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Indústria da seca

Seca castiga 38 cidades de Alagoas, apesar do Canal do Sertão de R$ 2,5 bilhões

Quase três décadas depois, obra hídrica não socorre 900 mil sertanejos alagoanos

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Canal do Sertão Alagoano. Foto: Ascom Semarh/Arquivo

Assim como acontece a cada estiagem ao longo da história política do estado de Alagoas, o governador Renan Filho (MDB) voltou a decretar situação de emergência em 38 municípios alagoanos, por causa da seca que volta a atingir a mesma região onde já foram investidos mais de R$ 2,5 bilhões em recursos federais na maior obra de infraestrutura hídrica de Alagoas, iniciada há 27 anos. O decreto foi publicado na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) desta quarta-feira (17) e é válido por 180 dias.

A medida que alimenta a indústria da seca, com a contratação de carros-pipa e liberação de recursos da União para serem administrados pela classe política, foi tomada pouco mais de dois meses depois de técnicos, trabalhadores e produtores rurais se reunirem em audiência pública na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) e exigir das autoridades estaduais a garantia de funcionalidade imediata das águas canalizadas pela obra subutilizada, que mantém água acumulada no rio artificial que serpenteia o solo esturricado de Alagoas.

Transformar o Sertão e o Agreste do Estado em polos de produção de hortifrutigranjeiros para o Nordeste é a promessa do projeto de canalizar por 250 quilômetros as águas do Lago Moxotó, formado pelo represamento do Rio São Francisco, de Delmiro Gouveia (AL) até Arapiraca (AL). Mas os sertanejos denunciaram a subutilização das águas, mesmo com mais de 75% de avanço físico, concluída até o quilômetro 113.

Por meio da assessoria da Secretária de Estado da Infraestrutura, o Diário do Poder questionou ao Governo de Alagoas, como se justifica que ainda haja necessidade de decretar emergência em parte dos municípios que poderiam estar sendo beneficiados pelo Canal do Sertão. E não obteve respostas até a publicação desta matéria.

O governador decretou emergência nos seguintes municípios alagoanos: Água Branca, Arapiraca, Batalha, Belo Monte, Cacimbinhas, Canapi, Carneiros, Coité do Nóia, Craíbas, Delmiro Gouveia, Dois Riachos, Estrela de Alagoas, Girau do Ponciano, Igaci, Inhapi, Jacaré dos Homens, Jaramataia, Lagoa da Canoa, Major Izidoro, Maravilha, Mata Grande, Minador do Negrão, Monteirópolis, Olho d’Água das Flores, Olho d’Água do Casado, Olivença, Ouro Branco, Palestina, Palmeira dos Índios, Pão de Açúcar, Pariconha, Piranhas, Poço das Trincheiras, Quebrangulo, Santana do Ipanema, São José da Tapera, Senador Rui Palmeira e Traipu.

Leia aqui o decreto publicado no Diário Oficial desta quarta (17).