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Greve ilegal

Policiais desobedecem a Justiça e governo apela ao bom senso

Ignoram ordem judicial de voltar ao trabalho e sair do porto

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Policiais civis em greve não apenas ignoraram solenemente a determinação do Tribunal de Justiça de Alagoas para que retornem ao trabalho, como não permitiram qualquer avanço nas negociações mediadas pelo próprio presidente do TJ-AL, desembargador Washington Luiz Damasceno de Freitas. A negociação frustrada foi realizada por representantes do governo estadual e do Sinpol, o sindicato dos policiais.

Os grevistas exigem o cumprimento dos 23 itens da pauta de reivindicações, incluindo piso salarial de 60% da remuneração dos delegados, revisão do plano de cargos, carreiras, pagamento retroativo das progressões e até insalubridade. O governo estadual estima que as exigências representariam um reajuste salarial de 172,68%.

Segundo a assessoria de imprensa do TJ, o Sinpol vai examinar a proposta do governo, nesta sexta-feira (29), às 11h, em reunião com agentes e escrivães. Eles discutem se irão deixar o Porto de Maceió, que invadiram terça-feira (26). A Justiça já determinou a imediata reintegração de posse do imóvel, por considerar a invasão ilegal. Uma nova reunião de negociação foi marcada para as 17h desta sexta.

Em nota, o governo de Alagoas reafirma o compromisso de “manter aberto o diálogo”, baseado sobretudo na transparência, expondo em detalhes as contas do Estado e a realidade financeira de Alagoas. 

“Os representantes da categoria sabem que a proposta apresentada pelo Sindicato dos Policiais Civis, que representa um reajuste salarial de 172,68%, é impraticável, sobretudo em uma situação de crise aguda que afeta toda a economia. O Estado não tem como suportar o impacto que esse percentual provocaria”, diz a nota. 

O governo considerou “extrema” a atitude do Sindpol, de manter a ocupação do Porto de Maceió, descumprindo a ordem judicial de desocupação. Segundo a nota, isso “não contribui para a solução do impasse, traz sérios prejuízos à atividade econômica em Alagoas e constitui grave desobediência à Justiça. É uma forma de pressão que não pode ser aceita. “

“O governo do Estado confia no senso de responsabilidade dos policiais civis e de suas lideranças sindicais. Por isso, espera que as negociações voltem a se dar em clima de normalidade, de forma madura, civilizada e com respeito à ordem pública. Este é um direito da sociedade alagoana, que aprova os avanços conquistados na Segurança Pública, e que o Governo, dentro das suas responsabilidades, haverá de garantir”, conclui a nota.