Cartório impede Wagner de vender imóvel de R$15,8 milhões um dia após operação da PF

Petista tentou vender um imóvel por R$15,8 milhões, mas cartório já tinha ordem de bloqueio nas mãos

m cartório de registro de imóveis da Bahia frustrou a tentativa do senador Jaques Wagner (PT-BA) de vender um terreno por R$15,8 milhões um dia depois de ter sido alvo da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, em ação determinada por André Mendonça, relator do Caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (ST).

O ministro do STF foi quem enviou ao cartório uma ordem de bloqueio dos bens do político, que na ocasião era líder do governo Lula no Senado, cargo do qual pediu afastamento após o escândalo do seu envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de cujo grupo é suspeito de receber, entre outras vantagens, um apartamento em Salvador. Em seu relatório sobre a operação, a Polícia Federal lembrou que o pagamento de propina por meio de imóveis é o mesmo usado no caso do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que está preso.

A revelação da tentativa de Wagner de vender o imóvel foi de reportagem do jornalista Aguirre Talento para o Estadão. Ele conta a haver procurado o senador, que respondeu por meio de sua defesa, que afirmou não haver irregularidades, mas, inicialmente, não explicou os detalhes do negócio. Após a publicação da reportagem, a defesa sustentou em nova nota que “a venda do imóvel é resultado de uma negociação iniciada em 2024 e formalizada em 2025 pelo City Football Group, conforme demonstram os documentos”.

“O acordo previa a permuta do imóvel por lotes do empreendimento e o pagamento antecipado de R$ 2 milhões, valor devidamente declarado, com o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital (DARF pago em 30/06/2025). A escritura publica foi lavrada em maio de 2026, preservando a natureza da operação como uma permuta”, afirma a nota.

Wagner também havia acertado a venda de um segundo imóvel por R$ 10 milhões, o apartamento dele em Salvador, em transação protocolada em cartório uma semana antes da operação da PF. Mas o negócio também foi bloqueado por ordem do ministro André Mendonça e a transmissão de propriedade resultou não autorizada pelo cartório. Mesmo assim, o petista já recebeu ao menos R$ 12 milhões nas tratativas.

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