Tereza Nelma

Secretária de Lula libera R$1,3 milhão para ONG de ex-assessora

Presidente da ONG também é assessora da filha da secretária

acessibilidade:
Secretária nacional de Pesca e Aquicultura do governo Lula (PT), Tereza Nelma. (Foto: Mario Agra/Câmara).

A ex-deputada federal Tereza Nelma (PSD), atual secretária nacional de Pesca e Aquicultura do governo Lula (PT), destinou R$ 1,3 milhão em emendas parlamentares para o Instituto Guerreiras Pela Vida, presidido por sua antiga assessora na Câmara, Emanuelle Gomes.

Emanuelle também trabalha no gabinete da vereadora de Maceió (AL) e filha mais nova de Tereza, Teca Nelma (PT).

Além da presidente do instituto, outras cinco pessoas que trabalharam no gabinete de Tereza Nelma também fazem parte do conselho de dirigentes do instituto.

A Organização Não Governamental (ONG), fundada em 2006 como Instituto Baobá, mudou seu nome para Guerreiras Pela Vida após as eleições de 2022, quando Tereza Nelma não se reelegeu como deputada.

Os repasses ao instituto foram destinados a projetos de artesanato, música e empreendedorismo voltados a mulheres em situação de vulnerabilidade social, jovens e à população LGBTQIA+.

A ONG já recebeu R$ 1,4 milhão dos Ministérios da Cultura, da Mulher e dos Direitos Humanos, em cinco convênios. Desse total, R$ 1,3 milhão são frutos de emendas de Nelma.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de São Paulo (Estadão).

Emanuelle Gomes afirmou ao Estadão que Tereza Nelma, a ex-chefe da presidente da ONG, é apenas uma “apoiadora” do trabalho do instituto.

“A Guerreiras Pela Vida não é dela. É uma instituição não governamental”, afirmou.

No total, sete dos 12 dirigentes atuais da ONG Guerreiras Pela Vida já trabalharam no gabinete de Tereza Nelma ou de sua filha.

Outras três pessoas foram funcionárias da Associação Pestolazzi de Maceió, entidade que foi presidida por Tereza Nelma por 10 anos, e também recebeu R$ 7,8 milhões em emendas parlamentares de Nelma.

Questionada, a ex-deputada afirmou que todas as suas emendas foram destinadas a dezenas de ONGs que atuam a inclusão e o combate a desigualdades, e que a presença de militantes sociais como assessores sempre foi uma constante durante os mandatos dela.

 “A ONG Guerreiras Pela Vida chegou, com seus projetos, através de mulheres que atuam nas lutas de inclusão, empoderamento feminino e apoio a grupos socialmente excluídos. As pautas trabalhadas com a sociedade sempre procurou trazer pessoas com vivência da base de forma a alcançar melhor os anseios desses públicos”, afirmou ao Estadão.