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Discutindo política

Grupo da família, domingo à tarde, tudo na mais perfeita harmonia. Até que algum membro envia um meme político. Pronto! Era o que bastava para que se começassem as trocas de “gentilezas” e as farpas são trocadas entre primos, tios e sobrinhos. A política da boa vizinhança deixa de existir. Sim, política! Aquela que define como um grupo ou nação se organiza e é administrada.

Muitos cresceram ouvindo os pais e avós interromperem uma conversa acalorada em família dizendo “política não se discute”, como se o assunto fosse proibido. Sabe-se que a intenção é evitar qualquer divergência e, consequentemente, as discussões acaloradas nas quais um lado certamente vai se sentir ofendido ou vai acabar ofendendo alguém.

Assim, até pouco tempo atrás, mais precisamente o impeachment da presidente Dilma, as pessoas evitavam falar de política entre amigos, familiares e até salas de aula. A minoria se interessava pelo assunto, poucos entendiam a formação histórica da política e economia brasileira ou tinham lido Marx, Engels, Mises e Menger. Hoje, podemos considerar que todo mundo discute política.

Um simples “Naquele eu não voto” já é o suficiente para fazer política.

O que antes era “proibido” por meio de uma regra social, atualmente vemos o contrário. A internet e as redes sociais submetem todos a uma incomparável curiosidade e proporcionam indefinida liberdade de se posicionar sobre tudo, inclusive política, religião e futebol.

Foi-se o tempo em que o conhecimento era superficial e que os jornais televisivos eram as únicas fontes de informação.

As redes sociais se tornaram palco para grandiosos (e muitas vezes baixos) debates sobre política, sobre o que está ocorrendo no Brasil, as mudanças, as reformas. As reformas… Administrativa, tributária, política. São muitas mudanças e cada vez mais os cidadãos se interessam pela situação atual e pela transformação do país.

As mesas de bar, os eventos de família, as sociais com os amigos se tornaram locais de discussões políticas. O problema é quando as divergências afastam as pessoas, os amigos, os parentes.

É possível ver brigas homéricas nas redes sociais. Há quem diga que viraram palcos de disputas onde as pessoas se aproveitam da distância e, às vezes, do anonimato para ofender e humilhar. Atenção! Aqui temos um sinal vermelho. O cyberbullying é crime. Aquele que comete calúnia, difamação, intimidação, humilhação no ambiente virtual, pode responder criminalmente.

O importante é que mantenhamos o respeito nas discussões, que verifiquemos a fonte e a veracidade das informações, nos atualizemos e saibamos discutir sem ofender. E se isso acontecer, pedir desculpas e assumir o excesso não é falso moralismo. É política!

Alessandra Eloi Martins Ribeiro, advogada, com especialização em Ciência Política, é sócia da Azevedo & Eloi Advogados Associados.