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Atacou após pergunta

Sindicato dos Jornalistas cobra retratação de Renan FIlho por ataque em coletiva

Governador ofendeu honra do jornalista Arnaldo Ferreira, em vez de responder perguntas

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Renan Filho atacou o jornalista Arnaldo Ferreira em coletiva sobre segurança pública. Foto: Márcio Ferreira/Agência Alagoas

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal) emitiu, na tarde desta terça-feira (6), uma nota contra o ataque feito pelo governador Renan Filho (MDB) contra a honra do jornalista Arnaldo Ferreira, diretor de Jornalismo das empresas de seu adversário político, o senador Fernando Collor (PROS-AL). A entidade cobra uma retratação pública pelas ofensas feitas durante uma entrevista coletiva na última segunda-feira (5), quando o governador acusou o entrevistador de usar “esporas na barriga e rédeas na cabeça”, ao ser perguntado sobre denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Agentes da Polícia Civil de Alagoas (Sindpol).

“Era dever do gestor responder com clareza e equilíbrio, prestando contas da sua gestão na área específica da segurança, com dados jornalísticos, e não com julgamentos do papel exercido pelo profissional, na empresa onde trabalha. Essa crítica não cabe ao governador, muito menos no meio de uma entrevista coletiva. As desavenças entre ele e o seu desafeto político (o dono da empresa) devem ser resolvidas entre si, sem envolver os profissionais de comunicação, que vão às ruas cumprir seu dever de informar”, diz um trecho da nota do sindicato.

O jornalista com 40 anos de Jornalismo afirmou ao Diário do Poder que as ofensas foram reforçadas em uma ligação telefônica recebida por Arnaldo Ferreira, após a entrevista. E a nota do Sindjornal manifesta solidariedade ao jornalista, ao cobrar a retratação “pelos ataques ofensivos e desnecessários dirigidos ao profissional no exercício de suas funções, durante entrevista coletiva em que o governo do Estado apresentou dados sobre o combate aos crimes de violência em Alagoas”.

“Na entrevista, ao invés de responder com objetividade à pergunta que lhe foi feita pelo jornalista, sobre problemas estruturais nas delegacias e o déficit de recursos humanos na Polícia Civil de Alagoas, o governador optou pelo ataque ao profissional, na clara intenção de atingir o dono da empresa de comunicação onde ele trabalha (o senador Fernando Collor), seu desafeto político”, diz um dos trechos da nota.

A nota reforça as críticas do governador à gestão das empresas de Collor, citando 40 demissões sem pagamentos de indenizações, e a greve recente que também atingiu outros veículos de comunicação, após a tentativa de redução de 40% do piso salarial da categoria. Mas afirma que Renan Filho “errou feio ao mudar o foco de sua ira, direcionando-a ao entrevistador”.

“[Arnaldo Ferreira] estava ali no exercício da função de repórter – dirigindo-se a ele com menções desrespeitosas contra a sua honra, acusando-o de estar sendo monitorado pelo dono da Gazeta com ‘esporas na barriga e rédeas na cabeça’. Tentar desqualificar um profissional com mais de 40 anos de experiência e uma trajetória de sucesso no jornalismo brasileiro é uma forma de intimidação. E esse tipo de comportamento é extremamente danoso ao jornalismo livre e independente que prega o próprio governador”, diz o Sindjornal, ao entender que o repórter foi respeitoso e fez perguntas pertinentes.

O Sindicato ressalta a história do jornalista atacado, inclusive de resistência em defesa da profissão, tendo aderido à greve recente, mesmo como diretor das empresas de Collor.

“O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, defensor, desde sempre, da liberdade de imprensa e da discussão ampla sobre o controle da informação como princípios da democracia, vai sempre se posicionar em defesa dos profissionais, em qualquer circunstância que configure tentativa de intimidação ou que crie embaraços ao exercício do bom jornalismo – livre de mordaças e de qualquer controle – seja dos donos da empresa ou de qualquer exercício de poder”, conclui a nota.

A assessoria de imprensa do governador Renan Filho não respondeu aos seguintes questionamentos enviados pelo Diário do Poder: “O governador se arrepende de ter atacado um profissional da imprensa para atingir seu adversário político, o Collor? O governador pode tranquilizá-lo de alguma forma? Comenta esse temor do jornalista pela sua segurança?”.

O Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Alagoas também publicou nota em apoio ao jornalista e pediu que a imprensa não se intimide com o ataque do governador.