Francine Marquez

Não é baile de máscaras, é a posse presidencial

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Foi com total perplexidade que percebi que a frase, “Não é um baile de máscaras, é a posse presidencial”, era a resposta “oficial” da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, a jornalistas em um grupo de Whatsapp, que estavam preocupados com a própria segurança durante a cobertura da posse de Jair Bolsonaro, na Esplanada dos Ministérios.

No dia da posse, são esperadas, nada mais, nada menos, que 500 mil pessoas. E tendo em vista que Bolsonaro é o tipo de pessoa que desperta o amor ou o ódio, é claro que um forte esquema de segurança está sendo montado.

É exatamente sobre segurança que se estava debatendo. Muitos ali, estiveram nas ruas durante as manifestações de 2016, cobrindo o impeachment, e vivenciando na pele, a experiência de estar entre a polícia e os manifestantes. Quem não se lembra do quebra-quebra na Esplanada? Prédios invadidos, monumentos destruídos, e nem os carros que estavam na rua escaparam dos vândalos.

Na televisão, nos sites, nas revistas e jornais, fortes cenas mostravam para a população o caos na Capital Federal. E para que tudo isso fosse noticiado, dezenas de jornalistas em campo, entre aquelas milhares de pessoas.

O que poucos sabem, é que os repórteres, muitas vezes estão sozinhos em suas coberturas, munidos de todos os seus equipamentos, mochilas, câmeras, tripés, gravadores, enfim, chegamos ao “problema” que gerou toda a discussão. Parece que o governo esqueceu disso.

Em uma época de tantas informações, onde somos metralhados com centenas de notícias, talvez as pessoas tenham se esquecido da matéria prima de tudo isso, os jornalistas. Profissionais que estão na hora certa e no lugar exato, para reportar fatos. E já que todos adoram estar bem informados, não é natural que tais profissionais sejam protegidos?

Mas o representante da secretaria, ficou contrariado com os questionamentos, e definiu que tais perguntas estavam fora de contexto. Olha que ironia, ficar irritado com perguntas em um grupo com jornalistas? E o pior, ignorar que é papel do Estado garantir a segurança de todos, incluídos os profissionais da informação.

O deboche não parou por aí, em tom sarcástico, ele tentou dar uma “aula” sobre cobertura jornalística, zombando, respondeu que as máscaras estão proibidas sim, e que o uso da máscara, metáfora ou literal, tira o jornalista do clima da cobertura. “É preciso sentir o gás entrando pelos olhos para experimentar a sensação de risco e depois passar isso ao leitor”.

Agora, sem o calor do momento, ao analisar essa narrativa, pude perceber que de fato, o assessor estava certo!

Não se trata de um baile de máscaras, porque a festa acabou. As máscaras caíram. Trabalhar para quê? O governo de Rollemberg termina em poucos dias, e o que o assessor veio nos alertar, é que a partir de agora, não tem mais café, nem frio, nem gelado.

E no fim disso tudo, no auge da minha humildade, eu ressalto ao colega, que tem 35 anos de profissão, que o principal objetivo, ou missão, do jornalismo é informar. Por isso, fico pasma em ver, na análise do experiente colega, que atualmente o jornalismo está chato e desinteressante, e isso, por ter um caráter informativo.

Ora meu caro, essa é a função do jornalismo. O repórter tem que informar sobre os fatos, da maneira mais direta, clara e isenta possível.

Porque a final de contas, se for para expor ideias, fazer análises, falar sobre conceitos, deve-se escrever um artigo, como faço agora.

Francine Marquez é jornalista do Diário do Poder