro.

O sistema trabalha tão bem, que é capaz de você esquecer que ele está em uso. Ao encarar uma via sem asfalto, basta seguir viagem, já que a tração integral continua atuando de forma primorosa, demandando a força para as rodas de acordo com a sensibilidade da via. Mesmo trilhas mais pesadas, com valas e cascalho solto, ela supera com facilidade.

O sistema de tração funciona muito bem no on ou no off-road.

Ao se deparar com algo mais desafiador, basta ativar a reduzida. Aí, alinhado à força do motor diesel, a Rampage se comporta como se estivesse em um passeio pelo parque, mesmo em um terreno repleto de desafios. Ainda tem um plus, o auxiliar de descida tem controle de velocidade, o que ajuda ainda mais na hora de superar os obstáculos.

Para otimizar ainda mais a vida fora de estrada, ela conta com bons ângulos. São 25,7º de ataque, 25,3º de saída e 23,9º de rampa, além de ter 264mm de altura livre do solo. Um ponto interessante é que, por não ser tão comprida como as médias, em momento algum ela arrasta ou passa a sensação que a parte inferior da caçamba baterá no chão, o que deixa a aventura off-road ainda mais divertida e segura.

A opinião do Diário Motor

Ram Rampage Rebel 2.2.

Visual, como sempre falamos, é questão de opinião pessoal. Para este que vos escreve, a Rebel tem o estilo mais interessante dentre as opções da Rampage, sóbrio e ao mesmo tempo elegante e com toque aventureiro. O novo motor deixa a picape super otimizada. O preço (R$ 270 mil), para variar, é o que pega, afinal ela é, de longe, a mais cara entre as intermediárias, mesmo sendo a mais interessante delas.

Com uma lista de equipamentos bem completa, alinhada ao novo, potente e econômico motor 2.2 TD – que permite uma direção segura e otimizada –, a tração integral 4×4 (capaz de superar os mais variados desafios off-road) e uma cabine confortável, a Rampage Rebel mostra ser uma boa opção até perante versões intermediárias das picapes médias. Vale a compra! Nota: 9.

Ficha Técnica

Motor: 2.2 turbo diesel
Potência máxima: 200cv
Torque máximo: 45,9kgfm
Direção: elétrica
Suspensão: independente nos dois eixos
Freios: a disco nas quatro rodas
Capacidade de carga: 1.015kg
Dimensões (A x L x C x EE): 1.771 x 1.886 x 5.028 x 2.994mm
Preço: R$ 270.990

1/75Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2, motor diesel com consumo de híbrido (fotos: Geison Guedes/DP).Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.Ram Rampage Rebel 2.2.

Sair da versão mobile