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Flanelinha da OAB foi alvo de Batalhão acusado de sumir com jovem

Vice-presidente de Conselho de Segurança cita desaparecimento de Humberto Tiago

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Policiais do BPTran que balearam flanelinha da OAB seriam suspeitos de desaparecimento de Humberto Tiago (Fotos: Divulgação)

O vice-presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública de Alagoas (Conseg), Antônio Carlos Gouveia, disse nesta quarta-feira (6) que o Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) que participou da ocorrência em que o soldado Cyro da Vera Cruz Neto atirou no flanelinha da OAB em frente ao Fórum da Justiça Estadual, e Maceió (AL) está sendo investigados pelo desaparecimento de um “menino”, no início de fevereiro.

O Conseg pediu o afastamento das ruas dos policiais militares envolvidos na confusão que vitimou com um tiro na perna o guardador de carros José Jeovânio da Graça, contratado pela Seccional Alagoana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL). A ocorrência aconteceu na tarde de segunda-feira (4), diante da esposa, no Fórum do bairro do Barro Duro.

O desaparecimento ao qual Gouveia se refere seria do jovem Humberto Thiago de Araújo Neto, 23, que teria sido abordado por homens encapuzados que chegaram em um carro cinza e teriam pedido e obtido reforço policial de uma viatura do BPTran. Segundo familiares, o jovem foi levado com um amigo da região do Parque da Pecuária para uma área que fica por trás da Braskem, no Pontal da Barra.

“Tudo isso cria um ambiente de suspeição e da necessidade de um aprofundar dessas investigações. Mas sempre colocando como pano de fundo que a regra são policiais militares honrados que saem de casa correndo todo o risco para proteger a sociedade. E não podemos permitir que essas exceções possam virar regra trazendo nesse cidadão a vulnerabilidade como no caso do agente da OAB”, disse Antônio Carlos Gouveia, em entrevista ao Bom Dia Alagoas, nesta quarta-feira (6).

Em março, o promotor Magno Alexandre Moura, da Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público de Alagoas (MP/AL), afirmou não haver dúvidas sobre a participação de policiais militares no desaparecimento do jovem. O caso passou pelo Conseg, MP e Corregedoria da PM.

Ao contrário do que o Diário do Poder publicou anteriormente, não há confirmação de que os mesmos policiais do BPTran atuaram na abordagem ao flanelinha da OAB e no caso em que policiais foram acusados de desaparecimento. Mas o BPTran foi investigado no caso do sumiço do jovem, como lembrou Antônio Carlos Gouveia.

AÇÃO E REAÇÃO DESCABIDAS

O integrante do Conseg considerou descabida a reação do flanelinha de lutar com os policiais para evitar a imobilização. Mas ainda assim considerou a ação policial como desproporcional, ao lembrar que o soldado autor do disparo indicou que o funcionário da OAB estaria com uma faca, e afirmar que o Conseg já apurou que não havia a faca.

Antônio Carlos Gouveia lembrou que a arma tem que ser utilizada como último recurso. E os policiais poderiam ter imobilizado o flanelinha da OAB e prendê-lo. “Por isso, há uma linha muito tênue para a truculência”, disse o vice-presidente do Conseg.

O Diário do Poder não conseguiu contato com os policiais envolvidos nas ocorrências.