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Ações insuficientes

Renan Filho e Bolsonaro são acusados de omissão em desastre com óleo em Alagoas

Deputados criticaram falta de empenho do governador e do presidente Bolsonaro

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Uma audiência pública realizada ontem (21), na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas (ALE), para discutir os impactos e ações para conter a presença de petróleo cru no litoral nordestino expôs críticas de que o governador Renan Filho (MDB) segue omisso, por não decretar emergência no estado, e por passar 39 dias sem visitar as áreas atingidas no litoral alagoano. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) também foi criticado pela ação insuficiente contra o problema.

Coube ao deputado estadual Davi Maia (DEM) as críticas mais duras a Renan Filho (MDB), acusado o governador de ser omisso ao não levar em conta a gravidade do problema para o meio ambiente, os pescadores e toda a cadeia do turismo.

A poluição atingiu 30 pontos em Alagoas, de Barra Grande, em Maragogi (AL), à Foz do Rio São Francisco, em Piaçabuçu (AL). Até a última sexta (19), as manchas de óleo atingiam quase 200 praias, em 79 municípios.

“Estamos em situação de emergência ambiental, como determina à Lei. Isso não pode ser negado. Houve uma demora grande do governador Renan Filho (MDB), que levou 39 dias até ir a um dos locais, e do próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL) que viajou para o Japão e não veio pisar nas areias do nordeste”, denunciou Davi Maia.

O parlamentar que preside a comissão de Meio Ambiente foi o autor da convocação da audiência pública, na qual culpou a insensibilidade de Renan Filho pelo abandono de centenas de pescadores, trabalhadores do turismo e prefeitos.

Maia defendeu a decretação do Estado de Emergência como decisiva para o envio de recursos do Governo Federal, por meio do Fundo de Emergência.

O parlamentar citou como exemplo o fato de que os cofres do município de Japaratinga (AL) arcou com R$ 62 mil em gastos com caçambas, retroescavadeiras, óleo diesel e alimentação de voluntários, somente no último fim de semana.

“Isso compromete os cofres públicos de um município que já tem baixa arrecadação”, disse Davi Maia, diante do silêncio dos deputados governistas.

Manchas de petróleo junto às Falésias do Gunga, após a Lagoa de Roteiro, próximo à Barra de São Miguel, em Alagoas. Foto: Instituto Biota

Bolsonaro cobrado

Um maior envolvimento do governo de Jair Bolsonaro para solucionar o problemas foi cobrado pelos deputados Inácio Loiola (PDT), Francisco Tenório (PMN), Dudu Ronalsa (PSDB), Davi Davino Filho (PP), Marcelo Beltrão (MDB) e as deputadas Flávia Cavalcante (PRTB), Jó Pereira (MDB), Fátima Canuto (PRTB) e Ângela Garrote (PP).

“Isso que estamos vivenciando é no litoral, no mar. É competência do Governo Federal. Temos que alertar, mostrar que a responsabilidade é do Governo Federal. Isso é competência dele, que está no Japão, não dando o mínimo valor ao maior crime ambiental do litoral do Nordeste”, declarou Loiola.

O deputado Francisco Tenório (PMN), sugeriu uma suposta reação de Bolsonaro contra governadores nordestinos que não apoiam seu governo. “De onde ele estiver, pode dar atenção, assim como o fez no caso das queimadas da Região Norte. Será porque é o Nordeste de nove governadores que não o apoiam na sua ação política? Será que é por isso que está dizendo assim: deixem que esses paraíbas se virem?”, questionou Tenório.

Os deputados Sílvio Camelo (PV), Cabo Bebeto (PSL) defenderam as ações do governo Bolsonaro, por meio de órgãos federais como a Marinha e do Ibama.

E a deputada Jó Pereira considerou notório o esforço destes órgãos para equacionar a situação, mas conclui que é preciso avançar. “E esse avanço está acima da vontade dos servidores públicos federais envolvidos no processo. É o esforço político de mostrar a importância de salvar o litoral nordestino. Esse é o clamor desta Casa”, completou.

Presente à audiência, o senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL) parabenizou a ALE pela iniciativa de debater o tema, reunindo especialistas. “Não estamos falando apenas do meio ambiente, que já é um problema seríssimo, estamos falando da economia, do desemprego, do nosso principal cartão postal”, disse Cunha, ressaltando que tem cobrado no Congresso Nacional que as políticas públicas e os órgãos de fiscalização do Governo Federal realmente funcionem.

O debate que contou com a presença de especialistas, como o biólogo e professor Dr. da Ufal, Robson Guimarães, o Secretário de Meio Ambiente, Fernando Pereira e um representante do Green Peace, Marcelo Lima. (Com informações da Gazetaweb e da Ascom da ALE)

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