Jorge Motta

O meio ambiente e a eficiência

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Em plena crise que assola o mundo, por conta da PANDEMIA, causando incertezas e provocando pânico generalizado em muitos países, inclusive o nosso, leio no SITE da Organização das Nações Unidas (ONU) matéria publicada pelo Banco Mundial, apresentada por Mariana Ceratti, com a chamada: “Na América Latina entre 30% e 40% das águas residuais são devolvidas ao meio ambiente sem tratamento adequado”.

“O Banco Mundial lançou em Washington um estudo mostrando a importância do tratamento de esgoto para a saúde, a natureza e a economia. Atualmente, em todo o mundo, 80% dessas águas residuais são devolvidas ao meio ambiente sem tratamento adequado. Na América Latina, estima-se que esse percentual varia entre 30% e 40%.

O relatório defende uma gestão mais inteligente do esgoto, incluindo o reaproveitamento da água. Essa prática é essencial numa época em que 36% da população mundial vive em regiões com escassez de recursos hídrico.

O novo estudo do Banco Mundial também apresenta projetos bem-sucedidos de tratamento de esgoto. Dele, é possível obter não só água limpa, mas também fertilizantes agrícolas, biogás para a geração de energia e outros recursos.

Uma das iniciativas em destaque foi implementada pela Companhia Ambiental do Distrito Federal, CAESB, no Brasil. A partir do esgoto, foram extraídos biossólidos, que foram usados para o cultivo de milho. O material mostrou ser 21% mais eficiente do que os fertilizantes minerais e levou a uma produção de grãos superior à média.

Projetos assim podem gerar receitas adicionais para as concessionárias de água, permitindo a elas cobrir os custos operacionais e de manutenção, que normalmente são altos. Segundo os autores do relatório, tornar o saneamento um serviço autossustentável pode ajudar os países a lidar com a falta de recursos para o setor. E, com isso, avançar no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODSs.

O relatório do Banco Mundial coloca as águas residuais no centro da economia circular, um sistema que visa a minimizar o desperdício e aproveitar ao máximo os recursos já em uso. Na visão dos autores, o crescimento da população e o desenvolvimento urbano do futuro exigem técnicas e tecnologias para reduzir o consumo de recursos naturais.”

Até aqui, todo esse texto foi por mim copiado da apresentação de Mariana Cerrati.

Passo, agora, a algumas considerações por ter tido o privilégio de ocupar a Diretoria Comercial e Financeira da CAESB, nos anos, 1999 e 2000, por escolha do saudoso governador Joaquim Roriz. Faço esse registro para marcar um tempo de eficiência em muitos órgãos públicos do Distrito Federal. Pude conhecer e conviver com um quadro funcional da CAESB, de engenheiros e técnicos, altamente qualificados. Há anos que ela, CAESB, vem sofrendo com a falta de recursos financeiros adequados. Entre as causas, estão a inadimplência endêmica do próprio acionista majoritário, o governo do Distrito Federal, de empresas públicas, secretarias, ministérios, UNB, e muitos outros clientes aqui não citados. Mesmo assim, o setor privado e os investidores estrangeiros estão sempre interessados na privatização da CAESB. Por que será? Vão continuar fornecendo os serviços sem receber regularmente as faturas? Acredito que não. O interesse se deve ao fato de ser uma empresa altamente viável, principalmente quando TODOS os clientes forem compelidos a pagar suas contas.

O Banco Mundial, parceiro importante que tem concedido empréstimos significativos à CAESB ao longo de décadas que viabilizaram a implantação de inúmeros projetos, produzindo avanços substanciais, tanto para o fornecimento de água, como para tratamento e expansão da rede de esgoto no Distrito Federal, reconhece e elogia a eficiência de uma empresa pública importante, na Capital da República. Esse é um fato que tem de ser alardeado, pois é fruto quase exclusivamente do esforço e competência do seu quadro permanente.

Por uma questão de justiça e merecimento, parabenizo aqui o quadro funcional da CAESB, o do passado e do presente.

Jorge Motta é jornalista.