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Os Sessenta de Brasília

Paulo Octávio se inspira em JK para construir sonhos em Brasília

Ele fez mais de 700 empreendimentos na cidade que considera a mais corajosa epopeia do século XX

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Paulo Octavio, empresário com passagens marcantes na política, um admirador de Juscelino Kubitschek, o fundador de Brasília - Foto: Dênio Simões.

“Sem dúvidas candango, mas sem perder a mineirice”, responde o empresário e ex-governador Paulo Octávio Alves Pereira. Nascido em Lavras, viu o pai partir em 1961 para morar na recém-inaugurada capital da República. Em julho de 1962, trouxe a família toda.

“O pioneirismo eu peguei do meu pai, que também tinha um grande apreço pelo JK”, comenta o fundador de incontáveis empreendimentos imobiliários em Brasília. Cresceu junto à nova cidade dez anos mais moça que ele próprio e gozou de uma juventude que lhe traz recordações até hoje.

Com Anna Christina Kubitschek Pereira, sua mulher.

Criado nas superquadras, especialmente na 106 sul, driblava a falta de opções de lazer no Plano Piloto com a presença dos amigos. “Tinha uma convivência intensa porque não tinha muitas atrações. Nossas saídas se resumiam às quadras, aos clubes nos fins de semana, e às festas no Iate Clube”.

Desta época, guarda mais que memórias. “As amizades da juventude são eternas, tenho muitos amigos dessa época”, afirma. A vida social não afligia o desejo de contar com recursos próprios. “Eu comecei a trabalhar muito cedo. Intercalava as aulas com as vendas de ações, seguros dos 15 aos 20 anos de idade”, recorda.

Perguntado sobre quando percebeu seu talento para os negócios, é direto: “sempre o vi”. Após cursar dois anos de economia, voltou-se para o Direito. Em 1975, construiu o que viria a marcar seu no me na história da cidade. “Montei a construtora aos 25 anos, para ajudar com meu quinhão a construir Brasília”, conta. “Hoje, temos mais de 700 empreendimentos e um envolvimento muito grande com a cidade”, garante.

Tal visão de mercado, porém, não perde o chão. “Temos que ter muito cuidado nas construções, não podemos fugir ao tombamento”, diz, referindo-se ao título de Patrimônio da Humanidade, concedido à capital brasileira pela Unesco.

Ao lado da escultura de JK, grande referência.

Na política, teve carreira meteórica. Deputado Federal e Senador, entrou na coalizão que elegeu José Arruda ao Buriti. Vice-governador, assumiu a cadeira do Governo do Distrito Federal quando o titular se tornou o primeiro governador preso em pleno exercício do mandato, no escândalo conhecido como Caixa de Pandora. Mas revela tranquilidade diante de tudo isso: “Eu sempre responderei pelos meus atos. Tenho a consciência limpa de tudo que eu fiz. São percalços, temos de enfrentar”, diz.

Não guarda rancor, segundo ele, pois não pode guiar suas atitudes pelas dos outros. Questionado se pretende voltar à política, desconversa. “Não sei; o destino é tudo. Amo a política, vivi 20 anos na política e consigo olhar para trás e me orgulhar de tudo que fiz”, responde.

Apaixonado pela capital, enxerga na cidade uma odisseia à brasileira. “Brasília representa a paixão por uma epopeia que foi a mais corajosa do século passado; a bravura dos candangos me inspira, essa tenacidade com a qual enfrentaram um desafio nas piores condições possíveis”, finaliza.