Relator da CPMI do INSS desistiu de visitar Bolsonaro por imparcialidade

Deputado alagoano revelou que foi convidado e aceitou visitar ex-presidente, mas declinou para preservar investigação imparcial

O deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça (União-AL) revelou nesta terça-feira (26) que desistiu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após aceitar um convite feito uma semana antes de se tornar relator da CPMI do INSS. O parlamentar revelou que declinou do convite, porque seu compromisso com uma investigação séria, técnica e com justiça contra quem roubou aposentados e pensionistas é muito maior do que qualquer preferência política.

O relator da CPMI disse ter pouquíssimos contatos com Bolsonaro, por quem tem consideração. E foi procurado por um advogado do ex-presidente que cumpre prisão domiciliar, para questionar se o deputado gostaria de fazer-lhe uma visita. O convite foi aceito, “com muita honra”, mas declinado em nome da imparcialidade.

“Eu disse que iria, com muita honra. Depois, eu fui escolhido como um membro da CPMI. E, como relator, eu quero dizer que tô declinando desse convite, para manter a imparcialidade dos trabalhos. Mas que me senti honrado”, revelou Alfredo Gaspar, antes de apresentar plano de trabalho das investigações aos parlamentares.

O deputado alagoano que diz ter orgulho de ser de direita e de oposição ainda afirmou não conhecer o presidente Lula (PT) e ter pouco conhecimento com Bolsonaro, ao garantir que não permitirá que haja perseguidos ou protegidos no seu trabalho investigativo.

“Olha, não conheço Lula, tenho pouco conhecimento com Bolsonaro. Não quero mal nenhum ao governo. Mas aqui, no meu relatório, não haverá protegidos, nem perseguidos. Eu estarei aqui para cumprir o rito da investigação. Quem meteu a mão no dinheiro do povo sofrido brasileiro não perguntou a mim se era conveniente. Também, ninguém vai ter o direito dizer: ‘Olha, culpa fulano, persegue sicrano'”, afirmou o relator da CPMI do INSS.

Alfredo Gaspar ainda pondero que não existe imparcialidade no âmbito político. Mas defendeu que as preferências políticas não atrapalhe o papel investigativo da CPMI. “O que nós vamos medir é, se as nossas preferências políticas, se as nossas divergências ideológicas irão atrapalhar no que interessa, que é a busca da verdade dos fatos”, concluiu.

 

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