Citroën Basalt Shine representa bem o novo posicionamento da marca

Testamos a versão topo de linha do SUV menos caro do Brasil, que confirma o rearranjo da montadora, realizado pelo grupo Stellantis

O mercado automotivo brasileiro já passou por diversos momentos importantes. Dois dos mais marcantes foram o incentivo à expansão por parte do presidente Juscelino Kubitschek na década de 1950 e a reabertura de mercado realizada por Fernando Collor em 1990. Entre estes dois, certamente o mais impactante deles foi a reabertura para importações.

A partir dela, o setor automotivo brasileiro deu um salto de qualidade graças a produtos vindos de outros países, que incorporaram modelos mais modernos e seguros. Diversas montadoras passaram a operar por aqui, apesar de que algumas não confiaram na economia brasileira e não vieram para cá logo no início. Percebendo esta lacuna, vários empresários resolveram trazer por conta algumas marcas para o Brasil.

Um deles foi Sergio Habib, que trouxe a Citroën. Um fator interessante é que a francesa era uma montadora de entrada na Europa. Por aqui, o empresário a apresentou como uma marca premium, inclusive, ofertando produtos superiores à concorrência nacional. Em 2000, a própria montadora assumiu a operação brasileira e decidiu manter o estilo premium.

Assim, ela seguiu apresentando veículos mais completos, tecnológicos e modernos. No entanto, com a fusão da Peugeot Citroen com a Fiat Chrysler, criando a Stellantis, a francesa passou por uma reformulação e, hoje, é a marca de entrada do grupo no Brasil, como visto nos três novos produtos dela lançados aqui, sendo o último deles o Basalt, o nosso “Teste da Vez” e o SUV menos caro do país.

Precificação

A versão topo de linha do SUV é menos cara que as de entrada dos rivais.

Como marca de entrada do grupo, os novos modelos da Citroën são, logicamente, mais simples e bem menos caros que a concorrência. Inclusive, o preço é um dos pontos altos do utilitário. A unidade que testamos foi a topo de linha Shine, que sai por R$ 105.899, no preço de hoje, terça-feira, 25 de fevereiro de 2025. Em um momento no qual hatches compactos saem por este valor, é um trunfo muito grande da francesa.

Mesmo a versão topo de linha dele é mais barata que as opções de entrada de todos os concorrentes, sem exceção. Os que chegam mais perto são o conterrâneo Renault Kardian (R$ 106.990) e o primo Fiat Pulse (R$ 107.990). Nissan Kicks (R$ 117.990), Renegade (R$ 118.290) e Volks T-Cross, Fiat Fastback e Chevrolet Tracker, todos por R$ 119.990, são entre R$ 12 mil e R$ 15 mil mais caros. Já os demais, superam e muito o preço do Basalt.

Estilo familiar

O estilo coupé um charme a mais ao utilitário.

A “nova Citroën” iniciou com o lançamento da atual geração do C3, passou pelo C3 Aircross reformulado até chegar no novíssimo Basalt, o SUV coupé da família. Utilizando a mesma plataforma, o visual dos três é praticamente o mesmo, principalmente na dianteira. Olhando de frente, é até difícil dizer quem é quem, apenas o para-choque é levemente diferente.

O que muda mesmo é o visual lateral e traseiro. O Basalt segue o estilo do primo maior, o Fiat Fastback, a carroceria coupé tem a linha de teto que decai da coluna C até a tampa do porta-malas. Inclusive, a área de carga tem excelentes 490 litros, maior que muito SUV médio, e o terceiro mais espaçoso da categoria.

O espaço traseiro é generoso para dois adultos.

Se por fora o visual é parecido, por dentro é quase idêntico ao dos irmãos. Apenas detalhes que também envolvem tecnologia, como ar-condicionado e o painel de instrumentos digitais, são diferentes. De resto, do volante à central multimídia, passando pelo console central e saídas de ar, é tudo igual, até o nível do acabamento é o mesmo.

Os materiais são bem simples, é plástico duro por tudo que é lado. Ao menos, o acabamento é bem feito, sem rebarbas ou peças mal encaixadas. A área do banco traseiro é melhor que a dos irmãos. Os ocupantes dele tem um bom espaço para as pernas. Assim, quatro adultos viajam com conforto, mas cinco é praticamente impossível.

De entrada

A lista de equipamentos é compatível com a proposta do SUV.

Para ser um modelo mais barato, que antigamente seria considerado “popular”, claro que a lista de equipamentos de série não será nenhuma maravilha fora do usual. Mas para o considerado básico hoje em dia, ele até manda bem. Um fator curioso é que não há pacotes extras, que poderiam agregar mais itens, por um valor a mais, só de pintura.

Dessa forma, entre os equipamentos de segurança, ele vem com quatro airbags, sensor de estacionamento traseiro, câmera de ré (que tem uma visualização muito ruim na tela da central multimídia), monitoramento de pressão dos pneus, luz de condução diurna em LED, assistente de partida em rampa e controle de tração e estabilidade.

A central multimídia tem tela grande e conexão sem fio com smartphones.

Na parte da comodidade, central multimídia com tela de 10 polegadas e conexão sem fio para smartphones via Android Auto e Apple CarPlay, três portas USB, ar-condicionado digital, banco do motorista com regulagem de altura, faróis de neblina, assentos e volante com forração premium, apoio de braço para o motorista e retrovisores elétricos.

Ele ainda conta com painel de instrumentos digital de sete polegadas. A Shine, como topo de linha, vem com itens diferentes das versões de entrada, como skid plate frontal e traseiro na cor da carroceria e grade do radiador e capa dos retrovisores em preto. A versão que testamos tinha teto biton, que vem aliado a pintura metálica, mas que custa R$ 3 mil a mais.

O astro

O conjunto mecânico é ponto alto do Basalt.

Como falamos no início, hoje, a Citroën faz parte do grupo Stellantis, que no Brasil é capitaneado pela Fiat. Dessa forma, há várias sinergias entre as marcas, a principal delas é o conjunto mecânico. No caso do Basalt, ele utiliza o criado pela prima italiana, o T200, que une o motor 1.0 turbo ao câmbio automático do tipo CVT e direção elétrica.

O moderno propulsor, que está presente também no Pulse, Fastback, Peugeots 208 e 2008, além de C3 e Aircross, gera ótimos 130 cavalos e 20,4kgfm de torque com etanol e 125 cavalos e o mesmo torque com gasolina. O câmbio tem marchas simuladas, que não fazem muita diferença por ser CVT, e ele ainda conta com modo Sport.

A direção do SUV é divertida e segura.

Ativar a função Sport é meio complicado porque o botão fica atrás do volante e não na parte frontal, como nos modelos da Fiat. Mas com ela ativada, o Basalt fica bem divertido de dirigir. A união do motor com o câmbio é a mesma vista nos primos italianos e franceses, bem casada, com uma pegada segura e até instigante.

Normalmente, esse tipo de câmbio tende a tornar os propulsores turbo mais monótonos, especialmente ao acelerar, mas isso não acontece com o SUV. Basta um leve toque no acelerador para ele sair de forma vigorosa, segura e divertida.

Apesar de CVT, o câmbio trabalha bem em parceria com o motor turbo.

Com uma tocada esperta, com ele, é possível realizar ultrapassagens, retomadas e saídas em velocidade de forma super segura e com extrema facilidade. A direção elétrica também ajuda em uma condução mais otimizada, mesmo ele não sendo um veículo grande, fica ainda mais fácil de manobrar.

Por ser CVT, a transmissão não tem trocas e, como falamos, a parte negativa comum deste tipo de câmbio a Fiat conseguiu eliminar bem ao alinhar com o motor turbo. A suspensão do Basalt também trabalha bem, sem repassar as muitas imperfeições do solo para a cabine. O consumo foi nem bom, nem ruim, com média de 11,8km/l com gasolina.

A opinião do Diário Motor

Citroën Basalt Shine.

Em um momento de preços para lá de errados, o Basalt usa o valor bem abaixo da concorrência como super trunfo. Mas não é só este quesito que ele manda bem, o conjunto mecânico emprestado da prima Fiat deixa o SUV gostoso, divertido e seguro de dirigir. Claro que a lista de equipamentos de série não é lá essas coisas.

Afinal, estamos falando de um utilitário que a versão topo de linha custa menos do que as de entrada dos rivais. Mas ainda assim, tem alguns itens interessantes, como o painel digital e a conexão de smartphones sem fio. Com o bem encaixado conjunto mecânico e um bom espaço interno, também no porta-malas, é uma boa opção. Vale a compra! Nota: 8.

Ficha Técnica

Motor: 1.0 turbo

Potência máxima: 130cv 

Torque máximo: 20,4kgfm 

Transmissão: automática CVT

Direção: elétrica

Suspensão: independente na dianteira e eixo de torção na traseira

Freios: a disco na dianteira e tambor na traseira

Porta-malas: 490 litros

Dimensões (A x L x C x EE): 1.585 x 1.720 x 4.343 x 2.645mm 

Preço: R$ 105.899

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