Volkswagen Amarok Extreme, quando só o conjunto mecânico salva
Testamos a versão topo de linha da picape, que tem basicamente no motor sua maior – e talvez única – qualidade a se destacar

Sempre estamos falando por aqui de como o mercado de SUVs está em uma crescente forte. Mas há outro segmento que também desponta no mercado brasileiro automotivo, o de picapes. As caminhonetes, junto com os utilitários esportivos, é a categoria que mais cresce no país, tendo, inclusive, a líder geral do mercado, com a Fiat Strada.
Para se ter uma ideia, em 2024, juntando todos os tamanhos, o segmento foi responsável por nada menos que 19,11% dos emplacamentos. Neste ano, a porcentagem é ainda maior, com 19,89%, logo a categoria assume como a segunda mais importante, superando os hatches compactos e ficando atrás apenas dos SUVs.
Logo as picapes assumem o segundo lugar entre as categorias que mais vendem no Brasil.
Outra mostra de como o segmento está super aquecido é a quantidade de representantes em quatro subcategorias (compactas, intermediárias, médias e grandes) e de lançamentos. Entre novidades e reformulações, somente no ano passado foram três modelos inéditos, uma nova geração e três facelifts.
A categoria que conta com a maior quantidade de representantes é a de médias. São 10 modelos, sendo uma com pegada esportiva, outra super off-road e uma híbrida. Em 2024, chegaram três inéditas e duas foram atualizadas. Uma delas foi a Volkswagen Amarok, o nosso “Teste da Vez”, na sua versão topo de linha, a Extreme.
Precificação
Tirando modelos diferenciados, a Amarok é, de longe, a mais cara entre as médias.
Durante muito tempo, a Amarok foi a picape média mais cara do Brasil, com a Extreme custando, atualmente, insanos R$ 354.990. Ela perdeu esse status para as três diferenciadas do mercado, a esportiva Ford Ranger Raptor (R$ 490 mil), a super off-road Jeep Gladiator (R$ 499.990) e a híbrida plug-in BYD Shark (R$ 379.800).
Perante as demais “comuns” ela continua como a mais cara de todas. Em uma sequência, ela supera Toyota Hilux (R$ 346.290), a versão “normal” da Ranger (R$ 341.900), Mitsubishi Triton – sim, ela perdeu o “L200” – (R$ 329.990), Chevrolet S10 (R$ 323.490), Nissan Frontier (R$ 312.590), Fiat Titano (R$ 259.990) e Jac Hunter (R$ 259.900).
“Saverona”
Em vez de ganhar uma nova geração, ela passou por mais um facelift.
Um grande porém, além do preço, da Amarok é que a Volkswagen resolveu não lançar a nova geração no Brasil, vista em mercados lá fora, mas sim realizar apenas um facelift e que nem foi tão profundo como o que a Chevrolet fez com a S10. Por fora, as mudanças focaram a dianteira, que alinhou a picape ainda mais com a irmã menor, a Saveiro, e outro modelos da Volks.
Seguindo um novo padrão da marca, a Amarok conta com um filete cromado que liga os faróis ao logo centralizado e oturo luminoso em LED ligando as luzes de circulação diurna. O conjunto óptico, assim como o para-choque e a grade, foi redesenhado. A posição e estilo da luz de apoio é praticamente idêntico ao da Saveiro. Na traseira, o santo antônio não foi alterado. De novo, apenas a forma como o nome é apresentado na tampa da caçamba.
O interior é praticamente o mesmo da Saveiro.
Nas laterais, o estribo é do tipo plataforma e as rodas continuam gigantes, de 20 polegadas. A unidade que testamos ainda contava com o “Pacote Dark” (R$ 1.570) que agrega capas de parafuso das rodas emblemas traseiros “Amarok” e “V6”, maçanetas e para-choque traseiro em preto e as rodas são escurecidas. A caçamba leva excelentes 1.104kg.
Por dentro, quase nada novo. O painel de instrumentos segue super ultrapassado no mesmo estilo da Saveiro. Volante, console central e comandos do ar-condicionado não foram modificados. As novidades são a tela da central, mesmo atualizada, está longe da qualidade da VW Play, e o “Safer Tag”, que falamos sobre mais a frente.
O espaço traseiro não é dos melhores.
Outro detalhe não melhorado é a qualidade da cabine, ou falta dê, o interior é muito pobre para um veículo de R$ 355 mil, é plástico duro por tudo que é lugar, mesmo falando de uma picape. Por dentro, ela mais parece com os modelos de entrada da marca, como Polo Track e a própria Saveiro que já falamos, do que com os mais caros, como Tiguan e Jetta.
Ao menos, apesar dos materiais simplórios, o acabamento é bem feito, não apresenta rebarbas ou peças mal encaixadas. O espaço também deixa a desejar, longe de ser dos melhores, principalmente o traseiro. Um adulto grande sofre atrás do motorista e um quinto passageiro é quase impossível, por causa do túnel central.
Desequilibrada
São quase R$ 355 mil e a chave não é sensorial.
Além do visual, o ponto mais controverso da Amarok é a lista de equipamentos. Ao mesmo tempo que ela conta com bancos dianteiros elétricos, a chave é tradicional, não é sensorial e não tem partida por botão ou remota. Ainda de ponto negativo, o painel de instrumentos arcaico, a central multimídia simplória e a câmera de ré tem péssima visualização.
A Volks até fez uma gambiarra com o tal do “Safer Tag”, para colocar alertas de colisão frontal com leitor de pedestres e ciclistas e de saída de faixa. Mas o sistema parece tirado de um site de produtos piratas e só faz isso mesmo, nada de auxiliares de frenagem ou de permanência em faixa, piloto automático adaptativo ou monitoramento de ponto cego.
O “Safer Tag” parece aqueles produtos comprados em site chinês obscuro.
Com isso, ela vem com itens relativamente básicos, como sensores crepuscular, de chuva e de estacionamento dianteiro e traseiro, seis airbags, câmera de ré, controles de tração e estabilidade, auxiliares de partida e descida em rampa, monitoramento de pressão dos pneus e conjunto óptico full LED.
De comodidade, os bancos dianteiros com regulagem elétrica, ar-condicionado digital e dual zone (mas sem saída para a traseira), central multimídia com tela de apenas nove polegadas, conexão com fio para smartphones via Android Auto e Apple CarPlay e três portas USB, sendo duas do tipo C voltadas para a traseira.
Algo de bom
Ao menos um alento, o motor V6 3.0 é excepcional.
O destaque da Amarok é o conjunto mecânico, que mesmo superior, ainda tem um deslize (a direção hidráulica). O poderoso motor V6 3.0 diesel é a “joia da coroa” da picape. Ele gera excelentes 258 cavalos e pode alcançar 272 com overboost. O torque é de ótimos 59,1kgfm. Ela ainda vem com câmbio automático de oito marchas e tração integral.
Em linha reta, a Amarok é impressionante, basta tocar no acelerador para ver a picape de 2.191kg disparar pelo asfalto como se fosse um esportivo. O forte motor atua muito bem, toda manobra é feita com extrema facilidade, segurança e sem o mínimo de esforço. Ela faz ultrapassagens, retomadas e saídas de velocidade de forma primorosa.
A direção, apesar de hidráulica, é diverta e segura.
Acelerar ela é fácil, mas o conjunto se mostra bom mesmo é nas curvas, principalmente nas de alta velocidade em rodovias, graças à tração integral. Por sempre atuar, independente do tipo de terreno, o sistema deixa a Amarok muito segura, com uma tocada que foge do tradicional para uma picape média.
Mesmo com a caçamba vazia, não há impressão da traseira “tentar passar a dianteira”. Na alemã, tudo ocorre de forma tranquila e segura. Otimizando ainda mais a condução, só faltou a direção ser elétrica, como é hidráulica, em alta velocidade ela fica mais leve do que deveria e em baixa exige um pouco mais de esforço também.
Duas vezes bom
A Amarok manda bem no asfalto e fora dele.
A boa tocada no asfalto da Amarok não a prejudica em nada na hora de pegar uma estrada de chão ou até mesmo para fazer uma trilha mais intensa. Pela qualidade no on, é de se pensar que o off-road dela não é dos melhores, pelo contrário, mesmo em terrenos muito acidentados ou com bastante lama, ela passa sem o menor esforço.
A tração trabalha muito bem, mesmo em obstáculos agressivos, no qual uma das rodas fica suspensa, o sistema redireciona a força para as outras sem dificuldade, fazendo com que a transposição seja feita com extrema segurança. O sistema permite uma vida on e off-road bem interessante. Na parte do consumo, somando todos os tipos de terreno, estrada de chão, cidade e rodovia, ela fez, em média, 8.9km/l, número bom para uma picape V6.
A opinião do Diário Motor
Volkswagen Amarok Extreme.
Apesar de não faltar fôlego para ela, a Amarok está cansada. O recém facelift não foi suficiente para dar um “grow up” no visual da picape, principalmente o interior, que lembra mais uma versão grande da Saveiro. A lista de equipamentos também não ajuda e as únicas novidades parecem que foram compradas em feiras de produtos piratas.
Ao mesmo tempo, ela permanece como uma das melhores picapes médias para se dirigir no Brasil, principalmente na estrada, com o poderoso motor V6 aliado à tração integral e ao câmbio automático de oito marchas, mas aí faltou a direção ser elétrica. O grande ponto é que, por R$ 354.990, a parca lista de equipamentos e o visual antiquado, fazem com que a motorização possa não ser suficiente. Vale o teste drive! Nota: 5,5.
Ficha Técnica
Motor: V6 3.0 turbodiesel
Potência máxima: 258cv
Torque máximo: 59,1kgfm
Direção: hidráulica
Suspensão: independente na dianteira e eixo transversal na traseira
Freios: a disco nas quatro rodas
Capacidade de carga: 1.104kg
Dimensões (A x L x C x EE): 1.851 x 1.954 x 5.350 x 3.097mm
Preço: R$ 354.990
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