Brilha hoje nos verdejantes e impecáveis gramados dos estádios de futebol europeu uma joia mista espanhola -marroquinoa e guinea -equatiriana.
Nascido em Esplugues de Llobregat, na comarca de Baix Llobregat, província de Barcelona, batizado de Lamine Yamal Nasraoui Ebana.
Para quem ainda gosta do “velho e violento esporte bretão “, como outrora se chamava o jogo da bola, uma beleza ver este garoto Lamine Yamal jogar. Tem o condão dos magos do esférico, esse objeto de nosso desejo (além de outros, claro), apesar de seus tenros 17 anos. Quem nem um rei negro de outrora, aquele de Três Corações.
Mas hoje me lembra Garrincha, apesar de canhoto. Lembra Garrincha, mas é um anjo de pernas certas. Como o de Mané, seu drible é previsível, conquanto imparável. É aquela jogada que, não raro, acaba em gol. Lindo gol.
Domina na direita, a redonda quase colada umbilicalmente no pé esquerdo, dois elementos de uma mesma peça do corpo humano. Balança o corpo atrevido, moleque, quase irresponsável como Mané, seu destino inexorável é a linha de fundo, de onde saem passe perfeitos, quase gols, deixando para trás tantos defensores e “Joãos” adversários quantos se lhe apresentam. Afunila para o centro da área e em dado momento dispara um tiro certeiro, não violento, não um chute forte, daqueles que “estufam o barbante”, a bola feita uma ave que voa quase leve e se aninha “lá onde a coruja dorme”, como os locutores gostavam de anunciar em júbilo.
É uma pluma que – como diz a música do Tom – o vento vai levando pelo ar e voa tão leve, e tem a vida breve. Breve mas eterna como a glória do gol que arrebata a multidão azulgrana da Catalunha, olhos rútilos e lábios trêmulos. Pois é. É esse menino travesso , esse Lamine meio Garrincha, sem ser torto, pernas perfeitamente alinhadas. Mas que, ja disse, produz um desfecho maravilhoso, o gol.
O poder purificador de um banho e de transferência de genialidade
Dir-se-ia até que essa joia de talento futebolístico nasceu miraculosamente de um banho em 2007. E acho que foi assim mesmo.
Há 18 anos, Messi foi fotografado no banho ao bebê Lamine Yamal.
Sim, amigos, um banho de água, de banheira e cuia, que o então pibe melenudo Lionel Messi – ele também uma joia que começava então a ser polida no Barcelona – deu, há exatos 18 anos. Um banho que lavou o pequeno corpo e a alma de um menino há pouco nascido, limpando-o dos resíduos de impurezas que pudesse ter da arte de jogar futebol. Hoje é craque feito, puro, perfeito, limpo e límpido, que transita com desenvoltura entre as duras e sujas chuteiras de seus marcadores.
Uma felicidade que só para quando haja vento sem parar. E não para. Enquanto uma lufada de alegria chamada Lamine Yamal continuar a soprar com a bola nos pés.”