Na Operação Vassalos, que cumpre 42 mandados de busca em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e Distrito Federal, os investigadores apontam a existência de uma organização formada por agentes públicos e privados suspeita de desviar recursos de emendas parlamentares. O grupo é suspeito de direcionar licitações para uma empresa e utilizava parte dos valores para pagar vantagens indevidas e ocultar patrimônio.
As investigações miram o volume expressivo de recursos oriundos das chamadas emendas de relator — conhecidas como “emendas secretas” — que, à época em que Fernando Bezerra exercia a liderança do governo Jair Bolsonaro no Senado, foram destinadas ao município. Segundo apuração, mais de R$75 milhões teriam sido encaminhados a uma única empresa, em operações consideradas suspeitas e que agora voltam ao radar das autoridades, com indícios de possíveis desvios.
O episódio ocorre em meio à tentativa de Miguel Coelho de se viabilizar como pré-candidato ao Senado por Pernambuco, movimento que enfrenta resistências no meio político estadual, diante do histórico de reposicionamentos da família ao longo dos últimos ciclos de poder em Brasília, que passaram pelos governos de Lula e Dilma Rousseff, do PT, Michel Temer (MDB) e, posteriormente, pela aproximação com o bolsonarismo.
No desfile do Galo da Madrugada, no carnaval deste ano no Recife, Miguel Coelho acompanhou o prefeito João Campos em agenda com Lula, que teria concedido ao jovem político um “tratamento protocoar”.
