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Operação Clãdestino

MPF denuncia doleiro Chaaya Moghrabi e dez acusados de lavar mais de US$ 11 milhões

Um dos principais doleiros de São Paulo usava rede familiar para dissimular operações no exterior

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Doleiro Chaaya Moghrabi. Foto: Reprodução

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu nova denúncia contra o doleiro Chaaya Moghrabi e outras dez pessoas por lavagem de dinheiro. De acordo com a denúncia, Hanna Yacoby, Sarita Moghrabi, Nassim Moghrabi, Salha Moghrabi, Shamoun Cohen, Rouben Cohen, Albert Cohen, Samha Cohen, Nissim Chreim e Thania Chreim fazem parte da extensa rede de familiares usada por Chaaya para ocultar e dissimular a origem de US$ 11.282.901,57 mantidos em contas na Suíça.

A esposa de Chaaya, Hanna Yacoby, sua irmã, Sarita Moghrabi, e seus pais, Nassim Moghrabi e Salha Moghrabi foram também denunciados por organização criminosa.

Já Shamoun Cohen, cunhado de Chaaya, seu irmão Rouben Cohen e seus pais, Albert Cohen, Samha Cohen, foram denunciados por utilizar sua offshore Hakka para ocultar US$ 4.676.944 de Chaaya.

Nissim Chreim, tio de Chaaya, e sua esposa, Thania Chreim, por sua vez, são denunciados por se valerem da conta Bendol para ocultar US$ 60 mil.

Chaaya, um dos principais doleiros de São Paulo, começou a ser investigado pela força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro a partir da Operação Câmbio, Desligo. De acordo com a denúncia, “sua mais forte atuação ocorre na geração de moeda em espécie no Brasil, indicando contas no exterior para a transferência de recursos em compensação às quantias de reais em espécie entregues a outros doleiros”.

Na 25 de Março e na Suíça

Esses reais em espécie são angariados por Chaaya de comerciantes paulistas, principalmente da Rua 25 de Março e da região do Bom Retiro, cujos comércios transacionam enorme quantidade de dinheiro “vivo” diariamente. São quantias que via de regra não ingressam na contabilidade formal das empresas e, com claro propósito de evasão fiscal e o auxílio do doleiro, passam a ser custodiadas no exterior, fora do controle das autoridades brasileiras.”

Em novembro, Chaaya e seus familiares foram alvo da Operação Clãdestino, realizada com o objetivo de desarticular a rede de lavagem de ativos que se utiliza de offshores e contas no exterior. As investigações também demonstraram que outra forma de atuação da organização criminosa é a aquisição no exterior e posterior comercialização no Brasil de joias de elevado valor. Na residência de Sarita Moghrabi foi encontrada uma grande de joias escondidas, todas com etiquetas de venda.

Três sistemas informatizados entregues por colaboradores registram as movimentações de dólar-cabo operadas por Chaaya em conjunto com seus familiares.

A denúncia apresentada pelo MPF narra recursos mantidos com o uso da offshores Excel Overseas (US$ 80,6 mil), Moa Holding (US$ 200 mil), Bendol (60 mil), Volane (US$ 155.833,00) e Hakka (US$ 4.676.944,00) e das contas Eyesblue (US$ 2.096.591.82) e Lotter (US$ 4.012.932,76). Além da condenação dos denunciados, o MPF pede o bloqueio de US$ 11.282.901,57 para reparação de danos.

Na última sexta-feira (18), a 7ª Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro decretou nova prisão preventiva de Chaaya. A nova cautelar foi necessária porque, quando a operação Clãdestino foi realizada, em 10 de novembro, o cumprimento das medidas de busca e apreensão foi marcado por interferências dos investigados, bem como pela tentativa de ludibriar a atuação policial.

Chaaya também já responde a outras duas ações penais: uma referente à Operação Câmbio, Desligo e outra por crimes contra o sistema financeiro envolvendo a corretora Advalor. (Com informações da Assessoria de Comunicação Social da Procuradoria da República no Rio de Janeiro)

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