Ex-primeira-dama apela ao MP por proteção perdida e expõe risco em Alagoas

Marina Cintra já teve irmão assassinado e perdeu proteção ao se separar do governador

A ex-primeira-dama de Alagoas, Marina Cintra, apelou ao Ministério Público Estadual, nesta quinta-feira (18), contra a falta de agilidade do Conselho Estadual de Segurança Pública (CONSEG) em apreciar seu pedido pelo restabelecimento da proteção que recebia do Estado.

A agora opositora política do governador Paulo Dantas (MDB) denuncia que o órgão colegiado retirou seu caso da pauta da última sessão do CONSEG da segunda-feira (15), ignorando a urgência solicitada, em razão dos riscos de morte que a ex-primeira-dama atribui à guerra política que derramou sangue entre famílias no Sertão do Estado, na trajetória política do ex-casal.

“Marina está se sentindo extremamente vulnerável, teme pela própria vida e se sente acuada face o poder do ex-marido”, relata a advogada Luana Amaral, que é tia do governador e protocolou a reclamação contra o CONSEG, junto à promotoria responsável pelo controle da atividade policial no MP.

Marina tem evitado tratar do tema nas suas redes sociais, após perder a proteção que recebia de policiais alagoanos, dias depois de anunciar apoio político ao prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o “JHC” (PL), para suceder o governador, contra o projeto eleitoral do senador e ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).

Ex-primeira-dama Marina Cintra recebia proteção do Estado desde 2006 por causa de uma rixa entre clãs do Sertão de Alagoas (Foto: Reprodução/Instagram/@marinatcintra)

Porém, sua advogada contesta que o caso é relatado pelo representante do governo de Alagoas no CONSEG, Luiz de Albuquerque Medeiros Neto, que já advogou para Paulo Dantas, quando o governador foi alvo da Operação Edema, pela Polícia Federal, em 2022.

Ao Diário do Poder, o relator do caso limitou-se a responder o seguinte, ao ser questionado sobre a relação com o governador e o que o levou a retirar o caso da pauta do colegiado, na última sessão ordinária do ano: “Não é apropriado aos Conselheiros tratar com a imprensa sobre processos ainda em curso no CONSEG, especialmente em relação aqueles ainda não julgados. Mas adianto que em brevíssima data esse processo específico será apreciado”, disse o conselheiro.

Marina Cintra é ex-esposa do governador Paulo Dantas e mantinha segurança sem ter direito, segundo Conseg. (Foto: Arquivo/Reprodução/Instagram)

Histórico de violência 

Um dos casos da guerra política entre as famílias dos Dantas e dos Boiadeiros vitimou um irmão e um segurança de Marina, na época em que ela era primeira-dama de Batalha, quando o atual governador era prefeito.

Em 27 de maio de 2006, após Marina Cintra travou uma discussão política com uma mulher, em um bar. Minutos depois, seu irmão Samuel Theomar Bezerra Cavalcante Júnior e o sargento reformado Edivaldo Joaquim de Matos foram assassinados a tiros pelos irmãos José Márcio Cavalcanti de Melo, o “Baixinho Boiadeiro”; Anselmo Cavalcanti de Melo, “Preto Boiadeiro”; e Thiago Ferreira dos Santos, o “Pé de Ferro”.

Marina já foi prefeita de Batalha e tentará disputar uma vaga de parlamentar por Alagoas, nas eleições de 2026, provavelmente pelo PL.

A defesa de Marina detalhou que a segurança pessoal havia sido concedida pelo CONSEG, desde 2006, para ela, Paulo Dantas, e para o atual prefeito de Major Isidoro (AL), Theobaldo Cintra (MDB), irmão da ex-primeira-dama.

Em novembro, o colegiado negou que a segurança pessoal da ex-mulher do governador fosse concedida com autorização do CONSEG, desde 2006, como informado pela defesa de Marina. O que evidenciou que a proteção individualizada retirada seria irregular, ao menos desde a separação do casal, em junho de 2024.

Mas o CONSEG admitiu ter concedido, em 2017, a segurança individualizada ao então deputado estadual Paulo Dantas, estendida à sua então esposa, Marina, e seus familiares. E a posse como governador-tampão, em abril de 2022, levou esta proteção a ser tratada diretamente pela Assessoria Militar do Governo de Alagoas.

Após deixar o exercício da função de primeira-dama, Marina Cintra, como todas as demais ex-primeira-damas, deixou de possuir acompanhamento policial ofertado pelo Gabinete Militar.

Para esclarecer a situação, a advogada Luana Amaral já havia solicitado ao CONSEG, em 27 de novembro, cópias dos autos de todos os processos e procedimentos nos quais a ex-primeira-dama figure como parte ou interessada, assim como cópia da decisão que ensejou a retirada da segurança destinada a Marina Cintra.

No MP, o caso será encaminhado pelo Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial e Tutela da Segurança Pública para a Procuradoria-Geral de Justiça. Porque a promotora Karla Padilha vai se averbar suspeita por ter ajuizado, em outubro, uma ação judicial que denuncia a atuação ilegal do CONSEG, por atropelar direitos do cidadão, colocando em seus assentos apenas membros indicados por órgãos estatais, sendo “um órgão que representa o Estado para o próprio Estado”.

O governador não tem se pronunciado sobre este caso.

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