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Reinado em Alagoas

Pelé apoia proposta de rebatizar como Rainha Marta o único estádio a homenageá-lo

Deputado Antonio Albuquerque propôs que estádio Rei Pelé seja rebatizado como Rainha Marta

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Criticado pelas condições de conservação do gramado em sua estreia no Brasileirão pelo técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, o Rei Pelé, em Maceió (AL), é único estádio utilizado para futebol profissional no Brasil com homenagem a Pelé. O estádio pode mudar de nome para homenagear a jogadora Marta, eleita pela Fifa seis vezes a melhor jogadora do planeta, nascida no município de Dois Riachos, no Sertão de Alagoas. E Pelé surpreendeu o polêmico debate iniciado há 11 anos, ao declarar seu apoio à mudança.

Está na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Alagoas um projeto que retira a homenagem ao ex-jogador da seleção brasileira no maior estádio de Maceió (AL). A ideia do deputado estadual Antonio Albuquerque (PTB) é que o Rei Pelé seja rebatizado como Rainha Marta, em homenagem à jogadora da Seleção Brasileira.

Dirigentes do futebol local não são entusiastas da ideia e o governador Renan Filho (MDB) não se manifestou. Alguns deles afirmaram à reportagem que Pelé é contrário à mudança e não ficou contente com a ideia. Porém, consultado pela reportagem, o ex-jogador disse apoiar a mudança de nome.

“A Marta é o Pelé de saias. Acho muito justa a homenagem. É uma pena que não poderei fazer uma tabelinha com ela na reinauguração”, brincou ele, em declaração enviada por meio de sua assessoria.

O estádio também conhecido como Trapichão foi inaugurado quatro meses após a conquista da seleção brasileira do Mundial no México, em outubro de 1970. Mas a construção havia sido iniciada dois anos antes. Pelé participou da primeira partida no campo, entre o Santos e um combinado de atletas de times alagoanos.

Em 2010, depois de 40 anos, o craque também participou da reinauguração do estádio após reforma.

Em 2010, Pelé foi reinaugurar o estádio que leva seu nome, com o ex-prefeito de Maceió, Cícero Almeida, e o ex-governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho. Foto: Marcelo Albuquerque

Frequentadora 

Marta nasceu em Dois Riachos, cidade a 191 km da capital, onde ainda mora sua família. Ela esteve no estádio na estreia do CSA no Campeonato Brasileiro no último dia 1º, contra o Palmeiras. Antes da partida, a jogadora da seleção deu uma volta ao redor do gramado e posou para fotos com torcedores.

No ano passado, ela já havia comparecido em partidas da equipe na Série B. Uma delas em Caxias do Sul, contra o Juventude, sacramentou o acesso do time para a elite do país.

Ela já disse em entrevistas que quando está fora do país procura também pela internet por transmissões do CSA.

“A escolha de Pelé para o nome do estádio foi por causa do êxtase no país após a conquista da Copa de 1970. Mas não havia nenhum laço entre o homenageado e o estado. São fatos que devem ser analisados”, afirma Antonio Albuquerque, autor do projeto.

Marta nunca atuou profissionalmente no Rei Pelé, apesar de partidas amistosas pela Seleção Brasileira. Ela também nunca defendeu uma equipe do estado natal. Seu primeiro time foi o Vasco, no Rio.

Rainha Marta com o ex-governador Teotonio Vilela Filho na inauguração do Memorial Rainha Marta. Foto: Neno Canuto/Agência Alagoas

Veto por ‘deselegância’

Não é a primeira vez que existe a tentativa de rebatizar o local para Rainha Marta. Em 2008 já havia sido apresentado projeto idêntico ao de Albuquerque. Foi feito na época pelo deputado Temóteo Correa (DEM) e aprovado na Assembleia Legislativa por 15 votos a 6. Mas o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) vetou, sob a alegação que seria uma descortesia com Pelé alterar o nome do estádio.

“Vejo como algo deselegante com o maior atleta da história”, disse Vilela Filho, que construiu um memorial à atleta dentro do estádio, para compensar sua posição contra a mudança.

Se desta vez a mudança emplacar, Marta será a primeira jogadora de futebol do país homenageada com um nome de estádio.

“Tem um longo caminho para isso [o projeto de lei] percorrer, mas não acredito que vai dar certo [a mudança de nome]. É uma história antiga isso e o pessoal fala muito”, descarta Rafael Tenório, presidente do CSA, que manda seus jogos do Campeonato Brasileiro no campo e é suplente do senador Renan Calheiros (MDB-AL), pai do governador Renan Filho.

O estádio da capital alagoana é o único utilizado profissionalmente no país a homenagear Pelé. Parte disso é por causa de uma lei ignorada pelo governo do estado ao manter o nome do local e que pode ser lembrada em caso de alteração para Rainha Marta.

A lei federal 6.454, promulgada em 1977, proíbe a utilização de nomes de pessoas vivas para batizar qualquer bem público. Na época, o estádio alagoano já existia como Rei de Pelé e vai continuar assim, a não ser que o governo estadual decida mesmo por homenagear Marta. (Folhapress)

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