Só o medo do futuro poderá nos salvar

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A dimensão da atual tragédia climática, que se abate sobre o Rio Grande do Sul, amedronta e anuncia o que poderá vir acontecer em outras regiões do planeta.

O natural sentimento de solidariedade despertou milhares pessoas da inação e a ajuda surgiu, espontaneamente, suplantando as iniciativas do Estado.

A crise climática que atinge o planeta ainda não convenceu a humanidade sobre a gravidade sistêmica da situação. Talvez as dimensões da catástrofe possam vir a criar um ambiente de medo nos povos, induzindo a reflexão sobre o futuro que nos aguarda e a necessidade das pessoas se unirem em torno de algumas poucas propostas, norteadoras do novo caminhar histórico global, para que se possa tentar salvar a humanidade da extinção.

A catástrofe climática não sensibilizou os povos para a gravidade sistêmica da situação: o aumento do nível do mar inundando as regiões litorâneas; o aquecimento da atmosfera provocando mudanças nos regimes de chuvas, ventos, temperaturas, afetando plantações, estilos de vida e a economia. Neste sec. XXI, provavelmente, ocorrerá a morte de milhões de pessoas ou pelas novas epidemias, ou pelas guerras na disputa por alimentos e água potável, que tendem a ser tornar escassos. A progressão da concentração de renda consolidará a classe dirigente, fornada por pessoas competentes, mas afastadas da reflexão ética.

Os governantes estão desnorteados, sem saber o que fazer ou propor, num mundo que não compreendem e para o qual não têm competência para definir um novo caminho sociopolítico a ser trilhado. É imprescindível o retorno da pregação moral das Igrejas Cristãs Históricas, que se retraíram de uma prática que tão bem souberam fazer no passado. Pregação que se tornou o fundamento moral e jurídico da Civilização Ocidental, que, junto com a educação de qualidade, poderiam conduzir as sociedades a um indispensável mais austero comportamento social solidário. Acreditar que as pessoas são irmãs e irmãos, que precisam ser incorporados à nova sociedade global democrática, livre e justa, a ser criada, é o que temos de fazer no pouco tempo que nos resta.

É preciso organizar um movimento político internacional radical, onde a maioria dos povos passe exigir providencias das autoridades, imediatas e competentes, com a perspectiva da sobrevivência da humanidade. 

Eurico de Andrade Neves Borba, aposentado, mora em Ana Rech, Caxias do Sul, RS. Escritor, ex professor da PUC RIO, ex Presidente do IBGE é do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade.   eanbrs@uol.com.br