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Emboscadas frustradas

Prefeito alagoano confirma viver sob risco de ser morto por pistoleiros

Polícia Civil apura trama com emboscadas frustradas contra prefeito de Palmeira dos Índios

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Prefeito de Palmeira dos Índios Julio Cezar. Foto: Divulgação Facebook

Eleito em 2016 para seu primeiro mandato derrotando forças políticas de projeção estadual e nacional, o jornalista e prefeito de Palmeira dos Índios (AL), Júlio Cezar (PSB), confirmou nesta segunda-feira (29) que tem sofrido ameaças e que mais de um atentado já teria sido abortado. Além do chefe do Executivo do município do Agreste alagoano, outro prefeito alagoano que correu risco de morrer foi Edimar Barbosa (MDB) do município sertanejo de Ouro Branco (AL), cujo carro foi atingido por tiros na noite de 11 de julho.

A Polícia Civil de Alagoas confirmou que trabalha de forma sigilosa nos dois casos tratados em reportagem de capa da edição da Gazeta de Alagoas do último fim de semana. E ao afirmar não ter provas de ligações políticas envolvendo os episódios, diz que atua “sem alarde e com a prudência que cogitações, nesse tipo de situação, requerem”, para não expor desnecessariamente, nem alardear especulações, com o objetivo de resguardar a integridade física e psicológica das pessoas citadas, antes de uma eventual comprovação.

Entretanto, o prefeito Julio Cezar confirmou em nota publicada nas redes sociais que está, sim, com sua vida em risco. Mas ressaltou que nunca afirmou que tais ameaças sofridas têm conotação política, ao lembrar, sem citar nomes, que foi vítima de crime cibernético de cunho pessoal, que resultou no indiciamento de uma ex-namorada apontada pela Polícia Civil de Alagoas como responsável pela divulgação de uma cena de nudez do político, através de uma foto aparentemente sua, despido em frente a um espelho.

“Tenho sofrido ameaças e mais de um atentado já foi abortado. Isso fez com que fosse necessário aumentar a minha segurança pessoal, pois não se pode brincar com isso. Confirmo o teor da reportagem, mas ressalto que em nenhum momento afirmei que as ameaças que estou sofrendo têm conotação política. Em vez disso, deixei claro que já fui vítima de um crime por questões de cunho estritamente pessoal. Quanto às atuais ameaças, quem dirá a origem e motivação é a Polícia Civil de Alagoas e o Ministério Público, que já tratam do assunto. Um trabalho sério e que deve ser respeitado”, diz um trecho da nota publicada pelo prefeito Júlio Cezar, que é filho de uma verdureira da zona rural.

Apesar do não dar direcionamento político às suspeitas sobre a origem das ameaças, o prefeito de Palmeira dos Índios afirma ser curiosa a reação de políticos que afirma serem conhecidamente ligados a crimes de mando na região, que teriam tentado desqualificar as ameaças que afirma ter sofrido.

“Não vistam a carapuça, pois não a ofereci! Deixem que as forças de segurança do Estado, nas quais confio, possam esclarecer esta lamentável situação. […]Entrei na vida pública sabendo dos riscos que também poderiam correr quando enfrentasse as oligarquias da região. E, como um trabalhador que sempre fui e sou, trabalharei diuturnamente na missão que me foi dada pelo povo de Palmeira dos Índios”, escreveu o prefeito, na nota em que agradece pelo apoio de amigos e deixa claro que nada o fará parar o trabalho pela população.

O secretário de Segurança Pública de Alagoas, coronel Lima Júnior, e o delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, afirmaram por meio das suas assessorias que têm acompanhado os casos e dado todo o apoio necessário para o esclarecimento dos fatos.

Trama de morte investigada

A investigação do caso envolvendo o prefeito Júlio Cezar está sob a responsabilidade do delegado Cayo Rodrigues, da Seção Especial de Roubo a Banco (SERB), que confirma a existência de investigação sobre um suposto plano de assassinato do prefeito de Palmeira dos Índios.

“Ciente de sua função social, não só de repressão, como também de prevenção à prática de crimes, a Polícia Civil, mesmo diante da lacuna do ordenamento jurídico, que não prevê sanção penal para a conspiração para a prática de homicídio, imediatamente iniciou diligências no sentido de confirmar ou não a existência do aludido plano, assim como passou a acompanhar os envolvidos”, disse Cayo Rodrigues, através da assessoria de imprensa da PC de Alagoas.

O delegado não dá detalhes sobre a investigação, para evitar uma exposição indevida e precipitada de pessoas e garantir o sigilo necessário da apuração ainda. Mas afirma que não houve uma tentativa de homicídio consumada, ao relatar que as investigações fizeram com que a Polícia Civil realizasse, até o momento, diligências e vários levantamentos nas cidades de Arapiraca e Palmeira dos Índios, em Alagoas, e no município de Bom Conselho, no interior de Pernambuco.

Carro de prefeito Edimar Barbosa foi atingido por tiros, em Ouro Branco (AL). Fotos: Divulgação

Sem prova de atentado em Ouro Branco

A Polícia Civil (PC) apura a ocorrência de tiros contra o carro do prefeito de Ouro Branco, que aconteceu em uma área da zona rural com pouca iluminação, a principio sem testemunhas. O levantamento de provas para esclarecer o episódio está sendo conduzido pelo delegado Hugo Leonardo, da Delegacia Regional de Santana do Ipanema (AL). Ele disse que além do prefeito Edimar, várias pessoas foram ouvidas pela Polícia Civil.

Segundo o delegado, nenhuma linha de investigação é descartada e pode ter sido uma tentativa de assalto. Ele indica que os dados levantados apontam para uma tentativa de roubo e, “por coincidência”, o prefeito era a vítima. “Já foram ouvidas varias pessoas e não há nenhum elemento de prova que indique atentado contra o prefeito, ou que tratou-se de um crime de conotação política. No entanto, as investigações continuam, pois qualquer cidadão que tentar infringir as leis atentando contra qualquer pessoa, seja autoridade pública ou não, será punido no rigor da lei”, esclareceu o delegado Hugo Leonardo.

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