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Entrevista exclusiva

Ex-presidente do PSDB quer melhor da 3ª via ou Lula, contra Bolsonaro

Téo Vilela diz que apoia Dória, mas votará no nome mais viável da 3ª via

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Ex-governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho, ex-presidente nacional do PSDB. Foto: Leonardo Prado/Câmara dos Deputados

Ex-presidente nacional do PSDB, Teotonio Vilela Filho, demonstrou nesta quarta-feira (19) que não está disposto a dar uma mínima contribuição sequer ao projeto de reeleição do presidente da República Jair Bolsonaro (PL). Ex-senador e ex-governador de Alagoas, Téo Vilela declarou ao Diário do Poder que apoia a candidatura presidencial do governador de São Paulo, João Dória (PSDB), mas ponderou que somente dará seu voto ao nome da 3ª via que tiver mais chances de passar para um eventual 2º turno. O tucano admite até votar no ex-presidente Lula, se for a saída para derrotar Bolsonaro em 2º turno. Mas ressalta que não vota de jeito nenhum no ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro (Podemos).

Do alto de suas mais de três décadas no PSDB, Téo Vilela diz que vota em Lula, sem pestanejar, caso o petista avance ao 2º turno contra Bolsonaro. Mas não se entusiasma em ver o amigo e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, deixando o PSDB e articulando seu ingresso como vice em uma chapa com Lula, um adversário histórico dos tucanos e alvo de denúncias de crimes e corrupção que marcaram o fim da era petista no Palácio do Planalto. Sobre tais escândalos, o ex-líder nacional dos tucanos afirma que o Partido dos Trabalhadores deve aos brasileiros uma autocrítica.

Nesta entrevista ao Diário do Poder, Téo Vilela  garante não estar de saída do ninho tucano nem ter aconselhado filiados a deixar o partido. Bem como assegura seu apoio à candidatura a governador do senador Rodrigo Cunha, pelo PSDB de Alagoas, na disputa pela sucessão do governador Renan Filho (MDB), cuja gestão elogia.

Ex-governador Geraldo Alckmin, em São Paulo, com o ex-presidente nacional do PSDB, Téo Vilela Filho. Foto: Divulgação Facebook

Na entrevista reproduzida abaixo, o político com três mandatos consecutivos de senador (de 1987 a 2006) e governador de Alagoas de 2007 a 2015, ainda avalia que Dória é um excelente gestor, mas peca no momento de agregar politicamente. E aponta que o governador paulista falhou estrategicamente, ao se afastar de Alckmin ao ponto de inviabilizar sua candidatura ao governo de São Paulo.

Orgulhoso de sua vida política representando Alagoas, Téo Vilela hoje admite não ter nenhuma saudade da vida pública. Agora, se dedica à família e ajuda o irmão nos negócios mantidos pela família no setor sucroenergético.

Confira a íntegra da entrevista:

Diário do Poder – O senhor aconselhou o senador Rodrigo Cunha a deixar o PSDB e ingressar no PSB, como tem sido veiculado na imprensa? 

Não procede que aconselhei o Rodrigo a deixar o PSDB. Eu converso com Rodrigo, gosto dele. É o meu candidato ao governo do Estado [de Alagoas]. Tenho notado ele cada dia mais entusiasmado, o que é bom. Porque, política, você só consegue desenvolver um projeto, se estiver incorporado na alma o que precisa ser feito. E ele está cada vez mais com esse sentimento. Mas ele vai continuar no PSDB, assim como eu também. Não pensamos em sair do PSDB de forma alguma.

Como avalia o governo de Renan Filho em Alagoas?

Eu gosto do governo Renan Filho. Acho o Renan Filho um bom governador.

Como o senhor avalia a aliança do Alckmin com o Lula?

Lamento a saída do Alckmin do PSDB. Lamento muito. O Alckmin é querido, respeitado. Foi um erro do Dória. Um erro muito grande do Dória de ter se afastado do Alckmin, ao ponto de ele não dar legenda para ele ser candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB. Então, eu lamento muito. Agora, a decisão dele ser vice do Lula, eu preferia o Alckmin como governador de São Paulo mais uma vez. Mas não conversei com ele especificamente sobre essa aliança dele com o Lula. Aliança essa que ele ainda não decidiu. Isso é um processo. Não está claro como isso vai ficar.

O senhor tem pensado em deixar o PSDB, após tantos anos de filiação?

Não penso em deixar o PSDB. Nunca pensei. Pretendo continuar. Meu candidato [a presidente do Brasil] é o Dória. Mas, lá na frente, eu vou votar no candidato da 3ª via que se mostrar mais viável para ir para o 2º turno, exceto o Moro. Agora, se o 2º turno for Lula e Bolsonaro, aí eu voto no Lula, sem pestanejar. Com todas as críticas que tenho ao PT e ao próprio Lula… Mas, na comparação com o Bolsonaro, meu Deus! Nem pestanejo. Nesse caso, voto no Lula.

Acredita que Lula é mesmo uma opção que favorece o país? Acredita que o PT deve ser cobrado a fazer uma autocrítica, após tantos escândalos e condenações de filiados e aliados que cometeram crimes ou tiveram comportamento promíscuo com empreiteiras contratadas com dinheiro público?

Acho que o PT deve à nação uma autocritica em relação aos erros, aos escândalos. É muito importante essa autocrítica. Acho que o PT deve isso ao Brasil, sim.

Como avalia o projeto presidencial do governador João Doria?

João Doria é um excelente gestor, mas falha quando precisa criar uma empatia, quando precisa agregar. Ele tem uma postura bastante individualista. Por isso, atrapalha. Por isso, votei no Eduardo Leite nas prévias do PSDB. Acho que o Eduardo Leite tinha muito mais condições de avançar nesse processo eleitoral do que o Doria. Mas o Doria tem qualidade. Ele é um excelente gestor. Ele peca é no momento de agregar politicamente.

Tem saudades da vida pública? Como tem atuado na política partidária?

Nenhuma saudade da política. Com muita honra, fui senador por 20 anos, governador por oito anos, dei o melhor de mim, com amor, com respeito. Claro que cometi erros, como todo mundo comete. Mas, sempre procurando acertar. Errei porque não consegui fazer melhor. Mas, tenho muito orgulho da minha vida política. É muito gratificante, sobretudo o governo. Agora, desgasta a saúde. É muito oneroso no que exige da gente, na privação da família, e tudo. Então, agora, saudade nenhuma. Vivendo minha vida, a minha família, ajudando meu irmão nos negócios. E, também, conversando muito sobre política com as pessoas. Agora, diretamente, participar de um projeto eleitoral, de forma alguma. Tá ótima a minha vida como está!

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