Líder de Lula pode ter mentido sobre dinheiro apreendido

Jornal conferiu: valor das diárias recenidas pelo senador é bem menor que o dinheiro que a PF apreendeu

Suspeito de receber propina em dinheiro e imóvel do esquema do Banco Master, o líder do governo Lula (PT) no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), agora está sob suspeita de haver mentido quando justificou o dinheiro vivo apreendido pela Polícia Federal em seus endereços afirmando que eram diárias que recebeu a longo de todo o seu mandato, desde 2019.

No total, ele recebeu US$63 mil e mais 1,4 mil euros em diárias pagas por viagens ao exterior, mas de reportagem dos jornalistas Levy Teles e Danielle Brant, do Estadão,  mostrou que o valor não coincide com o dinheiro apreendido pela PF, ou sejam, US$65.795 e mais 39 mil euros. A versão de que esse dinheiro seria proveniente de diárias foi apresentaa durante entrevista do senador a TV BandNews.

“Eu várias vezes viajei para o exterior, de 2019 para cá recebi de diárias aproximadamente US$ 70 mil. E outras vezes que fui viajar, comprei do Banco do Brasil dólares e euros. Não tenho nenhuma coisa para esconder”, disse o senador.

O presidente do Instituto Não Aceito Corrupção (Inac), Roberto Livianu, considerada que é “totalmente desarrazoado dizer que tudo isso se trata de diárias”. “Ele declarou ao Imposto de Renda ter esse dinheiro em casa? Para ser legal, isso precisa constar na declaração do IR”.

Ele lembra ainda que a diária é uma verba que busca ressarcir despesas e reforçou que o Senado não possui disposição normativa sobre a devolução de valor não utilizado de diárias. “Se não houve despesa, o correto é a devolução da verba. A diária é para indenizar despesas de um deslocamento de um integrante de órgão público no ponto de vista da moralidade administrativa, porque a diária se presta a ressarcir despesas. eria o correto de se fazer especialmente como líder do governo”, disse.

Guilherme France, gerente do Centro de Conhecimento Anticorrupção da Transparência Internacional – Brasil, lembra que o papel-moeda tem difícil rastreabilidade.

“O Brasil está cansado de ver operações da Polícia Federal em que grandes quantidades de dinheiro em papel moeda são encontradas com agentes públicos suspeitos de envolvimento com fraudes e corrupção”, pontuou.

Juliana Sakai, diretora executiva da Transparência Brasil, também disse não parecer razoável a explicação sobre o dinheiro. “Se é verdade que ele está acumulando dezenas de milhares de dólares e euros a partir de diárias bancadas pelo Senado, ou o Legislativo está pagando muito mais que o necessário, ou ele não precisa gastar estas diárias porque o custeio dele nestas viagens estaria vindo de outra fonte”, afirmou.

A reportagem informa que o Estadão compilou todos os valores recebidos pelo senador desde 2019, tomando como base tanto o total em dólares informado pelo Senado quando o cálculo das diárias, quando o dado não era oferecido. Em reais, a soma é de R$ 336.965,94.

O ano em que Wagner recebeu mais diárias em dólar foi 2019, com US$ 14.809. De acordo com a página de transparência, o senador viajou oito meses naquele ano, tendo como destinos China, Uruguai, Cazaquistão, Guatemala, Panamá e Espanha. Também esteve no Vaticano, onde acompanhou a cerimônia de canonização de irmã Dulce.

Em 2025, o senador recebeu cerca de US$ 12.402. Em março, o senador integrou comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que visitou Vietnã e Japão. Em maio, foi a Nova York participar de um evento sobre o potencial industrial verde do Brasil e do fórum Veja Brazil Insights, enquanto em julho esteve na comissão temporária que foi a Washington tentar uma interlocução sobre o tarifaço imposto pelo americano Donald Trump a produtos brasileiros.

Já em 2023, primeiro ano da atual gestão de Lula, foram cerca de US$ 11.300. O senador esteve na Califórnia, China, Nova York e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde participou da COP28.

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