Dino alega que Lula deu fim à ‘corrupção no combate à corrupção’

Ministro da Justiça diz estar extinta a 'espetacularização', em dia de cerco armado da PF à casa de Bolsonaro, em buscas sobre cartão de vacina

O ministro da Justiça, Flávio Dino, exaltou que o governo de Lula (PT) pôs fim à ‘espetacularização e à corrupção no combate à corrupção’. A declaração foi dada nesta quarta-feira (3), durante reunião da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. No mesmo dia em que a Polícia Federal fez cerco com armamento pesado à residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cumprindo buscas para investigar suposta fraude em dados sobre sua vacinação e de sua família.

“Sobre o combate à corrupção, o que mudou [em relação a governos anteriores] foi a espetacularização. Pusemos fim à corrupção do combate à corrupção”, celebrou Dino, sobre a suposta mudança nas ações a cargo de órgãos subordinados ao Poder Executivo, como a PF.

A fala de Dino é feita um dia após ele mesmo usar o próprio Ministério da Justiça, não para combater corrupção, mas para impor censura ao Google com ameaça de multa de R$ 1 milhão por hora.

O ministro foi cobrado pelo  ex-coordenador da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF), deputado Deltan Dallagnol (Pode-PR), sobre o que sua pasta está fazendo para garantir que os brasileiros não sejam censurados pelo governo e para combater a grande corrupção.

“Fiquei surpreso por não ver, dentre as prioridades do governo, o combate à corrupção. Ainda que existam várias pessoas sendo investigadas, processadas ou até condenadas por corrupção dentro [da atual equipe] do governo, acredito que isso não deva ser um tabu. Precisa ser tratado como uma prioridade de Estado, não de governo”, provocou Dallagnol.

Ao afirmar que operações contra a corrupção ocorrem todos os dias, Flávio Dino citou a Operação Venire, da qual Bolsonaro foi alvo de buscas em sua residência, na manhã de hoje. A ação policial que tem o ex-presidente como alvo prendeu seu ex-ajudante de ordens, e buscou provas da suposta adulteração de cartões de vacinação com inserção de dados falsos no banco de dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

“O combate à corrupção continua sendo uma prioridade, mas não fazemos disso uma bandeira de politicagem. Não precisamos disso, pois nosso governo tem projetos, propostas e ideias e respeita o devido processo legal”, alegou o ministro da Justiça.

Veja o questionamento do deputado Deltan Dallagnol, ao ministro Dino:

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