Xingamento por likes

Lira aciona polícia e acusa Felipe Neto de injúria: ‘excrementíssimo’

Presidente da Câmara pediu que Polícia Legislativa investigue youtuber que usou simpósio na Casa para xingar deputado

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O Ministério Público Federal (MPF) pediu o arquivamento do processo do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), contra o influenciador digital Felipe Neto.(ft: acervo pessoal)

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), pediu investigação e a Polícia Legislativa autuou o youtuber Felipe Neto, por ter utilizado sua participação em evento da Casa para xingar o deputado alagoano de “excrementíssimo”, na terça-feira (23). Lira acusou de crime de injúria o influenciador digital que foi um dos reforços da campanha eleitoral do presidente Lula (PT), em 2022.

Nesta sexta-feira (26), Arthur Lira reforçou a acusação, afirmando que Felipe Neto usou a transmissão ao vivo de sua participação no simpósio “Regulação de Plataformas Digitais e a urgência de uma agenda”, para “escrachar e ganhar mídia e likes”. E disse que o youtuber teria confundido o uso da liberdade de expressão com o “direito a ofender, difamar e injuriar”.

“Uma crítica constante sobre as redes socias é a falta de civilidade, respeito e educação de muitos que a utilizam. Confunde-se liberdade de expressão com o direito a ofender, difamar e injuriar. Foi o que fez o sr Felipe Neto em seminário na Câmara, meio público para o bom debate mas que ele usou para escrachar e ganhar mídia e likes. Isso não é liberdade de expressão. É ser mal educado”, publicou Lira, na rede social X.

Em sua queixa à Polícia Legislativa, Lira acusou Felipe Neto do crime de injúria, que prevê pena de um a seis meses de prisão, ou multa. E citou uma qualificadora que pode aumentar em um terço a eventual punição em caso de condenação, porque o ato foi contra “funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal”.

Lira também acionou a Procuradoria Parlamentar da Câmara dos Deputados para ingressar com ação judicial contra o youtuber junto à Justiça Federal.

‘Exagero’

Alvo do pedido de investigação de Lira ainda na terça, Felipe Neto disse, ontem, ter achado “curioso” que Lira tenha acionado a polícia após ter trocado o tratamento de excelentíssimo pelo xingamento. Porque o próprio Arthur Lira ter considerado exagero que um parlamentar seja chamado para depor na Polícia Federal porque disse que ministro é isso ou aquilo em uma CPI.

O influenciador digital disse não ter opinião sobre a pessoa de Arthur Lira, por não conhecê-lo. Mas que sua opinião sobre o parlamentar é clara, ao classificar como “nocivas e extremamente reprováveis”, grande parte das ações e inações do presidente da Câmara.

“Minha intenção, ao citar ‘excrementíssimo’, foi claramente fazer piada com a palavra ‘excelentíssimo’, uma opinião satírica, jocosa, evidentemente sem intenção de ofensa à honra. Já sofri tentativas de silenciamento com o uso da polícia antes, inclusive pela família Bolsonaro. Continuarei enfrentando toda essa turma enquanto me sobrarem forças. E eu nunca falei que os enfrentaria com flores, nem assim o fiz e nunca o farei”, escreveu Felipe Neto, na rede social X.

O youtuber chegou a ser convocado pelo governo de Lula para compor um grupo destinado a combater o discurso de ódio e o extremismo. Mas coleciona postagens com ofensas contra jornalistas, apoiadores bolsonaristas e o próprio ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), desde quando o rival do petista ocupava o comando da República.

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