Luta por respostas

Davi Soares

Rui Palmeira afirma que eleição e fim da era Temer adiaram respostas para o Pinheiro
22/01/2019

Prefeito de Maceió rejeita comício diante da angústia em bairro rachando

Luta por respostas

Prefeito de Maceió rejeita comício diante da angústia em bairro rachando

Rui Palmeira afirma que eleição e fim da era Temer adiaram respostas para o Pinheiro

Enquanto maior parte dos políticos alagoanos ainda ignora ou somente desperta agora o interesse na busca por soluções para as rachaduras e tremores de terra no bairro do Pinheiro, o prefeito de Maceió (AL) Rui Palmeira (PSDB) enxerga oportunismo em parte da classe política, mas prega união da bancada federal pela resolução do problema. Inclusive, já articula com seu rival na política, o governador de Alagoas Renan Filho (MDB), ações conjuntas para pressionar por respostas para a angústia de mais de 20 mil maceioenses da região. Após iniciar sozinho o desafio de desvendar um mistério geológico que ameaça desabrigar quase 500 famílias das áreas de risco, Rui Palmeira obteve a promessa de apoio federal do presidente Jair Bolsonaro. E receberá, na próxima sexta-feira (25), o novo chefe da Defesa Civil Nacional, coronel Alexandre Lucas Alves, em Maceió. Já com agenda marcada para segunda-feira (28), ser recebido pelo ministro do Desenvolvimento Regional Gustavo Canuto. A ambos, pedirá mais esforços e agilidade para a questão, antes da chegada da quadra chuvosa. “Não adianta eu ir para o Pinheiro fazer um comício, se não tenho a solução. A gente não sabe nem o diagnóstico. Então, a gente pede cautela, pede calma. Mas não acho que minha visita ou minha presença vá resolver isso. A gente está aqui de portas abertas, recebemos uma comitiva de moradores de forma muito tranquila, passando a realidade”, disse o prefeito tucano, em um trecho da entrevista concedida ao Diário do Poder no fim da tarde desta segunda-feira (21). Leia a entrevista completa: Pelo menos até dezembro, até a decretação da situação de emergência, o senhor tem agido de certa forma sozinho em busca de soluções para as rachaduras no solo e em imóveis do bairro do Pinheiro. Como foi a trajetória dessa luta até o decreto? Foi o seguinte. Assim que houve a história do tremor e que as fissuras aumentaram lá no Pinheiro, a gente foi buscar especialistas. Inicialmente, vieram alguns técnicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte; começaram esse estudo. Posteriormente, já vieram os técnicos do DNPM [Departamento Nacional de Produção Mineral, convertido na Agência Nacional de Mineração, ANM, há três meses], que é um órgão do Governo Federal responsável por toda essa parte de solo, e do Serviço Geológico do Brasil [CPRM], com geólogos extremamente competentes. Eles vieram para cá e começaram os estudos. Só que realmente os estudos demandam tempo, já que é algo nunca visto em uma área urbana no Brasil. Esses técnicos começaram esses estudos e, se não me engano em outubro, eles passaram um documento sugerindo a decretação de emergência. Como foram os primeiros contatos com o Governo Federal em busca de solução? Em agosto, a gente começou a solicitar audiências aos ministérios de Integração Nacional e Minas e Energia. Como havia já… No final do governo Temer, período eleitoral, eu senti que os caras foram nos empurrando com a barriga, até que chegou esse documento do DNPM. Quando o pessoal viu que a situação era realmente de gravidade, a gente conseguiu uma agenda lá com o então coordenador da Defesa Civil Nacional. E, naquele momento ficou certa a decretação realmente da emergência, posteriormente convalidada pela Defesa Civil Nacional. Esses estudos vêm sendo feitos há alguns meses. Vários tipos de estudos diferentes. Há técnicos mais uma vez em Maceió trabalhando isso. Eu entendo a angústia das famílias que querem respostas. Mas, infelizmente, a gente não tem ainda essas respostas. Como ter respostas mais rápidas? Então, para isso, na próxima sexta-feira [25] o novo chefe da Defesa Civil Nacional vem a Maceió. E para segunda-feira [28] já consegui uma agenda com o ministro Gustavo Canuto, do Desenvolvimento Regional, para pedir ainda mais esforços, ainda mais agilidade para a gente detectar realmente o que está acontecendo no Pinheiro. Porque, hoje, tudo o que se fala é especulação: Casal, Braskem, instabilidade do próprio terreno ou podem ser vários fatores. Realmente não se sabe. E segunda eu vou lá em Brasília para pedir um esforço maior. Eles têm apoiado, os técnicos estão sempre aqui, mas a gente precisa mesmo é de celeridade. Até porque está chegando a quadra chuvosa e acho que a preocupação aumenta. Quando esta situação do Pinheiro passou a ter uma atenção especial do prefeito? Houve tremores em fevereiro e março de 2018. Na verdade, quando esse documento chegou às minhas mãos, dos primeiros estudos que mostraram realmente que a situação demandava uma decretação de emergência, a partir daí a preocupação aumentou e decretamos emergência, assim que esse documento nos chegou. Até porque, a partir desse decreto convalidado pelo Governo Federal já conseguimos o apoio financeiro para as famílias. Uma espécie de auxílio moradia no valor de R$ 1 mil para as famílias que já saíram das casas. A tendência é de que esse número aumente, porque está chegando na quadra chuvosa e muito provavelmente nós vamos ter que evacuar aproximadamente 490 famílias. Até o momento saíram 80, tem mais 80 para sair e esse primeiro recurso a gente já garantiu. Mas a gente precisava decretar a emergência para ter acesso a esse recurso que não vai resolver, mas vai minimizar o sofrimento dessas famílias lá do Pinheiro. Os órgãos públicos demoraram a atuar nesse caso? Não. Acredito que não. Pelo menos no momento em que a Prefeitura solicitou esse apoio, os recursos vieram de Brasília e começaram os estudos. É porque realmente os estudos demandam tempo. O que aconteceu é um fenômeno praticamente único aqui no país. E no momento em que apresentaram essa documentação e encaminharam aqui para a Prefeitura, a gente já correu para decretar a emergência. Porque a gente tem que estar realmente em estado de atenção. E claro que vamos pedir mais esforços do Ministério do Desenvolvimento Regional e mais celeridade para a gente ter esse diagnóstico o quanto antes. Sobretudo antes da quadra chuvosa, que é um momento que realmente nos preocupa bastante. Vimos a reunião ministerial do presidente Bolsonaro sobre o assunto, no dia 11. A partir daquela reunião, houve mais algum contato diretamente com o presidente ou com seus ministros? No dia da reunião o ministro Gustavo Canuto me ligou. Na semana passada já solicitei essa agenda ao ministro e ao próprio presidente Jair Bolsonaro para levar nossa aflição a respeito desse problema. Conversei por telefone também com o governador Renan Filho e propus que solicitássemos em conjunto essas reuniões para mostrar que… Acho que é um problema tão grave que temos que deixar, claro, questões políticas de lado para buscar realmente um diagnóstico e a possível solução para esse problema. Esse foi seu primeiro contato com o governador para tratar desse assunto? Sim. Foi. Não houve também procura da parte dele? Não! O próprio governador me ligou mostrando a preocupação, a gente se falou duas vezes por telefone, e eu sugeri que nós solicitássemos também essa audiência em conjunto. Já solicitei e está marcada com o ministro Gustavo Canuto, lá em Brasília. A classe política tem somente agora demonstrado maior interesse no caso. A que se deve, na sua avaliação, essa busca da classe política agora, já que o Estado passou por um período de campanha eleitoral onde o interesse poderia ser maior? Acho que agora as pessoas, todo mundo, tem ciência da seriedade e da gravidade desse problema. Acho que, no momento em que o Governo Federal convalida um decreto de um município em relação a um fato que hoje ainda há causas desconhecidas, todo mundo passa a ficar preocupados. Claro que os moradores do Pinheiro que são as vítimas desse problema ficam realmente angustiados, mas a gente sabe que vai também aparecer o oportunismo político. Infelizmente, a gente já vê algumas movimentações que a gente sabe que tem cunho político. E o que tenho buscado é evitar. Não participar de reuniões com esse cunho. Porque acho que é uma coisa tão séria que está afetando a vida de tantas famílias, que a gente tem que buscar é unidade, união. Que a bancada federal realmente nos ajude e o Governo do Estado e Prefeitura de Maceió trabalhem juntos, para a gente buscar uma possível solução para esse problema. Pelas informações com que já teve contato sobre a Braskem e a Casal, o senhor acredita na tese de que podem ter contribuído com isso? É prematuro. Converso muito com os técnicos aqui. Pessoal do DNPM [ANM], que estão sempre por aqui e me passam que pode ser um ou outro [Braskem ou Casal], ambos, excesso de…, uma região que não tem esgotamento sanitário, pode ser também a questão de sumidouros e fossas, podem ser todos esses problemas ocasionando aquilo, ou o próprio terreno da região que pode ter algum tipo de instabilidade. Tudo está sendo discutido e estudado. Nenhum desses fatos foi descartado. Mas a gente não pode afirmar que a culpa é de A, B ou C. É preciso cautela. Acho que todo momento vão surgir as especulações, fake news. E com rede social isso se propaga muito rapidamente. Então, realmente não é fácil para quem está sofrendo isso na pele. Mas é preciso de cautela e calma neste momento, para que os pesquisadores nos tragam um dado oficial, que tenha a chancela dos órgãos federais, dizendo o que realmente está causando aquilo. Para o morador do Pinheiro que ainda reclama da ausência do prefeito no local para discutir isso mais próximo da comunidade, o que o senhor tem a dizer? Olha, recebi aqui uma comitiva com moradores do Pinheiro, há 15 dias. Foram seis representantes da comunidade. A gente tem tentado fazer isso da forma menos política possível. Não adianta eu ir para o Pinheiro fazer um comício, se não tenho a solução. A gente não sabe nem o diagnóstico. Então, a gente pede cautela, pede calma. Mas não acho que minha visita ou minha presença vá resolver isso. A gente está aqui de portas abertas, recebemos uma comitiva de moradores de forma muito tranquila, passando a realidade. As pessoas têm muitas dúvidas se a gente passou o que hoje está acontecendo. E as informações que nós temos demos publicidade. E é preciso ter cautela e aguardar. A gente não pode fazer outra coisa senão aguardar e torcer para que esses técnicos tragam as informações o mais rápido possível para que a gente possa remediar esse problema que é tão sério.
21/01/2019

MP e órgãos federais apuram se a Braskem causou rachaduras em Maceió

Fortes indícios

MP e órgãos federais apuram se a Braskem causou rachaduras em Maceió

Poços de extração da sal-gema podem ter aberto cavernas no subsolo do Pinheiro

O procurador-geral de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça Neto disse que o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) vai sugerir a suspensão das atividades da Braskem em 31 poços exploração de sal-gema da Braskem no entorno do bairro do Pinheiro, até a conclusão do laudo que investiga as causas do agravamento de rachaduras no solo e em imóveis em Maceió (AL). A declaração ocorreu em visita do chefe do MP a moradores do bairro, no último sábado (19) e mais de 30 minas estão sob investigação técnica de 60 especialistas da Agência Nacional de Mineração (ANM), do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e da Comissão Nacional de Defesa Civil. Os estudos que incluem entre as suspeitas a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) devem ser ampliados para outras áreas de Maceió para que haja um diagnóstico amplo sobre os tremores e problemas geológicos que causam danos graves ao bairro do Pinheiro e levaram 20 mil maceioenses a conviver com a insegurança, após cerca de 200 famílias abandonarem seus imóveis com medo de novos tremores como os ocorridos em fevereiro e março de 2018. Para saber o que houve no bairro e ajuizar eventuais ações contra possíveis culpados pelos prejuízos de proprietários de imóveis na região, o MPAL inicia amanhã (22) uma série de encontros para que não deixar impunes possíveis responsáveis por arcar com os danos, caso a área seja condenada. As reuniões acontecem depois de o órgão ministerial alagoano decretar sigilo na apuração do caso, antes de remetê-lo ao Ministério Público Federal (MPF), por envolver a atividade de mineração entre as suspeitas. O procurador-geral de justiça fará nesta terça (22) uma reunião com promotores de justiça e uma equipe técnica da Braskem para debater o fenômeno no bairro do Pinheiro. O chefe do MPAL também marcou para quinta-feira (24) um encontro com a Prefeitura de Maceió e ainda discutirá o tema com o Conselho Superior do Ministério Público. “Após essas reuniões, será designada uma força tarefa de promotores, sob a presidência de um procurador de justiça, para acompanhar o caso e decidir quais procedimentos devem ser adotados”, disse a assessoria de imprensa do MPAL ao Diário do Poder. Cautela O diretor-geral substituto da ANM, Tasso Mendonça, confirmou na última semana que a Braskem suspendeu em julho de 2018 a exploração dos três poços localizados no bairro do Pinheiro, por causa dos tremores e rachaduras. Técnicos trabalham com base em hipóteses como a exploração nas minas de sal-gema da Braskem; o esvaziamento do aquífero por exploração desordenada em poços; vazamento na rede de saneamento e abastecimento de água no bairro fiscalizados e operados pela Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal); e o somatório de causas geológicas que teriam começado na década de 70 com a ocupação urbana daquele bairro. Testes de especialistas em Geociências tentam entender o que está ocorrendo no subsolo. Mas em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas, o diretor da ANM foi cauteloso sobre diagnósticos, enquanto as pesquisas avaliam as condições dos poços da Casal, das minas ativas e inativas da Braskem localizadas entre a Lagoa Mundaú e os bairros do Mutange, Pinheiro e Bebedouro; e a situação geológica do bairro. “Existem indicativos muito forte sobre algumas causas, mas não temos ainda um diagnóstico definitivo”, afirmou. O jornalista Arnaldo Ferreira apurou que cinco minas que ficavam próximo ao Pinheiro estão desativadas, há 32 minas lacradas e apenas três operam no bairro do Mutange. A Casal tem 80 poços artesianos localizados na Grande Maceió. E cerca de 15 empresas particulares têm licença para explorar poços na cidade. A exploração ocorre de forma descontrolada e a Casal reclama de prejuízos para a companhia. A reportagem da Gazeta de Alagoas relata que a empresária Socorro Buarque tenta há um ano manter sua casa em pé com obras paliativas de “amarração” da estrutura. O imóvel fica na rua jornalista Augusto Vaz Filho e está com o chão afundando e rachaduras por todos os lados. Ela e o marido Rodolfo Farias não querem sair, mas mandaram o filho para casa de parentes. O jornalista Herivaldo Ataíde só não se mudou ainda porque não tem como pagar aluguel. Todos esperam a conclusão dos estudos técnicos para cobrar indenizações dos prejuízos. Causa natural ou provocada Estudos coordenados pelo engenheiro civil Abel Galindo Marques, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), avaliaram, no ano passado, a situação geológica do bairro do Pinheiro. E o relatório aponta a extração de sal-gema como um dos fatores que podem ter causado ou contribuído para as fissuras que estão atingido áreas públicas e imóveis da região. Segundo o especialista, tanto a atuação da Braskem como da Casal em um bairro entrecortado por uma falha geológica podem ter aberto cavernas no subsolo, que podem não ter sido preenchidas após a retirada dos líquidos e desestabilizado o terreno. Mas o próprio Abel Galindo lembra que há, no subsolo do Pinheiro, uma espécie de laje estrutural formada por uma camada de mais de 300 metros de arenito e/ou conglomerados consolidados. Veja a localização das áreas de exploração sal-gema e água e seus possíveis efeitos no solo:               Braskem se defende A Braskem tem negado ter causado problemas geológicos no bairro do Pinheiro e afirma que contribui buscando “as reais causas do fenômeno”, com estudos e repasse de informações para as autoridades. Veja a nota publicada pela multinacional subsidiária da Odebrecht: A Braskem realiza atividades de mineração em Alagoas desde 1975. Estas atividades são precedidas de minuciosos exames geológicos e geomecânicos das áreas exploradas. Todo acompanhamento do processo de extração é realizado por Engenheiros de Minas e Técnicos da empresa, utilizando a mais moderna tecnologia do setor. Ao longo do período de extração, a Braskem monitora e realiza estudos de acompanhamento com empresas e consultores especializados e de renome internacional, seguindo todas as normas técnicas e legais nacionais e internacionais referentes a este tipo de operação. Todo este permanente trabalho de monitoramento ao longo dos anos permite afirmar, até o momento, que não há qualquer relação entre as atividades de mineração e as ocorrências observadas na região do Pinheiro. Vale ressaltar que a empresa não possui poços em operação neste bairro. A Braskem tem prestado todos os esclarecimentos aos órgãos de fiscalização e controle e tem apoiado com estudos e ações adicionais a investigação das causas do ocorrido. A empresa tem estabelecido canais de comunicação com a comunidade, com a imprensa e com outras entidades da sociedade civil organizada para participar da solução dos problemas. A Braskem reafirma seu compromisso com a segurança, a sustentabilidade e com uma atuação empresarial responsável.
19/01/2019

Renan Filho minimiza derrota de sua arrogância tentando aliar-se a vencedor na ALE

Disfarçando a derrota

Renan Filho minimiza derrota de sua arrogância tentando aliar-se a vencedor na ALE

Vencido tentando eleger o tio, governador agora 'apoia' futuro presidente da Assembleia

Durante o lançamento do livro custeado pelo contribuinte em plena campanha eleitoral de seu pai à Presidência do Senado, o governador de Alagoas Renan Filho (MDB) tentou transformar em vitória a derrota de sua arrogância durante a disputa da eleição no Legislativo Estadual. Na noite de quinta-feira (17), Renan Filho disse que agora apoia a eleição de Marcelo Victor (SD-AL) para presidir a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), somente depois de não ter sucesso na tática coronelista de retaliar parlamentares com demissões de indicados de deputados que rejeitaram votar em seu tio Olavo Calheiros (MDB-AL). Já na terça-feira (15), depois de abrir uma trincheira em favor de seu parente para guerrear com aliados de seu governo, o governador Renan Filho declarou que “espera ter adiante mesma tranquilidade que teve até aqui, porque é bom para Alagoas e para a naturalidade institucional”. Na realidade, Renan Filho foi o menos tranquilo deste início de segundo mandato. Criou e comandou feito um coronel a guerra política que fez seu tio acenar com uma bandeira branca e abandonar o campo de batalha quando 21 dos 27 deputados votantes no candidato opositor lhe deram as costas. E optou por abrir uma ferida que ainda sangra entre a maioria de seus aliados tratados como capachos que deveriam servir ao Executivo e abandonar o princípio constitucional da independência entre os poderes. Em entrevista ao jornalista Odilon Rios, do site Repórter Nordeste, o filho do senador Renan Calheiros (MDB-AL) admitiu sua atitude de defesa intransigente da candidatura do seu tio, na estratégia que visa manter o domínio do clã Calheiros sobre Alagoas, a partir de uma eventual sucessão do governo por Olavo Calheiros na eleição de 2022, quando Renan Filho tentará ser senador. O governador declarou ao jornalista que agora apóia o deputado que o derrotou antecipadamente na eleição que ocorrerá em 1º de fevereiro: “Vai [ter apoio], provavelmente porque é isso o que eu sinto da Casa e terá o apoio do Governo”, disse o governador, ao destacar que Marcelo Victor colaborou bastante com o primeiro mandato e certamente colaborará novamente. Não se arrepende Sua fala evidencia justamente o erro que não admite, de ter atacado sua base aliada em nome de um projeto pessoal e familiar. “Não! Renan Filho jamais pode deixar de apoiar Olavo Calheiros em qualquer situação. O Olavo solicitou a minha solidariedade e o meu apoio. Contará sempre com isso”, respondeu o governador ao repórter. Se a reação de retirar cargos foi dura? Renan Filho chamou de “solidariedade” a tentativa de tratorar aliados em favor de Olavo Calheiros. E alega ter demitido secretários e comissionados indicados pelos deputados que não apoiavam seu candidato, porque inicia um segundo mandato e faz uma “releitura dos espaços, conversando com os partidos políticos”. O governador afirma que a atitude que expôs o ranço coronelista do toma lá da cá que mantém enquanto discursa como defensor da “nova política” é uma necessidade para garantir “equilíbrio que precisa ter no campo político para levar o Governo como levamos no primeiro mandato”. “Todo mundo erra, mas neste caso não houve erro. Fui leal a uma candidatura de uma pessoa que não poderia deixar de ter minha lealdade”, explicou Renan Filho, ao tentar passar de vencido a vencedor. Mas o governador não convence a maioria de deputados da base de apoio a Marcelo Victor, que ainda suspeitam de uma nova tentativa do chefe do Executivo de fazer novas retaliações e tentativas de eleger outro candidato. Veja a entrevista completa aqui.
18/01/2019

Senador Rodrigo Cunha elogia mobilização de moradores de bairro com fissuras

Tremores em Maceió

Senador Rodrigo Cunha elogia mobilização de moradores de bairro com fissuras

Parlamentar diz que monitora situação do Pinheiro há quase um ano

O deputado estadual e senador eleito mais votado de Alagoas, Rodrigo Cunha (PSDB-AL), recebeu hoje moradores do bairro do Pinheiro e prometeu buscar através de seu novo mandato uma solução célere para os problemas de fissuras no solo e em imóveis que ameaçam desmoronar em Maceió (AL). Em seu gabinete na Assembleia Legislativa, o parlamentar elogiou representantes do Movimento SOS Pinheiro pela mobiliação social no momento de aflição e incertezas que atraiu a atenção especial do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que determinou esforço dos órgãos federais para dar respostas e soluções para o fenômeno registrado há cerca de dez anos e agravado por tremores de terra ocorridos em fevereiro e março de 2018. “Acompanho e monitoro, há quase um ano, a situação enfrentada pelos moradores do bairro do Pinheiro. Realizei, na manhã de hoje, reunião com representantes do Movimento SOS Pinheiro, que vem dando um verdadeiro exemplo de mobilização social”, escreveu Rodrigo Cunha, nas redes sociais. O senador que toma posse em fevereiro lembrou que o bairro vem, nos últimos meses, enfrentando uma verdadeira alteração da sua rotina pacífica e os moradores vem buscando conviver com a aflição de não saber qual será o futuro de seus lares. “Ciente da situação de emergência do bairro, coloquei meu mandato à disposição para buscar uma solução célere à questão, firmando o compromisso de garantir a melhor solução possível aos moradores do Pinheiro”, comprometeu-se Cunha. Além do senador tucano, o senador Fernando Collor (PROS-AL) também se manifestou ontem (17), dizendo que adota gestões para apressar o diagnóstico a ser feito pelos especialistas e também colocando seu mandato à disposição dos moradores.