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Militantes do MTST seguem acampados na Paulista

Movimento protesta contra suspensão das contratações na faixa 1 do Minha Casa

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Cerca de 400 militantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) permanecem acampados pelo segundo dia consecutivo em frente ao escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista, em São Paulo. O protesto é pela suspensão da contratação de casas do programa Minha Casa Minha Vida destinadas à chamada Faixa 1, para famílias com renda familiar de até R$ 1,9 mil.

Os manifestantes afirmam que vão permanecer acampados por tempo indeterminado até que o governo inicie a execução de moradias a famílias com menor poder aquisitivo, suspensa desde a chegada de Michel Temer ao Palácio do Planalto, segundo os manifestantes. 

"O governo Temer não contratou nenhuma moradia da Faixa 1 desde que entrou. Zero. Estão querendo direcionar o grosso dos recursos para as faixas 2 e 3, que tem maior poder aquisitivo", afirmou o líder do MTST, Guilherme Boulos. O ato, informa, é também pela contratação de moradias populares que já têm documentação aprovada mas não tiveram suas obras iniciadas. "É uma demanda apresentada ao governo há mais de um ano, a contratação de uma série de moradias populares que já estão com tudo 'ok', com alvará de obra, que já está tudo absolutamente certo e depende apenas de liberação em Brasília". 

Segundo Boulos, a preocupação dos manifestantes é a possibilidade de não execução da contratação de 35 mil unidades para o programa Minha Casa Minha Vida Entidades – Faixa 1, que está prevista no Orçamento para este ano. "Está previsto no Orçamento, mas corre o risco de ser contingenciado", disse. 

No manifesto de convocação para o ato, o MTST afirma que 84% das pessoas que fazem parte do déficit habitacional do Brasil estão na chamada Faixa 1, com renda familiar de até R$ 1,9 mil, mas foram "esquecidas" pelo governo Temer.

"As 600 mil moradias anunciadas por Temer foram para uma outra faixa da população. Aumentaram o limite de crédito do Minha Casa Minha Vida para R$ 9 mil, ou seja, transformaram um programa social em programa de crédito imobiliário para financiar casa própria para setores que não são os mais necessitados, que não são os sem-teto e não são aqueles que mais precisam de moradia no Brasil", diz o texto.

O acampamento foi montado na noite desta quarta-feira, após o encontro de duas marchas realizadas pelo MTST que percorreram ruas da zona oeste e centro da capital paulista. O líder do movimento afirma que as barracas permanecerão no local até que o governo dê uma resposta às reivindicações, o que não havia ocorrido até o início da tarde desta quinta-feira. "O único posicionamento foi colocar a tropa de choque na porta do prédio", disse Boulos. Procurado na noite desta quarta-feira e na tarde desta quinta, o Palácio do Planalto afirmou, por meio de nota, que "não irá fazer posicionamento em relação ao movimento e não há negociação em curso com líderes do ato".

Para esta quinta-feira os manifestantes planejam uma programação cultural, com a realização de aulas públicas, roda de capoeira e apresentações musicais. (AE)