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Após desocupação da orla

Governo ainda discute o que fazer com orla do lago

Acesso será liberado aos poucos, assim que o terreno seja limpo

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A primeira reunião, batizada de Diálogos da Orla, entre representantes do Executivo e população, aconteceu nesta quinta-feira (27). Durante o encontro, os moradores foram informados que o acesso será liberado gradativamente, assim que o terreno seja totalmente limpo e que o inventário dos danos ambientais e dos equipamentos privados construídos seja feito.

“Sabemos que a população está ansiosa para usufruir do local, mas precisamos garantir a segurança de todos antes de liberá-lo totalmente, pois ainda há sobras de entulho e de cercas cerradas", explicou o superintendente de Estudos, Programas, Monitoramento e Educação Ambiental do Instituto Brasília Ambiental, Luiz Rios.

Durante a reunião,  realizada na Administração Regional do Lago Norte, os moradores expuseram preocupações e dúvidas com relação à retirada de cercas e muros. O geólogo Luiz Bizzi, que tem uma casa na QL 2 do Lago Norte, mostrou-se angustiado com o fato de a operação ter iniciado antes da existência de um plano de recuperação de áreas degradadas. "Sei que esse tipo de estudo requer tempo para ser concluído, e essas áreas não podem ficar abandonadas, como ocorre em trechos já livres da orla."

A presidente do Instituto Brasília Ambiental, Jane Vilas Bôas, explicou que não foi possível elaborar o plano sem ter acesso aos terrenos. "Cada morador foi sentenciado a elaborar individualmente o plano, e a proposta do Ibram foi unificar o estudo", explicou. O Executivo tem 180 dias para apresentar o documento, que será produzido com participação popular. "Vamos nos basear no plano de manejo [de 2011], no zoneamento local [de 2013] e nas sugestões da população."

O presidente da Federação de Stand Up, Marco Gorayed, quer a garantia de que todos realmente tenham acesso ao reservatório. "Não adianta tirar de particulares para os órgãos ambientais também limitarem o uso." O superintendente do Ibram chamou a atenção para o fato de que toda a área desocupada se tornará parque e, como tal, deverá ser controlada. "Não será permitido, por exemplo, consumir bebidas alcoólicas e colocar som alto, porque será um parque em área de preservação permanente."

A garantia de segurança foi outro tema abordado durante o encontro. O administrador interino do Lago Norte, Leandro Cazarim, informou que o fato de os lotes da QL 2 da região administrativa já estarem recuados conforme a legislação ambiental não aumentou o índice de criminalidade no local.

Cronograma
O governo de Brasília iniciou a desobstrução em 24 de agosto para cumprir sentença judicial proferida em 2011, que considera área de preservação permanente a faixa de 30 metros da margem. O cronograma do Executivo durará dois anos e está dividido em quatro fases, sendo que uma delas é referente à fiscalização para que não haja novas ocupações irregulares.

O próximo Diálogos da Orla ocorrerá em 3 de setembro, na Administração Regional do Lago Sul, das 19 às 22 horas. (Com informações Agência Brasília)

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