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Sessão suspensa por 40 minutos

Depoimento de Luciano Hang na CPI da Pandemia é marcado por interrupções e tumulto

Advogado do empresário chegou a ser retirado da comissão e a sessão foi suspensa por 40 minutos

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Luciano Hang depõe à CPI da Pandemia. Foto: Leopoldo Silva/Ag. Senado

O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Pandemia, suspendeu por 40 minutos a sessão desta quarta-feira, 29, após mais um tumulto. O mais recente ocorreu após o senador Rogério Carvalho (PT-SE) pedir que um dos advogados do empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan e apoiador do governo Bolsonaro,  fosse retirado do plenário. O petista disse ter sido ofendido pelo representante do depoente.

A primeira parte do depoimento do empresário Luciano Hang teve diversas interrupções, de senadores favoráveis e contrários ao governo, desde a intervenção inicial do depoente às primeiras perguntas do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Hang é acusado de pertencer ao chamado “gabinete paralelo”, grupo que atuou informalmente junto ao Ministério da Saúde nas decisões relacionadas ao combate à pandemia. Esse grupo é acusado de contribuir para a disseminação de fake news sobre a doença, de promover tratamentos sem comprovação científica e defender a “imunidade de rebanho” em detrimento do distanciamento social e da vacinação em massa.

Em sua fala inicial, Hang rejeitou a pecha de “negacionista” e disse ser favorável à vacina. Afirmou que a CPI desrespeitou a memória de sua mãe, Regina, que morreu de covid em fevereiro, em hospital da empresa Prevent Senior, investigada pela comissão. O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), negou ter havido desrespeito e observou que foi o próprio depoente o primeiro a mencionar a morte da mãe nas redes sociais, para defender o controvertido “tratamento precoce” contra o coronavírus.

Respondendo às perguntas iniciais de Renan Calheiros, Luciano Hang admitiu possuir contas no exterior e empresas offshore, ressalvando que todas estão declaradas à Receita Federal. Perguntado se recebeu benefícios fiscais, Hang disse que a Havan tem negócios em quase todo o país, e que em alguns estados e municípios sua empresa faz jus a benefícios por lei.

Hang negou ter recebido financiamento de instituições públicas, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O empresário reconheceu, no entanto, ter recorrido à Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame), subsidiária do BNDES, para comprar máquinas.

— Na pandemia, bancos estatais chegaram a oferecer dinheiro para mim. Peguei do Bradesco, do Itaú, do Santander. Me ofereceram de outros bancos. Eu disse: ‘Na-na-ni-na-não’. Eu não vou pegar dinheiro de nenhum banco estatal, sob pena de lá na frente dizerem: ‘Olha só. Está sendo financiado com dinheiro público. Foi para isso que ele apoiou o presidente’. Não peguei um centavo — afirmou.

Ao longo de toda a oitiva, senadores se queixaram do andamento dos trabalhos. Os opositores ao governo acusaram Hang de fazer propaganda de suas empresas e dar respostas sem relação com o objeto da CPI. Os governistas, como os senadores Marcos Rogério (DEM-RO), Jorginho Mello (PL-SC) e Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), acusaram o relator de ofender o depoente, ao fazer uma referência a “bobos da corte” que cortejam os poderosos; de cercear o direito de Hang responder como entendesse apropriado; e de fazer perguntas sem relação com a investigação.

Pedido de desculpas

O advogado Murilo Varasquim, que representa Luciano Hang, pediu desculpas ao senador Rogério Carvalho e pediu para continuar acompanhando o depoimento do empresário.

— Peço desculpas. Creio que tenha havido um mal-entendido. Jamais houve intenção desta defesa em lhe ofender. Em razão disso, peço reconsideração da minha retirada da sessão. Pretendo continuar na defesa e mais uma vez peço desculpas — disse Varasquim.

Rogério Carvalho pediu que o advogado não volte a interferir no pronunciamento dos senadores.

— Peço que a defesa se dirija exclusivamente ao seu paciente. Que não se dirija e não interfira no momento em que o parlamentar estiver com a palavra. Quando um parlamentar está se manifestando, que não haja interrupção de nenhuma forma. Espero que isso não volte a acontecer — disse.

Omar Aziz reconsiderou a decisão e manteve os dois advogados de Luciano Hang na sala. Mas avisou que, caso volte a interferir indevidamente no pronunciamento dos parlamentares, o defensor será retirado do depoimento.

— Eu mesmo tomarei a decisão se esse fato acontecer novamente. Não adianta nem questionar minha decisão. Vou aceitar as desculpas. Fazer autocrítica faz parte do ser humano. Aqui, vou tentar de todas as formas que nenhum senador seja desrespeitado — disse Omar. (Agência Senado)

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